Livros Espíritas
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Espiritos:
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Agora, se examinarmos esta ciência nas suas relações com o Espiritismo, teremos de combater várias induções errôneas que dela poderiam ser tiradas. Entre as relações fisiognomônicas, existe principalmente uma sobre a qual a imaginação muitas vezes se exerceu: é a semelhança de algumas pessoas com certos animais. Procuremos, então, buscar a causa. A semelhança física entre os parentes resulta da consangüinidade que transmite, de um a outro, partículas orgânicas semelhantes23, porque o corpo procede do corpo. Mas não poderia vir ao pensamento de ninguém supor que aquele que se parece com um gato, por exemplo, tenha nas veias o sangue de gato. Há, pois, uma outra causa. De início, pode ser fortuita e sem qualquer significação: é o caso mais comum. Todavia, além da semelhança física, nota-se por vezes uma certa analogia de inclinações. Isto poderia explicar-se pela mesma causa que modifica os traços da fisionomia. Se um Espírito ainda atrasado conserva alguns dos instintos do animal, seu caráter, como homem, terá esses traços, e as paixões que o agitam poderão dar a esses traços algo que lembre vagamente os do animal cujos instintos possui. Mas esses traços se apagam à medida que o Espírito se depura e o homem avança no caminho da perfeição. Aqui, portanto, seria o Espírito a imprimir sua marca na fisionomia; mas da similitude dos instintos seria absurdo concluir que o homem, que tem os do gato, possa ser a encarnação do Espírito de um gato. Longe de ensinar semelhante teoria, o Espiritismo sempre demonstrou o seu ridículo e a sua impossibilidade. É verdade que se nota uma gradação contínua na série animal; mas entre o animal e o homem há uma solução de continuidade. Ora, mesmo admitindo, o que é apenas um sistema, que o Espírito tenha passado por todos os graus da escala animal, antes de chegar ao homem, haveria sempre, de um ao outro, uma interrupção que não existiria se o Espírito do animal pudesse encarnar-se diretamente no corpo do homem. Se assim fosse, entre os Espíritos errantes haveria os de animais, como há Espíritos humanos, o que não acontece. Sem entrar no exame aprofundado desta questão, que discutiremos mais tarde, dizemos, conforme os Espíritos, que nisto estão de acordo com a observação dos fatos, que nenhum homem é a reencarnação do Espírito de um animal. Os instintos animais do homem decorrem da imperfeição de seu próprio Espírito, ainda não depurado e que, sob a influência da matéria, dá preponderância às necessidades físicas sobre as morais e sobre o senso moral, não ainda suficientemente desenvolvido. Sendo as mesmas as necessidades físicas no homem e no animal, necessariamente resulta que, até o senso moral estabelecer um contrapeso, pode haver entre eles uma certa analogia de instintos; mas aí se detém a paridade; o senso moral que não existe num, e que no outro germina e cresce incessantemente, estabelece entre eles a verdadeira linha de demarcação. Uma outra indução não menos errônea é tirada do princípio da pluralidade das existências. Da sua semelhança com certas personagens, algumas concluem que podem ter sido tais personagens. Ora, do que precede, é fácil demonstrar que aí existe apenas uma idéia quimérica. Como dissemos, as relações consangüíneas podem produzir uma similitude de formas, mas não é este aqui o caso, pois Esopo pode ter sido mais tarde um homem bonito e Sócrates um belo rapaz. Assim, quando não há filiação corporal, só haverá uma semelhança fortuita, porquanto não há nenhuma necessidade para o Espírito habitar corpos parecidos e, ao tomar um novo corpo, não traz nenhuma parcela do antigo. Entretanto, conforme o que dissemos acima, quanto ao caráter que as paixões podem imprimir aos traços, poder-se-ia pensar que, se um Espírito não progrediu sensivelmente e retorna com as mesmas inclinações, poderá trazer no rosto identidade de expressão. Isto é exato, mas seria no máximo um ar de família, e daí a uma semelhança real há muita distância. Aliás, este caso deve ser excepcional, pois é raro que o Espírito não venha em outra existência com disposições sensivelmente modificadas. Assim, dos sinais fisiognomônicos não se pode tirar absolutamente nenhum indício das existências anteriores. Só podemos encontrá-las no caráter moral, nas idéias instintivas e intuitivas, nas inclinações inatas, nas que não resultam da educação, assim como na natureza das expiações suportadas. E ainda isto só poderia indicar o gênero de existência, o caráter que se deveria ter, levando em conta o progresso, mas não a individualidade. (Vide O Livro dos Espíritos, números 216 e 217).
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(23) N. do T.: Kardec serviu-se das teorias científicas da época. Só em 1865 Mendel publicaria seus primeiros trabalhos de genética, enquanto a molécula de DNA, base da hereditariedade, nem sequer era sonhada.
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