Livros Espíritas
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A pequena extensão das viagens, que naquela época raramente ultrapassava os limites da tribo ou do vale, não permitia que se comprovasse a esfericidade da Terra. Como, ademais, haviam de supor que a Terra fosse uma bola? Em tal caso, os homens só poderiam manter-se nos pontos mais elevados. Supondo-a habitada em toda a superfície, como poderiam viver no hemisfério oposto, com a cabeça para baixo e os pés para cima? O fato lhes pareceria menos possível ainda com o movimento de rotação. Quando, mesmo nos nossos dias, em que se conhece a lei de gravitação, se veem pessoas relativamente esclarecidas não perceberem esse fenômeno, como nos admirarmos de que os homens das primeiras idades não o tenham, sequer, suspeitado? Para eles, pois, a Terra era uma superfície plana e circular, qual uma mó de moinho, estendendo-se a perder de vista na direção horizontal. Daí a expressão ainda em uso: ir ao fim do mundo. Desconheciam-lhe os limites, a espessura, o interior, a face inferior e tudo o que lhe ficava por baixo.³⁵
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(³⁵) Nota de Allan Kardec: “A mitologia hindu ensinava que, ao entardecer, o astro do dia se despojava de sua luz e atravessava o céu durante a noite com uma face obscura. A mitologia grega representava o carro de Apolo [deus da beleza, da luz, das artes e da profecia] puxado por quatro cavalos. Anaximandro [(610–547 a.C.) filósofo grego pré-socrático, considerou o infinito como o princípio do universo], de Mileto, sustentava, segundo Plutarco [(c. 50–125 d.C.) escritor grego], que o Sol era um carro cheio de fogo muito vivo, que se escapava por uma abertura circular. Epicuro [(341–270 a.C.) filósofo grego], segundo uns, teria emitido a opinião de que o Sol se acendia pela manhã e se apagava à noite nas águas do oceano; outros pensavam que ele considerava esse astro uma pedra-pomes aquecida até a incandescência. Anaxágoras [(c. 500 a.C.–c. 428 a.C.) filósofo grego pré-socrático] o tomava por um ferro incandescente, do tamanho do Peloponeso. Coisa singular! Os Antigos eram tão invencivelmente induzidos a considerar real a grandeza aparente desse astro que perseguiram o filósofo temerário por haver atribuído aquele volume ao facho do dia, fazendo-se necessária toda a autoridade de Péricles [(c. 495–429 a.C., político ateniense. Péricles foi discípulo de Anaxágoras, que foi acusado de impiedade para com os deuses e teve que sair de Atenas] para salvá-lo de uma condenação à morte e para que essa pena fosse comutada numa sentença de exílio.” (Flammarion, Estudos e leituras sobre a astronomia, p. 6.)
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