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Espíritos
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O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Sanson  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
Quando a morte ceifa nas vossas famílias, arrebatando, sem restrições, os mais moços antes dos velhos, costumais dizer: Deus não é justo, pois sacrifica um que está forte e tem grande futuro e conserva os que já viveram longos anos, cheios de decepções; pois leva os que são úteis e deixa os que para nada mais servem; pois despedaça o coração de uma mãe, privando-a da inocente criatura que era toda a sua alegria. Humanos, é nesse ponto que precisais elevar-vos acima do terra a terra da vida, para compreenderdes que o bem, muitas vezes, está onde julgais ver o mal, a sábia previdência onde pensais divisar a cega fatalidade do destino. Por que haveis de avaliar a Justiça divina pela vossa? Podeis supor que o Senhor dos mundos se aplique, por mero capricho, a vos infligir penas cruéis? Nada se faz sem um fim inteligente e, seja o que for que aconteça, tudo tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos advêm, nelas encontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e os vossos miseráveis interesses se tornariam de tão secundária consideração, que os atiraríeis para o último plano. Crede-me, a morte é preferível, numa encarnação de vinte anos, a esses vergonhosos desregramentos que pungem famílias respeitáveis, dilaceram corações de mães e fazem que antes do tempo embranqueçam os cabelos dos pais. Frequentemente, a morte prematura é um grande benefício que Deus concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a perda. Não é vítima da fatalidade aquele que morre na flor dos anos; é que Deus julga não convir que ele permaneça por mais tempo na Terra. É uma horrenda desgraça, dizeis, ver cortado o fio de uma vida tão prenhe de esperanças! De que esperanças falais? Das da Terra, onde o liberto houvera podido brilhar, abrir caminho e enriquecer? Sempre essa visão estreita, incapaz de elevar-se acima da matéria. Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida, ao vosso parecer tão cheia de esperanças? Quem vos diz que ela não seria saturada de amarguras? Desdenhais então das esperanças da vida futura, ao ponto de lhe preferirdes as da vida efêmera que arrastais na Terra? Supondes então que mais vale uma posição elevada entre os homens, do que entre os Espíritos bem-aventurados? Em vez de vos queixardes, regozijai-vos quando praz a Deus retirar deste vale de misérias um de seus filhos. Não será egoístico desejardes que ele aí continuasse para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe naquele que carece de fé e que vê na morte uma separação eterna. Vós, espíritas, porém, sabeis que a alma vive melhor quando desembaraçada do seu invólucro corpóreo. Mães, sabei que vossos filhos bem-amados estão perto de vós; sim, estão muito perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos vos protegem, a lembrança que deles guardais os transporta de alegria, mas também as vossas dores desarrazoadas os afligem, porque denotam falta de fé e exprimem uma revolta contra a vontade de Deus. Vós que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações do vosso coração a chamar esses entes bem-amados e, se pedirdes a Deus que os abençoe, em vós sentireis fortes consolações, dessas que secam as lágrimas; sentireis aspirações grandiosas que vos mostrarão o porvir que o soberano Senhor prometeu. – Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris. (1863.)
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Nome do Capítulo Bem aventurados os aflitos
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Tema Perda de pessoas amadas. Mortes prematuras
Item 21
O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Sanson  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 11
Meus caros condiscípulos, os Espíritos aqui presentes vos dizem, por meu intermédio: “Amai muito, a fim de serdes amados.” É tão justo esse pensamento, que nele encontrareis tudo o que consola e abranda as penas de cada dia; ou melhor: pondo em prática esse sábio conselho, elevar-vos-eis de tal modo acima da matéria que vos espiritualizareis antes de deixardes o invólucro terrestre. Havendo os estudos espíritas desenvolvido em vós a compreensão do futuro, uma certeza tendes: a de caminhardes para Deus, vendo realizadas todas as promessas que correspondem às aspirações de vossa alma. Por isso, deveis elevar-vos bem alto para julgardes sem as constrições da matéria, e não condenardes o vosso próximo sem terdes dirigido a Deus o pensamento. Amar, no sentido profundo do termo, é o homem ser leal, probo, consciencioso, para fazer aos outros o que queira que estes lhe façam; é procurar em torno de si o sentido íntimo de todas as dores que acabrunham seus irmãos, para suavizá-las; é considerar como sua a grande família humana, porque essa família todos a encontrareis, dentro de certo período, em mundos mais adiantados; e os Espíritos que a compõem são, como vós, filhos de Deus, destinados a se elevarem ao infinito. Assim, não podeis recusar aos vossos irmãos o que Deus liberalmente vos outorgou, porquanto, de vosso lado, muito vos alegraria que vossos irmãos vos dessem aquilo de que necessitais. Para todos os sofrimentos, tende, pois, sempre uma palavra de esperança e de conforto, a fim de que sejais inteiramente amor e justiça. Crede que esta sábia exortação: “Amai bastante, para serdes amados”, abrirá caminho; revolucionária, ela segue sua rota, que é determinada, invariável. Mas já ganhastes muito, vós que me ouvis, pois que já sois infinitamente melhores do que éreis há cem anos. Mudastes tanto, em proveito vosso, que aceitais de boa mente, sobre a liberdade e a fraternidade, uma imensidade de ideias novas, que outrora rejeitaríeis. Ora, daqui a cem anos, sem dúvida aceitareis com a mesma facilidade as que ainda vos não puderam entrar no cérebro. Hoje, quando o movimento espírita há dado tão grande passo, vede com que rapidez as ideias de justiça e de renovação, constantes nos ditados espíritas, são aceitas pela parte mediana do mundo inteligente. É que essas ideias correspondem a tudo o que há de divino em vós. É que estais preparados por uma sementeira fecunda: a do século passado, que implantou no seio da sociedade terrena as grandes ideias de progresso. E, como tudo se encadeia sob a direção do Altíssimo, todas as lições recebidas e aceitas virão a encerrar-se na permuta universal do amor ao próximo. Por aí, os Espíritos encarnados, melhor apreciando e sentindo, se estenderão as mãos, de todos os confins do vosso planeta. Uns e outros reunir-se-ão, para se entenderem e amarem, para destruírem todas as injustiças, todas as causas de desinteligências entre os povos. Grande conceito de renovação pelo Espiritismo, tão bem exposto em O livro dos espíritos; tu produzirás o portentoso milagre do século vindouro, o da harmonização de todos os interesses materiais e espirituais dos homens, pela aplicação deste preceito bem compreendido: “Amai bastante, para serdes amados.” – Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de Paris. (1863.)
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Nome do Capítulo Amar próximo como a si mesmo
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Item A lei de amor
Item 10
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Sanson  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 2
Antigo membro da Sociedade Espírita de Paris, o Sr. Sanson faleceu a 21 de abril de 1862, depois de um ano de cruéis sofrimentos. Prevendo a morte, havia dirigido ao presidente da Sociedade uma carta com a seguinte passagem: “Caso minha alma se separe do corpo de um momento para outro, venho reiterar-vos um pedido que vos fiz há cerca de um ano, no sentido de evocardes o meu Espírito o mais breve possível e sempre que julgardes conveniente, a fim de poder, como membro bastante inútil da nossa Sociedade, prestar-lhe para alguma coisa depois de morto, esclarecendo fase por fase as circunstâncias decorrentes do que o vulgo chama morte, e que para nós outros, os espíritas, não passa de uma transformação, segundo os desígnios insondáveis de Deus, mas sempre útil ao fim que Ele se propõe. Além deste pedido, que é uma autorização para me honrardes com essa autópsia espiritual, talvez de pouca utilidade em razão do meu quase nulo adiantamento, e que a vossa sabedoria não consentirá ir além de um certo número de ensaios, ouso pedir pessoalmente a vós, bem como a todos os colegas, que supliquem ao Todo-Poderoso a assistência dos Espíritos bons, com os seus conselhos benevolentes, e a São Luís, nosso presidente espiritual, em particular, que me guie na escolha e sobre a época de uma nova encarnação, ideia que há muito tempo me preocupa. Temo confiar demais nas minhas forças espirituais, rogando a Deus, muito cedo e presunçosamente, um estado corpóreo no qual eu não possa justificar a Bondade divina, e que, em vez de servir ao meu adiantamento, prolongue a minha estação na Terra ou em qualquer outra parte, caso venha a fracassar.” Para satisfazer-lhe o desejo, evocando-o o mais breve possível após a morte, dirigimo-nos com alguns membros da Sociedade à câmara ­mortuária, onde, em presença do seu corpo, se passou o seguinte colóquio, uma hora antes do respectivo enterro. O nosso objetivo era duplo: íamos cumprir a última vontade do morto e observar, ainda uma vez, a situação de uma alma em momento tão imediato à morte, sem falar que se tratava de um homem eminentemente esclarecido, inteligente e profundamente convicto das verdades espíritas. Íamos, enfim, constatar a influência de tais crenças sobre o estado do Espírito, de modo a captarmos suas primeiras impressões. E não nos iludimos na expectativa, porquanto o Sr. Sanson descreveu com perfeita lucidez o instante da transição, vendo-se morrer e renascer, o que é uma circunstância pouco comum e só devida à elevação do seu Espírito.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos felizes
Tema Sanson
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Sanson  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 2
Evocação – Atendo ao vosso chamado para cumprir a minha promessa.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos felizes
Tema Sanson
Sub-Tema I (Câmara mortuária, 23 de abril de 1862.)
Item 1
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Sanson  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 2
Meu caro Sr. Sanson, cumprimos com satisfação o dever de vos evocar o mais cedo possível depois da vossa morte, como era do vosso desejo. – R. É uma graça especial que Deus me concede para que possa manifestar-me; agradeço a vossa boa vontade, mas estou fraco e trêmulo.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos felizes
Tema Sanson
Sub-Tema I (Câmara mortuária, 23 de abril de 1862.)
Item 2
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Sanson  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 2
Fostes tão sofredor que podemos, penso eu, perguntar como vos achais agora. Sentis ainda as vossas dores? Comparando a situação de hoje com a de dois dias atrás, que sensações experimentais? – R. A minha situação é bem afortunada, pois nada mais sinto das antigas dores. Acho-me regenerado, renovado, como se diz entre vós. A passagem da vida terrena para a dos Espíritos deixou-me a princípio num estado incompreensível, porque, algumas vezes, ficamos privados de lucidez por muitos dias. No entanto, antes de morrer, pedi a Deus para permitir-me falar aos que estimo, e Deus me ouviu.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos felizes
Tema Sanson
Sub-Tema I (Câmara mortuária, 23 de abril de 1862.)
Item 3
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Sanson  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 2
Ao fim de quanto tempo recobrastes a lucidez das ideias? – R. Ao fim de oito horas. Deus, repito, deu-me uma prova de sua bondade, julgando-me mais digno do que eu o merecia, de modo que não sei como lhe agradecer.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos felizes
Tema Sanson
Sub-Tema I (Câmara mortuária, 23 de abril de 1862.)
Item 4
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Sanson  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 2
Estais bem certo de não pertencerdes mais ao nosso mundo? Em caso afirmativo, como constatais a vossa situação? – R. Oh! certamente, eu não sou mais desse mundo, porém estarei sempre ao vosso lado para vos proteger e sustentar, a fim de pregardes a caridade e a abnegação, que foram os guias da minha vida. Depois, ensinarei a verdadeira fé, a fé espírita, que deve elevar a crença do bom e do justo; estou forte, bastante forte, transformado, em suma. Em mim não reconhecereis mais o velho enfermo que tudo devia esquecer, fugindo de todo prazer e alegria. Sou Espírito e a minha pátria é o Espaço, o meu futuro é Deus, que irradia na imensidade. Gostaria de falar a meus filhos, ensinar aquilo mesmo que sempre desdenharam acreditar.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos felizes
Tema Sanson
Sub-Tema I (Câmara mortuária, 23 de abril de 1862.)
Item 5
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Sanson  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 2
Que efeito vos causa a visão do vosso corpo aqui ao lado? – R. Meu corpo! pobre e mísero despojo... deves voltar ao pó, enquanto eu guardo a lembrança de todos os que me estimaram. Vejo essa pobre carne deformada, habitação do meu Espírito, provação de tantos anos! Obrigado, meu pobre corpo! depuraste o meu Espírito! O meu sofrimento, dez vezes bendito, deu-me um lugar bem merecido, visto que tão depressa posso comunicar-me convosco.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos felizes
Tema Sanson
Sub-Tema I (Câmara mortuária, 23 de abril de 1862.)
Item 6
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Sanson  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 2
Conservastes as ideias até o último instante? – R. Sim. O meu Espírito conservou as suas faculdades; embora não visse, eu pressentia. Toda a minha existência se desdobrou na memória e o meu último pensamento, a última prece, foi para que pudesse comunicar-me convosco, como o faço agora; em seguida pedi a Deus que vos protegesse, a fim de que o sonho da minha vida fosse realizado.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos felizes
Tema Sanson
Sub-Tema I (Câmara mortuária, 23 de abril de 1862.)
Item 7