Livros Espíritas
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Os meios de se combater a obsessão variam de acordo com o caráter que ela reveste. Não existe realmente perigo para o médium que se ache bem convencido de lidar com um Espírito mentiroso, como ocorre na obsessão simples; esta, então, não passa para ele de fato desagradável. Mas, justamente porque lhe é desagradável, o Espírito tem uma razão a mais para obstinar-se em aborrecê-lo. Nesse caso, o médium deve fazer duas coisas essenciais: provar ao Espírito que não está iludido por ele e que não lhe será possível enganar; depois, cansar a sua paciência, mostrando-se mais paciente que ele. Quando o Espírito se convencer de que perde o tempo, acabará por se retirar, como fazem os importunos a quem não se dá atenção. Isto, porém, nem sempre basta e pode levar muito tempo, pois há Espíritos obstinados, para os quais meses e anos nada representam. Além disso, o médium deve apelar com fervor ao seu anjo bom, assim como aos Espíritos bons que lhe são simpáticos, pedindo-lhes que o assistam. Quanto ao Espírito obsessor, por muito mau que seja, deve ser tratado com severidade, mas, ao mesmo tempo, com benevolência e vencê-lo pelo bom comportamento, orando por ele. Se for realmente perverso, a princípio zombará desses meios; porém, moralizado com perseverança, acabará por emendar-se. É uma conversão a empreender, tarefa muitas vezes penosa, ingrata, desagradável mesmo, mas cujo mérito está na dificuldade que oferece e que, se bem realizada, dá sempre a satisfação de se ter cumprido um dever de caridade e, quase sempre, a de se haver reconduzido ao bom caminho uma alma transviada. Convém igualmente interromper toda comunicação escrita, tão logo se reconheça que procede de um Espírito mau, providência que ele quase nunca aceita, a fim de não lhe darmos o prazer de ser ouvido. Em certos casos, pode mesmo ser conveniente que o médium deixe de escrever por algum tempo, regulando-se então pelas circunstâncias. Entretanto, se o médium escrevente pode evitar essas entrevistas, abstendo-se de escrever, outro tanto já não se dá com o médium audiente, que o Espírito obsessor persegue às vezes a todo instante com as suas proposições grosseiras e obscenas, e que nem mesmo dispõe do recurso de tapar os ouvidos. Aliás, deve-se reconhecer que algumas pessoas se divertem com a linguagem trivial dessa espécie de Espíritos, animando-os e provocando-os ao rirem de suas tolices, em vez de lhes imporem silêncio e de os moralizarem. Os nossos conselhos não podem aplicar-se a esses que desejam afogar-se.
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(⁵⁶) N.T.: Este subtítulo não fazia parte da 2ᵃ edição francesa [1861] que serve de base para esta tradução. Consta, porém, no cabeçalho deste capítulo e no Sumário da obra, razão pela qual o inserimos nesta versão.
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