Livros Espíritas
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Tudo prova, pois, que lá, como em Morzine, esses fenômenos são o resultado de uma obsessão, ou possessão coletiva, verdadeira epidemia de Espíritos maus, como se produziu ao tempo do Cristo e em muitas outras épocas. Cada população deve fornecer ao mundo invisível ambiente Espíritos similares que, do espaço, reagem sobre essas mesmas populações, das quais, devido à sua inferioridade, conservaram os hábitos, as inclinações e os preconceitos. Os povos selvagens e bárbaros estão, pois, cercados por uma massa de Espíritos ainda selvagens e bárbaros, até que o progresso os tenha levado a se encarnarem num meio mais adiantado. É o que resulta da comunicação abaixo. Depois de lido o relato acima numa reunião íntima, um dos guias espirituais da família ditou espontaneamente o seguinte: (Paris, 12 de janeiro de 1865 – Médium: Sra. Delanne) Esta noite eu vos ouvi ler os fatos de obsessão ocorridos em Madagáscar. Se o permitis, darei minha opinião a respeito. Observação – O Espírito não tinha sido evocado. Lá estava, pois, em meio à sociedade, escutando sem ser visto o que aí se dizia. É assim que, sem nos darmos conta, incessantemente temos testemunhas invisíveis de nossas ações. Essas alucinações, como as chama o corresponde do jornal, não passam de uma obsessão, embora de caráter diferente do das que conheceis. Aqui é uma obsessão coletiva, produzida por uma plêiade de Espíritos atrasados que, tendo conservado suas antigas opiniões políticas, vêm tentar perturbar os seus compatriotas, por meio dessas manifestações, a fim de que estes últimos, tomados de pavor, não ousem apoiar as idéias de civilização que começam a implantar-se nesses países onde o progresso começa a despontar. Os Espíritos obsessores que impelem essa pobre gente a tantas manifestações ridículas são os dos antigos malgaxes, furiosos, repito, por verem os habitantes dessas regiões admitindo as idéias de civilização, que alguns Espíritos adiantados, encarnados, têm a missão de implantar entre eles. Assim, muitas vezes os ouvis repetir: “Nada de preces, abaixo os brancos, etc.” É para vos fazer compreender que são antipáticos a tudo quanto possa vir dos europeus, isto é, do centro intelectual. Essas manifestações, dadas à vista de todo um povo, não são uma grande confirmação dos vossos princípios? São produzidas mais para a sanção dos vossos trabalhos do que para essa populaça semi-selvagem. As possessões de Morzine têm um caráter mais particular, ou, melhor dizendo, mais restrito. Podem estudar-se no local as fases de cada Espírito. Observando os detalhes, cada individualidade oferece um estudo especial, ao passo que as manifestações de Madagáscar têm a espontaneidade e o caráter nacional. É toda uma população de antigos Espíritos atrasados, que vêem com despeito sua pátria sofrer a influência do progresso. Não tendo progredido, eles próprios buscam entravar a marcha da Providência. Comparativamente, os Espíritos de Morzine são mais adiantados. Conquanto brutos, julgam mais sensatamente que os malgaxes; discernem o bem do mal, pois sabem reconhecer que a forma da prece nada é, mas que o pensamento é tudo. Aliás, mais tarde vereis, pelos estudos que fizerdes, que eles não são assim tão atrasados quanto parecem à primeira vista. Aqui é para mostrar que a Ciência é impotente para curar esses casos por meios materiais; ali é para atrair a atenção e confirmar o princípio. Um Espírito protetor
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