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Espíritos
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O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Luís  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 21
Se vos disserem: “O Cristo está aqui”, não vades; ao contrário, tende-vos em guarda, porquanto numerosos serão os falsos profetas. Não vedes que as folhas da figueira começam a branquear; não vedes os seus múltiplos rebentos aguardando a época da floração; e não vos disse o Cristo: “Conhece-se a árvore pelo fruto?” Se, pois, são amargos os frutos, já sabeis que má é a árvore; se, porém, são doces e saudáveis, direis: “Nada que seja puro pode provir de fonte má.” É assim, meus irmãos, que deveis julgar; são as obras que deveis examinar. Se os que se dizem investidos de poder divino revelam sinais de uma missão de natureza elevada, isto é, se possuem no mais alto grau as virtudes cristãs e eternas: a caridade, o amor, a indulgência, a bondade que concilia os corações; se, em apoio das palavras, apresentam os atos, podereis então dizer: Estes são realmente enviados de Deus. Desconfiai, porém, das palavras melífluas, desconfiai dos escribas e dos fariseus que oram nas praças públicas, vestidos de longas túnicas. Desconfiai dos que pretendem ter o monopólio da verdade! Não, não, o Cristo não está entre esses, porquanto os que Ele envia para propagar a sua santa doutrina e regenerar o seu povo serão, acima de tudo, seguindo-lhe o exemplo, brandos e humildes de coração; os que hajam, com os exemplos e conselhos que prodigalizem, de salvar a Humanidade, que corre para a perdição e pervaga por caminhos tortuosos, serão essencialmente modestos e humildes. De tudo o que revele um átomo de orgulho, fugi, como de uma moléstia contagiosa, que corrompe tudo em que toca. Lembrai-vos de que cada criatura traz na fronte, mas principalmente nos atos, o cunho da sua grandeza ou da sua inferioridade. Ide, portanto, meus filhos bem-amados, caminhai sem tergiversações, sem pensamentos ocultos, na rota bendita que tomastes. Ide, ide sempre, sem temor; afastai, cuidadosamente, tudo o que vos possa entravar a marcha para o objetivo eterno. Viajores, só por pouco tempo mais estareis nas trevas e nas dores da provação, se abrirdes o vosso coração a essa suave doutrina que vos vem revelar as leis eternas e satisfazer a todas as aspirações de vossa alma acerca do desconhecido. Já podeis dar corpo a esses silfos ligeiros que vedes passar nos vossos sonhos e que, efêmeros, apenas vos encantavam o espírito, sem coisa alguma dizerem ao vosso coração. Agora, meus amados, a morte desapareceu, dando lugar ao anjo radioso que conheceis, o anjo do novo encontro e da reunião! Agora, vós que bem desempenhado haveis a tarefa que o Criador confia às suas criaturas, nada mais tendes de temer da sua justiça, pois Ele é pai e perdoa sempre aos filhos transviados que clamam por misericórdia. Continuai, portanto, avançai incessantemente. Seja vossa divisa a do progresso, do progresso contínuo em todas as coisas, até que, finalmente, chegueis ao termo feliz da jornada, onde vos esperam todos os que vos precederam. – Luís. (Bordeaux, 1861.)
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Nome do Capítulo Haverá falsos cristos e falsos profetas
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Tema Os falsos profetas
Item 8
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Luís  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
Havia sete ou oito meses que Luís G..., oficial sapateiro, namorava a jovem Victorine R..., pespontadeira de botinas, com a qual deveria casar-se em breve, já tendo mesmo ocorrido os proclamas do casamento. Estando as coisas neste pé, consideravam-se quase definitivamente ligados e, como medida de economia, o sapateiro vinha diariamente à casa da noiva para almoçar e jantar. Um dia, ao jantar, sobreveio uma controvérsia a propósito de uma futilidade qualquer e, obstinando-se os dois nas opiniões, foram as coisas a ponto de Luís abandonar a mesa, jurando não mais voltar à casa da noiva. Não obstante, no dia seguinte veio pedir perdão. Como se sabe, a noite é boa conselheira, mas a moça, prejulgando talvez pela cena da véspera o que poderia acontecer quando não mais tivesse tempo de remediar o mal, recusou-se à reconciliação, de modo que nem protestos, nem lágrimas, nem desesperos puderam demovê-la. Muitos dias ainda se passaram, esperando Luís que a sua amada fosse mais razoável, até que resolveu fazer uma última tentativa: — Chegando à casa da moça, bateu de forma a ser reconhecido, mas a porta permaneceu fechada; recusaram abrir-lha. Novas súplicas do repelido, novos protestos, nada foi capaz de tocar o coração da sua pretendida. “Adeus, pois, cruel!” — exclamou o pobre moço — “Adeus para sempre. Trata de procurar um marido que te ame tanto quanto eu.” Ao mesmo tempo a moça ouvia um gemido abafado e logo após o baque como que de um corpo escorregando pela porta. Pelo silêncio que se seguiu, a moça julgou que Luís se assentara à soleira da porta e prometeu a si mesma não sair enquanto ele ali se conservasse. Decorrido um quarto de hora um locatário, passando pela calçada e levando luz, soltou um grito de espanto e pediu socorro. Depressa acorre a vizinhança, e Victorine, abrindo então a porta, deu um grito de horror, ao reconhecer o noivo, pálido e inanimado, estendido sobre as lajes da calçada. Cada qual se apressou em socorrê-lo, mas logo se percebeu que tudo seria inútil, já que ele deixara de existir. O desgraçado moço enterrara uma faca na região do coração e a lâmina ficara-lhe cravada na ferida aberta, por onde o sangue se escoou. (Sociedade Espírita de Paris, agosto de 1858.)
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Suicidas
Tema Luís e a pespontadeira de botinas
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Luís  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
[Ao Espírito São Luís] – A moça, causadora involuntária da morte do amante, tem alguma responsabilidade por isso? – R. Sim, porque não o amava.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Suicidas
Tema Luís e a pespontadeira de botinas
Item 1
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Luís  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
Então, para prevenir a desgraça, deveria desposá-lo a despeito da repugnância que lhe causava? – R. Ela procurava uma ocasião para livrar-se dele, e assim fez no começo da união o que viria a fazer mais tarde.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Suicidas
Tema Luís e a pespontadeira de botinas
Item 2
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Luís  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
Neste caso, a sua responsabilidade decorre de haver alimentado sentimentos dos quais não participava e que resultaram no suicídio do rapaz? – R. Sim, exatamente.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Suicidas
Tema Luís e a pespontadeira de botinas
Item 3
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Luís  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
Mas então essa responsabilidade deve ser proporcional à falta, e não tão grande como se houvesse provocado o suicídio consciente e voluntariamente. – R. É evidente!
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Suicidas
Tema Luís e a pespontadeira de botinas
Item 4
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Luís  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
O suicídio de Luís encontra desculpa no desvario que lhe acarretou a obstinação de Victorine? – R. Sim, pois o suicídio oriundo do amor, é menos criminoso aos olhos de Deus do que o suicídio de quem procura libertar-se da vida por motivos de covardia. Ao Espírito Luís G..., evocado mais tarde, foram feitas as seguintes perguntas: 1. Que pensais da ação que praticastes? – R. Victorine era uma ingrata, e eu fiz mal em suicidar-me por sua causa, pois ela não o merecia. 2. Então ela não vos amava? – R. Não. A princípio iludia-se, mas a desavença que tivemos abriu-lhe os olhos, e ela até se deu por feliz achando um pretexto para se desembaraçar de mim. 3. E o vosso amor por ela era sincero? – R. Paixão somente, creia. Se o amor fosse puro eu me teria poupado de lhe causar um desgosto. 4. E se acaso ela adivinhasse a vossa intenção, persistiria na sua recusa? – R. Não sei; creio que não, porque ela não é má. Contudo, ainda assim não seria feliz, e foi melhor para ela que as coisas se passassem de tal forma. 5. Chegando-lhe à porta, já tínheis a intenção de vos matar, caso ela vos recusasse? – R. Não; eu não pensava nisso; não contava com a sua obstinação. Foi somente diante da teimosia dela que perdi a razão.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Suicidas
Tema Luís e a pespontadeira de botinas
Item 5
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Luís  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
Parece que não deplorais o suicídio senão pelo fato de Victorine não o merecer... É realmente o vosso único pesar? – R. Neste momento, sim; estou ainda perturbado; parece que ainda estou à sua porta e experimento uma sensação que não posso definir.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Suicidas
Tema Luís e a pespontadeira de botinas
Item 6
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Luís  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
Chegareis a compreendê-la mais tarde? – R. Sim, quando estiver livre desta perturbação. Fiz mal; deveria deixá-la em paz... Fui fraco e sofro as consequências da minha fraqueza. A paixão cega o homem a ponto de praticar loucuras; infelizmente, ele só o compreende tarde demais.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Suicidas
Tema Luís e a pespontadeira de botinas
Item 7
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Luís  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 5
Dizeis que tendes um desgosto... Qual é? – R. Fiz mal em abreviar a vida. Não deveria fazê-lo. Era preferível suportar tudo aquilo a morrer antes do tempo. Sou, portanto, infeliz; sofro; e é sempre ela que me faz sofrer. Parece-me estar sempre à sua porta; ingrata!... mas... não falemos nem pensemos mais nisso, que me incomoda bastante. Adeus. Ainda aí se vê a confirmação da justiça que preside à distribuição das penas, conforme o grau de responsabilidade dos culpados. Na circunstância presente, cabe à moça a maior responsabilidade, por haver entretido em Luís, por brincadeira, um amor que não sentia. Quanto ao rapaz, ele já é punido pelo sofrimento de que deu mostras, mas a sua pena é leve, porque apenas cedeu a um impulso irrefletido, em momento de exaltação, e não a fria premeditação dos suicidas que buscam escapar das provas da vida.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Suicidas
Tema Luís e a pespontadeira de botinas
Item 8