Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
qual se exerce a ação dos Espíritos sobre o homem, ação, por assim dizer, material. Sua causa está inteiramente no perispírito, princípio não só de todos os fenômenos espíritas propriamente ditos, mas de uma imensidade de efeitos morais, fisiológicos e patológicos, incompreendidos antes do conhecimento desse agente, cuja descoberta, se assim nos podemos exprimir, abrirá horizontes novos à Ciência, quando esta se dispuser a reconhecer a existência do mundo invisível. Como vimos, o perispírito representa importante papel em todos os fenômenos da vida; é a fonte de uma porção de afecções, cuja causa é em vão buscada pelo escalpelo na alteração dos órgãos, e contra as quais é impotente a terapêutica. Por sua expansão explicam-se, ainda, as reações de indivíduo a indivíduo, as atrações e as repulsões instintivas, a ação magnética, etc. No Espírito livre, isto é, desencarnado, substitui o corpo material; é o agente sensitivo, o órgão por meio do qual ele age. Pela natureza fluídica e expansiva do perispírito, o Espírito alcança o indivíduo sobre o qual quer atuar, rodeia-o, envolve-o, penetra-o e o magnetiza. Vivendo em meio ao mundo invisível, o homem está incessantemente submetido a essas influências, assim como às da atmosfera que respira, traduzindo-se aquelas por efeitos morais e fisiológicos dos quais não se dá conta e que, muitas vezes, atribui a causas inteiramente contrárias. Essa influência difere, naturalmente, segundo as qualidades, boas ou más, do Espírito, como já explicamos no artigo anterior. Se ele for bom e benevolente a influência, ou, se quisermos, a impressão, é agradável e salutar; é como as carícias de uma terna mãe, que abraça o filho. Se for mau e perverso, será dura, penosa, aflitiva e por vezes perniciosa; não abraça: constrange. Vivemos num oceano fluídico, expostos incessantemente a correntes contrárias, que atraímos ou repelimos, e às quais nos abandonamos, conforme nossas qualidades pessoais, mas em cujo meio o homem sempre conserva o seu livre-arbítrio, atributo essencial de sua natureza, em virtude do qual pode sempre escolher o caminho. Como se vê, isto é inteiramente independente da faculdade mediúnica, tal como é concebida vulgarmente. Estando a ação do mundo invisível na ordem das coisas naturais, ela se exerce sobre o homem, abstração feita de qualquer conhecimento espírita. Estamos a elas submetidos, como o estamos à influência da eletricidade atmosférica, mesmo não sabendo a Física, como ficamos doentes, sem conhecer a Medicina. Ora, assim como a Física nos ensina a causa de certos fenômenos e a Medicina a de certas doenças, o estudo da ciência espírita nos ensina a causa dos fenômenos devidos às influências ocultas do mundo invisível e nos explica o que, sem isto, nos parecerá inexplicável. A mediunidade é o meio direto de observação. O médium – que nos permitam a comparação – é o instrumento de laboratório pelo qual a ação do mundo invisível se traduz de maneira patente. E, pela facilidade que nos oferece de repetir as experiências, permite-nos estudar o modo e os diversos matizes desta ação. Destes estudos e destas observações nasceu a ciência espírita. Todo indivíduo que, de uma maneira ou de outra, sofre a influência dos Espíritos, é, por isto mesmo, médium, razão por que se pode dizer que todo o mundo é médium. Mas é pela mediunidade efetiva, consciente e facultativa que se chegou a constatar a existência do mundo invisível e, pela diversidade das manifestações obtidas ou provocadas, foi possível esclarecer a qualidade dos seres que o compõem e o papel que representam na Natureza. O médium fez pelo mundo invisível o que fez o microscópio pelo mundo dos infinitamente pequenos. É, pois, uma nova força, uma nova faculdade, uma nova lei, numa palavra, que nos foi revelada. É realmente inconcebível que a incredulidade repila mesmo a idéia, levando-se em conta que esta idéia supõe em nós uma alma, um princípio inteligente que sobrevive ao corpo. Se se tratasse da descoberta de uma substância material e ininteligente, seria aceita sem dificuldade. Mas uma ação inteligente fora do homem é, para eles, superstição. Se, da observação dos fatos produzidos pela mediunidade, remontarmos aos fatos gerais, poderemos, pela similitude dos efeitos, concluir pela similitude das causas. Ora, é constatando a analogia dos fenômenos de Morzine com aqueles que diariamente a mediunidade põe aos nossos olhos que nos parece evidente a participação dos Espíritos malfazejos naquela circunstância; e não o será menos para quantos tiverem meditado sobre os numerosos casos isolados, relatados na Revista Espírita. A única diferença está no caráter epidêmico da afecção. Mas a História registra alguns fatos semelhantes, entre os quais figuram o das religiosas de Loudun, dos convulsionários de Saint-Médard, dos calvinistas das Cévènes e dos possessos do tempo do Cristo. Estes últimos, sobretudo, apresentam notável analogia com os de Morzine; e – coisa digna de nota – em qualquer parte onde esses fenômenos se produzissem, a idéia de que fossem devidos a Espíritos era o pensamento dominante e como que intuitiva naqueles por eles afetados. Se nos reportarmos ao nosso primeiro artigo sobre a teoria da obsessão, contida em O Livro dos Médiuns, e aos fatos relatados na Revista, veremos que a ação dos Espíritos maus, sobre os indivíduos de que se apoderam, apresenta nuanças de intensidade e duração extremamente variadas, conforme o grau de malignidade e perversidade do Espírito e, também, de acordo com o estado moral da pessoa que lhes dá acesso mais ou menos fácil. Muitas vezes tal ação é temporária e acidental, mais maliciosa e desagradável que perigosa, como no caso que relatamos em nosso artigo anterior. O fato seguinte pertence a esta categoria: O Sr. Indermühle, de Berna, membro da Sociedade Espírita de Paris, contou-nos que em sua propriedade de Zimmerwald, o capataz, homem de força hercúlea, certa noite se sentiu agarrado por um indivíduo que o sacudia vigorosamente. Dir-se-ia um pesadelo; mas não era, pois o homem estava bem desperto, levantou-se, lutou algum tempo com quem o agarrava e, quando se sentiu livre, tomou do sabre, pendurado ao lado do leito, e pôs-se a esgrimi-lo no escuro, sem nada atingir. Acendeu uma vela, procurou por toda parte e não encontrou ninguém; a porta estava bem fechada. Mal retornara ao leito e o jardineiro, que estava no quarto ao lado, começou a pedir socorro, debatendo-se e gritando que o estrangulavam. O capataz correu para o vizinho, mas, tal como ocorrera consigo, não viu ninguém. Uma criada, que dormia na mesma construção, ouviu todo o barulho. Apavorados todos vieram, no dia seguinte, contar ao Sr. Indermühle o que se havia passado. Depois de ter-se informado de todos os detalhes e certo de que nenhum estranho poderia ter-se introduzido nos aposentos, foi levado a crer numa brincadeira de mau gosto, por parte de algum Espírito, já que manifestações físicas inequívocas, de diversas naturezas, se produziam desde algum tempo em sua casa. Tranqüilizou sua gente, recomendando que observassem com cuidado tudo quanto se passasse, caso a coisa se repetisse. Como ele e a esposa fossem médiuns, evocou o Espírito perturbador, que confessou o fato e se desculpou, dizendo: “Eu vos queria falar, pois sou infeliz e necessito de vossas preces; há muito tempo faço tudo o que posso para vos chamar a atenção; bato à vossa porta e, até mesmo, já vos puxei a orelha (O Sr. Indermühle lembrou-se do fato), mas em vão. Então julguei que, protagonizando a cena da noite passada, pensaríeis em me chamar. Fizeste-o e estou contente; asseguro-vos, porém, que não tinha más intenções. Prometei chamar-me algumas vezes e orar por mim.” O Sr. Indermühle o repreendeu, repetiu a conversa, deu-lhe uma lição de moral, que ele escutou com prazer, orou por ele e disse aos criados que fizessem o mesmo, o que logo foi feito, já que eram pessoas piedosas. Desde então, tudo ficou em ordem. Infelizmente, nem todos os Espíritos têm tão boa disposição; esse não era mau. Alguns há, porém, cuja ação é tenaz, permanente, podendo até mesmo haver conseqüências desagradáveis para a saúde dos indivíduos; direi mais: para suas faculdades intelectuais, caso o Espírito consiga subjugar a vítima, a ponto de neutralizar seu livre-arbítrio e constrangê-la a dizer e a fazer extravagâncias. Tal é o caso da loucura obsessiva, muito diversa nas causas, se não nos efeitos, da loucura patológica. Em nossa viagem vimos o jovem obsidiado, do qual falamos na Revista de janeiro de 1861, sob o título de Espírito batedor do Aube, e ouvimos do próprio pai e de testemunhas oculares a confirmação de todos os fatos. O rapaz tem agora dezesseis anos; é saudável, forte, perfeitamente constituído e, contudo, queixa-se de dor no estômago e fraqueza nos membros, o que, segundo diz, o impede de trabalhar. Vendo-o, pode-se facilmente crer que a preguiça seja sua principal doença, o que nada tira à realidade dos fenômenos produzidos há cinco anos e que, sob muitos aspectos, lembram os de Bergzabern (Revista: maio, junho e julho de 1858). Já o mesmo não se dá com a sua saúde moral; quando criança era muito inteligente e na escola aprendia com facilidade. Desde então suas faculdades enfraqueceram sensivelmente. Deve-se acrescentar que só recentemente ele e seus pais conheceram o Espiritismo, ainda por ouvir dizer e muito superficialmente, pois nada leram; antes nunca tinham ouvido falar.
Mais opções
Nota 1:
5000
caracteres restantes
(1) Ver o número de dezembro de 1862.
Formatar
Nova Nota
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×