Livros Espíritas
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Em suma, as imposturas foram quase sempre desmascaradas e muitos fenômenos jamais foram imitados, pela simples razão de que escapam a toda imitação. Os fenômenos espíritas têm sido observados, verificados, inspecionados por sábios cépticos, que passaram por todos os graus da incredulidade e cuja convicção não se formou senão pouco a pouco, sob a pressão dos fatos. Esses sábios eram homens de laboratório, físicos e químicos experimentados, médicos e magistrados. Possuíam todos os requisitos necessários, toda a competência para desmascarar as mais hábeis fraudes, para frustrar as mais bem urdidas tramas. Seus nomes pertencem ao número dos que são para toda a Humanidade objeto de respeito e veneração. Ao lado desses homens ilustres, todos os que se têm entregado a um estudo paciente, consciencioso e perseverante desses fenômenos, vêm afirmar a sua realidade; ao passo que a crítica e a negação emanam de pessoas cujo pronunciamento, baseado em insuficientes noções, só pode ser superficial. Aconteceu a alguns deles o que muitas vezes acontece aos observadores inconstantes. Não obtiveram mais que medíocres resultados, às vezes mesmo negativos, e se tornaram mais cépticos que dantes. Não quiseram tomar em consideração uma coisa essencial: que o fenômeno espírita é regido por leis, submetido a condições que importa conhecer e observar.(cxiii) Sua paciência cansou muito depressa. As provas que exigem não se obtêm em poucos dias. W Crookes, Russell Wallace, Zõllner, Aksakof, Dale Owen, Robert Hare, Myers, Lombroso, Oliver Lodge e outros muitos sábios estudaram a questão longos anos. Não se contentaram com assistir a algumas sessões mais ou menos bem dirigidas e em que bons médiuns funcionassem. Deram-se, eles próprios, ao trabalho de investigar os fatos, de os acumular e analisar; penetraram até ao fundo das coisas. Por isso, foi a sua perseverança coroada de êxito e o seu método de investigação pode ser oferecido como exemplo a todo pesquisador severo. Entre as teorias lançadas à circulação para explicar os fenômenos espíritas, a da alucinação ocupa sempre o maior lugar. Perdeu, entretanto, toda a razão de ser, à vista das fotografias de Espíritos obtidas por Aksakof, Crookes, Volpi, Ochorowicz, W Stead e tantos outros. Não se fotografam alucinações. Os invisíveis não somente impressionaram as placas fotográficas, como também instrumentos de precisão, como os aparelhos Marey;(cxiv) levantam objetos materiais e os decompõem e recompõem; deixam impressões na parafina derretida. Estão aí outras tantas provas contra a teoria da alucinação, quer individual, quer coletiva. Certos críticos acusam os fenômenos espíritas de vulgaridade, grosseria, trivialidade; consideram-nos ridículos. Essas apreciações provam incompetência. As manifestações não podem ser diferentes do que teriam sido, provindas do mesmo Espírito, quando na Terra. A morte não nos muda e nós somos, na outra vida, exclusivamente o que nós fizemos aqui na Terra. Daí a inferioridade de tantos seres desencarnados. Por outro lado, essas manifestações grosseiras e triviais têm sua utilidade, porque é o que melhor nos revela a identidade do Espírito. Elas têm convencido inúmeros experimentadores da realidade da sobrevivência; pouco a pouco os levaram a observar, a estudar fenômenos de ordem mais elevada. Porque, como vimos, os fatos se encadeiam e ligam em ordem gradual, em virtude de um plano que parece indicar a ação de um poder, de uma vontade superior, que procura arrancar a Humanidade à sua indiferença e impeli-la para o estudo e a investigação dos seus destinos. Os fenômenos físicos, mesas falantes, casas mal-assombradas, eram necessários para atrair a atenção dos homens, mas nisso é necessário apenas ver meios preliminares, um encaminhamento para mais elevados domínios do conhecimento. Por muito tempo foi o Espiritismo considerado coisa ridícula: por muito tempo foram os espíritas achincalhados, escarnecidos, acusados de loucura. Mas, em todos os que se fizeram portadores de uma idéia, de uma força, de uma verdade nova, não aconteceu a mesma coisa? Louco! disseram de Galileu; loucos Giordano Bruno, Galvani, Watt, Palissy, Salomão de Caus! A senda do progresso é, muitas vezes, ingrata aos inovadores. Tem sido regada por muitas lágrimas e por muito sangue. Aqueles, cujos nomes acabamos de citar, tiveram de abrir caminho através da conspiração dos interesses. Eram desprezados por uns, detestados e perseguidos por outros. Lutaram e sofreram; comparativamente com eles, os que são hoje apenas ridiculizados devem considerar sumamente benigna a sua sorte. Foi inspirando-se nesses grandes exemplos que os espíritas aprenderam a suportar com paciência os sofrimentos. Uma coisa os tem consolado de todos os sarcasmos: é a certeza de que também são portadores de um benefício, de uma força, de uma luz à Humanidade. Em cada século a Humanidade retifica suas apreciações. O que parecia grande torna-se pequeno, o que se figurava pequeno se agiganta. Hoje mesmo, já se começa a compreender que o Espiritismo é um dos mais consideráveis acontecimentos dos modernos tempos, uma das mais notáveis formas da evolução do pensamento, o germe de uma das maiores revoluções morais que o mundo terá, porventura, conhecido. Quaisquer que sejam os motejos de que é objeto, é preciso reconhecer que ao Espiritismo é que a nova ciência psíquica deve o nascimento, porque sem ele, sem o impulso que lhe deu, todas as descobertas que se vinculam a essa ciência não teriam surgido. No que concerne ao estudo das manifestações dos Espíritos, sentem-se os espíritas em muito boa companhia. Os nomes ilustres de Russell Wallace, de Crookes, Robert Hare, Mapes, Zõllner, Aksakof, Butlerof, Wagner, Flammarion, Myers, Lombroso, têm sido repetidamente citados. Vêem-se também sábios como os professores Barrett, Hyslop, Morselli, Bottazzi, William James, da Universidade de Harvard, Lodge, reitor da Universidade de Birmingham, o professor Richet, o coronel de Rochas, etc., que não consideram indignos deles tais estudos. Que pensar, depois disso, das acusações de ridículo e loucura? Que provam elas senão esta coisa contestadora: que o império da rotina subsiste em certos meios? O homem se inclina, muitíssimas vezes, a julgar os fatos no limite do acanhado horizonte dos seus preconceitos e dos seus conhecimentos. É preciso elevar mais alto, projetar mais longe o olhar e medir a sua fraqueza em face do Universo. Assim se aprenderá a ser modesto, a nada rejeitar nem condenar sem prévio exame. Tem-se procurado explicar todos os fenômenos do Espiritismo pela sugestão e pela dupla personalidade. Nas experiências, dizem, o médium se sugestiona a si mesmo, ou, ainda, padece a influência dos assistentes. A sugestão mental, que outra coisa não é senão a transmissão do pensamento, não obstante as dificuldades que apresenta, pode compreender-se e estabelecer-se entre dois cérebros organizados, por exemplo entre o magnetizador e o sensitivo. Pode-se, porém, acreditar que a sugestão opere sobre mesas? Pode-se admitir que objetos inanimados sejam aptos a receber e reproduzir as impressões dos assistentes? Com essa teoria não se poderiam explicar os casos de identidade, as revelações de fatos, de datas, ignorados do médium e dos circunstantes, as quais se produzem muitíssimas vezes nas experiências, tanto como as manifestações contrárias à vontade de todos os espectadores. Algumas vezes, particularidades absolutamente ignoradas de toda criatura na Terra têm sido reveladas por médiuns e depois averiguadas e reconhecidas exatas. Disso há exemplos notáveis na obra de Aksakof, Animismo e Espiritismo e na de Russell Wallace, O Moderno Espiritualismo, assim como casos de mediunidade verificados em crianças de tenra idade, os quais, do mesmo modo que os precedentes, não poderiam ser explicados pela sugestão.(cxv) Segundo os Srs. Pierre Janet e Ferre(cxvi) – e aí está uma explicação de que freqüentemente se servem os adversários do Espiritismo – deve-se comparar um médium escrevente a um sensitivo hipnotizado, ao qual se sugere uma personalidade durante o sono, e que, ao despertar, tem perdido a lembrança dessa sugestão. O sensitivo escreve inconscientemente uma carta, uma narrativa referente a essa pessoa imaginária. Aí está, dizem, a origem de todas as comunicações espíritas. Todos os que possuem alguma experiência do Espiritismo sabem que essa explicação é inadmissível. Os médiuns, escrevendo de um modo automático, não são previamente mergulhados em sono hipnótico. É no estado de vigília, na plenitude de suas faculdades e do seu “eu” consciente que os médiuns escrevem, sob o impulso dos Espíritos. Nas experiências do Senhor Janet, há sempre um hipnotizador em ligação magnética com o sensitivo. Não é isso o que se dá nas sessões espíritas; nem o evocador, nem os assistentes atuam sobre o médium; este ignora absolutamente o caráter do Espírito que vai intervir. Muitas vezes mesmo, as perguntas são dirigidas aos Espíritos por incrédulos, mais dispostos a combater a manifestação do que a facilitá-la. O fenômeno da comunicação gráfica não consiste unicamente no caráter automático do escrito, mas, sobretudo, nas provas inteligentes, nas identidades que testifica. Ora, as experiências do Senhor Janet nada de semelhante fornecem, absolutamente. As comunicações sugeridas aos sensitivos hipnotizados são sempre de acabrunhadora banalidade, ao passo que as mensagens dos Espíritos contêm, muitas vezes, indicações, revelações que se relacionam com a vida presente e passada de seres que na Terra conhecemos, que foram nossos amigos ou parentes, particularidades ignoradas do médium e que revestem cunho de certeza que os distingue, absolutamente, das experiências de hipnotismo.
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Nota 1:
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(cxiii) Ver No Invisível, caps. IX e X.
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(cxiv) Ver Annales des Sciences Psychiques, agosto, setembro e novembro 1907 e fevereiro 1909.
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(cxv) Ver, na nota complementar nº 13, o caso do professor Hare.
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(cxvi) E Janet, O automatismo psicológico.
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