Livros Espíritas
Sugerir Edição de Documento
Editar documento
Título:
Autor:
Espiritos:
Capítulo:
Conteúdo:
20000
caracteres restantes
Os amigos espirituais que se responsabilizaram pela tarefa de nos orientar partilham conosco o sofrimento que experimentamos, procuram amenizar as dores físicas e morais com a sua presença ou com uma palavra de consolo e estímulo, mas, ainda que possam, não interferem para remover as dificuldades que ali foram postas precisamente pelo valor educativo que representam para o espírito em tarefas retificadoras. Sabem eles que nenhum sofrimento é gratuito. Não é, pois, indiferença ou insensibilidade, mas precisamente porque nos amam e estão ali para nos dar o apoio de que necessitamos, o que jamais inclui o ato de carregar para nós a cruz que nos cabe. Os médiuns costumam aprender logo a identificar seus vários amigos e guias espirituais por sinais ou vibrações específicas e características de cada um: a maneira de 'incorporar-se', de saudar, um gesto breve com as mãos, o tom de voz, um sotaque especial, certos maneirismos, enfim, perfeitamennte identificadores. Tão marcantes são essas características, apesar de sutis e quase imperceptíveis, que quando um espírito mistificador tenta imitá-las, procurando assumir a identidade alheia, pode ser, com relativa facilidade, desmascarado, se o grupo estiver atento e for bem orientado. Embora eu não tenha tido disso experiência pessoal, estou informado de que certas incorporações provocam no médium sensíveis alterações em batimentos cardíacos, temperatura, pressão arterial ou reações na bioquímica do sensitivo. Examinemos as diversas incorporações ocorridas com o médium John Tichnor, em Nova York. Conan Doyle observou que sua pulsação era de cem batimentos, quando controlado pelo espírito do coronel Lee; cento e dezoito, quando sob influência de Black Hawk (Gavião Negro); e oitenta e dois, em seu estado normal. Experiências sob melhor controle científico foram feitas, com resultados semelhantes, com a sra. Eillen Garret, em quem não apenas as pulsações eram consideravelmente alteradas, mas também pressão arterial, temperatura e reação a certas drogas. Sabemos, por outro lado, que espíritos desencarnados em decorrência de doenças graves costumam transmitir ao médium as sensações que experimentaram quando ainda na carne - dispnéia, taquicardia, dores, bem como cegueira, gaguez ou mudez (geralmente porque a língua lhes havia sido cortada, como tivemos oportunidade de testemunhar, mais de uma vez, em trabalhos práticos). Isto, porém, é uma observação de passagem, de vez que não é o caso com os guias de mais elevada condição evolutiva. Por mera curiosidade informativa, lembraremos os nomes de alguns controles e guias de médiuns conhecidos do passado. Os de Daniel Douglas Home jamais se identificaram nominalmente. Referiam-se a si mesmo como - "nós", e isso lhes bastava. Relutantemente, ao que eu saiba, identificaram-se alguns dos muitos espíritos que trabalhavam junto de Stainton Moses, revelando as personalidades que se ocultavam atrás dos pseudônimos com que assinavam as comunicações por meio das quais transmitiam seus ensinamentos: Imperator teria vivido como Malaquias, o profeta bíblico; Preceptor declarou ter sido Elias; Vates dizia ter vivido como Daniel; Theophilus, seria João Batista; Theosophus, São João Apóstolo; e, assim por diante. Entre os sábios e filósofos, identificaram-se Sólon, Platão, Aristóteles, Sêneca e outros, Rector dizia ter sido Hipólito; Prudens identificava-se como Plotino. A médium Rosemary, que produziu material mediúnico do maior interesse, era controlada por um espírito que preferiu ser chamado de Lady Nona e que fora, em tempos remotos, esposa de um faraó. O conhecido controle que se apresentava como John King identificou-se como Henry Owen Morgan, bucaneiro e pirata, Foi, na opinião do dr. Fodor, "o mais romântico controle espiritual" e tem uma longa e dramática atuação na história das experimentações mediúnicas do século dezenove. Kátia King, que se apresentava como sua filha, tornou-se mundialmente conhecida por causa das experiências de materialização realizadas pelo eminente cientista britânico William Crookes, em trabalho com a médium Florence Cook. Curioso aspecto da questão é a extraordinária riqueza de guias e controles que assumem identidades de índios americanos, a começar por Silver Birch, o conhecido amigo espiritual do jornalista Maurice Barbanell, o qual trabalhou regularmente creio que mais de quarenta anos consecutivos. É longa a lista de guias índios, especialmente de médiuns britânicos: North Star (sra. Leonard), Red Cloud (sra. Roberts), White Eagle (sra. Cook) White Feather (Sr. Sloan) e inúmeros outros. Ao que tudo indica, viveram entre os índios americanos entidades bastante experimentadas nas lides espirituais e que certamente traziam na memória integral uma respeitável bagagem de conhecimentos e até mesmo elevado grau de sabedoria. O assunto estaria a exigir um estudo mais aprofundado, tema para uma excelente tese de doutorado que nos proporcionasse uma visão mais clara dessa temática fascinante. Além dos índios, porém, é comum encontrarmos guias que se identificam melhor com vivências na China, na Arábia ou no Egito. O que importa, contudo, não é a identidade que o espírito escolhe para se apresentar ou para se ocultar, e, sim, a qualidade e o nível do trabalho que realiza junto do médium. Pelo menos nas manifestações que chegaram ao nosso conhecimento, o Espírito de Verdade recusou, sistematicamente, a identificar-se a Kardec, como se observa no diálogo constante de Obras póstumas, ocasião na qual o Codificador insistiu e reiterou sua solicitação, enquanto a entidade se manteve irredutível. Só ficamos sabendo, por lógica inferência, que se tratava do próprio Cristo, ante a bela mensagem que aparece assinada por Jesus, em O livro dos médiuns, capítulo XXXI e, posteriormente, reproduzida com ligeiras alterações, mas com idêntico conteúdo, em O evangelho segundo o espiritismo, cap. VI - O Cristo Consolador. Esse é, aliás, o texto em que a entidade exorta: "Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo." As demais mensagens incluídas nesse mesmo Capítulo VI, confirmam o autor delas como sendo o próprio Cristo: "Venho, como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel. .. ", etc. Espíritos que se apresentam como guias ou controles permanentes, mas se revelam autoritários, impacientes, sempre prontos a ditar ordens, impor rituais, vestimentas ou posturas exóticas, ou pregam doutrinas peculiares, precisam ser considerados com senso crítico severo e extrema cautela, para que o grupo não se envolva em dificuldades imprevisíveis e deixe de realizar tarefas proveitosas para as quais, porventura, estivesse programado. É muito conhecida, no Brasil, a atuação dos guias e controles que se identificam como índios, caboclos, pretos-velhos, vovós ou crianças, especialmente, mas não exclusivamente, na área da umbanda. É aspecto esse que considero, pessoalmente, com grande respeito mas, sobre o qual não me sinto preparado para discorrer, mesmo porque existe ampla literatura a respeito, de autoria de pessoas mais bem-informadas no assunto do que eu. É bom lembrar, ainda, que controles em geral, e não especificamente guias, nem sempre são entidades desencarnadas, o que quer dizer que podem ser espíritos que se acham encarnados. Embora sem condições de assumirem tarefas que exijam maior quota de presença e participação, podem, contudo, manifestar-se com alguma regularidade. O dr. Fodor lembra que quem primeiro chamou a atenção para esse aspecto foi Allan Kardec, simultaneamente com o juiz Edmonds, nos Estados Unidos. Cita o dr. Fodor um artigo do juiz sobre o assunto, na publicação Spiritual Tracts, de 24 de outubro de 1857. A manifestação ocorreu através de sua própria filha, Laura, que funcionava como médium. Edmonds conhecia a pessoa, mas não a via há cerca de quinze anos. Diz ele que a identificação foi perfeita, à vista de vários elementos de indiscutível autenticidade. O juiz concluiu, obviamente, que o seu amigo estava já desencarnado, mas verificou, mais tarde, que ele continuava muitíssimo bem 'vivo'; acrescenta ele que vários outros episódios, da mesma natureza, consolidaram sua convicção na realidade do fenômeno. Muitos outros casos aparecem narrados em livros como Seen and unseen, de E. K. Bates, Animismo e Espiritismo, de Aksakof. There is no death, de Florence Marryat, e tantos outros que o dr. Fodor cita na sua extensa pesquisa sobre esse aspecto particular da fenomenologia mediúnica. Não há, pois, como deixar de simpatizar com o desalento de Colin Wilson, quando se queixa da dificuldade de conceituar, definir e catalogar fenômenos psíquicos (humanos, em geral, diria eu). Aí está um fenômeno hibrido e complexo. Temos visto aqui, neste livro, que nem todas as manifestações resultam de puro exercício da faculdade mediúnica. Vimos espíritos que funcionam como médiuns de outros espíritos. Como podemos observar, há seres encarnados que se manifestam como espíritos, através de sensitivos encarnados. Como conceituar este último caso? O espírito encarnado que se desdobra para manifestar-se alhures está produzindo um fenômeno anímico de desdobramento e deslocamento espacial para ir ao encontro de um médium e, simultaneamente, um fenômeno mediúnico, pois funciona como entidade desencarnada que, muitas vezes, nem se identifica (ou sabe, conscientemente, que ali esteve). De outras vezes, o espírito encarnado atua através de seu próprio organismo, também como espírito, na plena posse de seu potencial, de sua experiência, de seus conhecimentos acumulados ao longo de muitas existências. Isto pode ocorrer quando fala em regressão da memória, desdobrado, quando escreve por psicografia anímica, por inspiração, ou desenha, pinta, etc..
Mais opções
TAG
Valor
Mensagem para o avaliador (caso precise explicar suas sugestões):
3000
caracteres restantes
Criado por (coloque telefone ou e-mail caso seja necessário entrar em contato):
Cancelar
Salvar
Aguarde um momento...
×
Deseja sair do sistema?
×
Confirma a operação?
×