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Espíritos
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O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Lamennais  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 11
Acha-se em perigo de morte um homem; para o salvar tem um outro que expor a vida. Sabe-se, porém, que aquele é um malfeitor e que, se escapar, poderá cometer novos crimes. Deve, não obstante, o segundo arriscar-se para o salvar? Questão muito grave é esta e que naturalmente se pode apresentar ao espírito. Responderei, na conformidade do meu adiantamento moral, pois o de que se trata é de saber se se deve expor a vida, mesmo por um malfeitor. O devotamento é cego; socorre-se um inimigo; deve-se, portanto, socorrer o inimigo da sociedade, a um malfeitor, em suma. Julgais que será somente à morte que, em tal caso, se corre a arrancar o desgraçado? É, talvez, a toda a sua vida passada. Imaginai, com efeito, que, nos rápidos instantes que lhe arrebatam os derradeiros alentos de vida, o homem perdido volve ao seu passado, ou que, antes, este se ergue diante dele. A morte, quiçá, lhe chega cedo demais; a reencarnação poderá vir a ser-lhe terrível. Lançai-vos, então, ó homens; lançai-vos todos vós a quem a ciência espírita esclareceu; lançai-vos, arrancai-o à sua condenação e, talvez, esse homem, que teria morrido a blasfemar, se atirará nos vossos braços. Todavia, não tendes que indagar se o fará, ou não; socorrei-o, porquanto, salvando-o, obedeceis a essa voz do coração, que vos diz: “Podes salvá-lo, salva-o!” – Lamennais. (Paris, 1862.)
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Nome do Capítulo Amar próximo como a si mesmo
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Item Deve-se expor a vida por um malfeitor?
Item 15
Revista Espírita - Pelo espírito  Lamennais  através da codificação de Allan Kardec O Cristianismo
Médium – Sr. Didier Filho O que se deve observar no Espiritismo é a moral cristã. Desde séculos houve muitas religiões, diversos cismas e numerosas pretensas verdades. E tudo quanto foi erguido fora do Cristianismo caiu, porque o Espírito Santo não o animava. O Cristo resume o que a moral mais pura e mais divina ensina ao homem, no tocante a seus deveres, nesta vida e na outra. A Antigüidade, no que tem de mais sublime, é pobre diante dessa moral tão rica e tão fértil. A auréola de Platão empalidece ante a do Cristo e a taça de Sócrates é muito pequena perante o imenso cálice do Filho do Homem. És tu, ó Sesóstris! déspota do poderoso Egito, que te podes medir, do alto de tuas pirâmides colossais, com o Cristo numa manjedoura? És tu, Solon? És tu, Licurgo, cuja bárbara lei condenava as crianças malformadas, que vos podeis comparar Àquele que disse face a face com o orgulho: “Deixai vir a mim as criancinhas”? Sois vós, pontífices sagrados do piedoso Numa, cuja moral exigia a morte viva das vestais culpadas, que vos podeis comparar Àquele que disse à mulher adúltera: “Levanta-te, mulher, e não peques mais”? Não, não mais com esses mistérios tenebrosos que praticais, ó sacerdotes antigos! Não mais com esses mistérios cristãos que são a base desta religião sublime, que se chama Cristianismo. Diante dEle todos vos inclinais, legisladores e sacerdotes humanos; inclinai-vos, porquanto foi o próprio Deus quem falou pela boca desse ser privilegiado que se chama Cristo. Lamennais
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Mês Novembro
Ano 1860
Revista Espírita - Pelo espírito  Lamennais  através da codificação de Allan Kardec Os Inimigos do Progresso
Médium – Sr. R... Os inimigos do progresso, da luz e da verdade trabalham na sombra; preparam uma cruzada contra as nossas manifestações; não vos preocupeis com isso. Sois sustentados poderosamente; deixai que se agitem na sua impotência. Entretanto, por todos os meios de que dispondes, dedicai-vos a combater, a aniquilar a idéia da eternidade das penas, pensamento blasfemo contra a justiça e a bondade de Deus, a fonte mais fecunda da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiram as massas, desde que sua inteligência começou a se desenvolver. Prestes a se esclarecer, não obstante embrutecido bem depressa o Espírito compreendeu a monstruosa injustiça; sua razão a repele e, então, raramente deixa de confundir, no mesmo ostracismo, a pena que revolta e o Deus ao qual é atribuída. Daí os males sem-número que se abateram sobre vós, e para os quais viemos trazer o remédio. A tarefa que vos assinalamos vos será tanto mais fácil quanto as autoridades sobre as quais se apóiam os defensores desta crença têm, todas, se esquivado a um pronunciamento formal. Nem os Concílios, nem os Pais da Igreja resolveram essa grave questão. Se, conforme os próprios Evangelistas, e tomando ao pé da letra as palavras emblemáticas do Cristo, ele ameaçou os culpados com um fogo que não se extingue, um fogo eterno, nada há em suas palavras que prove haja condenado os culpados eternamente. Pobres ovelhas desgarradas, sabei ver o Bom Pastor que, longe de vos querer banir para sempre de sua presença, vem, ele mesmo, ao vosso encontro para vos reconduzir ao aprisco. Filhos pródigos, deixai o exílio voluntário; dirigi vossos passos para a casa paterna: o pai vos estende os braços e está sempre pronto para festejar o vosso retorno à família. Lamennais
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Mês Novembro
Ano 1860
Revista Espírita - Pelo espírito  Lamennais  através da codificação de Allan Kardec Pensamentos Avulsos
Ó homens! como sois soberbamente orgulhosos! Vossa pretensão é realmente cômica. Quereis tudo saber e vossa essência se opõe a esta faculdade de compreensão universal. Não chegareis a conhecer esta maravilhosa Natureza senão pelo trabalho perseverante; não tereis a alegria de aprofundar esses tesouros e de entrever o infinito de Deus, senão quando vos melhorardes pela caridade, fazendo todas as coisas do ponto de vista do bem para todos, e referindo esta faculdade do bem a Deus, que, na sua generosidade inigualável, vos recompensará além de toda expectativa. Massillon Como muitas vezes se diz, o homem é o joguete dos acontecimentos. De quais acontecimentos se quer falar? Qual seria sua causa, seu objetivo? Jamais se viu nisso o dedo de Deus. Esse pensamento vago e materialista, mãe da fatalidade, perdeu mais de um grande Espírito, mais de uma profunda inteligência. Sabeis o que disse Balzac: “Não há princípios; só há acontecimentos.” Isto é, segundo ele o homem não tem mais livre-arbítrio; a fatalidade apodera-se dele no berço e o conduz até o túmulo. Monstruosa invenção do Espírito humano, esse pensamento abate a liberdade, isto é, o progresso, a ascensão da alma humana, demonstração evidente da existência de Deus. O homem que se deixasse assim conduzir seria escravo de tudo: dos homens e de si mesmo! Ó homem! examina-te. Nasceste para a servidão? Não; nasceste para a liberdade. Lamennais
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Mês Novembro
Ano 1860
Revista Espírita - Pelo espírito  Lamennais  através da codificação de Allan Kardec Alegoria de Lázaro
Médium – Sr. Alfred Didier Cristo gostava de um homem chamado Lázaro. Quando soube de sua morte, grande foi a sua dor e se fez levar até o seu túmulo. A irmã de Lázaro suplicava ao Senhor, dizendo: “É possível restituirdes a vida a meu irmão? Ó vós, que o amáveis tanto, devolvei-lhe a vida!” Mundo do século dezenove, também estás morto. A fé, que é a vida dos povos, extingue-se dia-a-dia; em vão alguns crentes quiseram despertar-te de tua agonia. É muito tarde. Lázaro está morto; só Deus o pode salvar. Então o Cristo se fez conduzir ao túmulo. Levantaram a pedra do sepulcro: cercado de faixas, o cadáver se apresentou em todo o horror da morte. Cristo lançou um olhar para o céu, tomou a mão da irmã e, levantando a outra mão para o alto, exclamou: “Lázaro, levanta-te!” Apesar das faixas, a despeito do sudário, Lázaro despertou e se levantou. Ó mundo, tu pareces Lázaro; nada te pode devolver a vida. Teu materialismo, tuas torpezas, teu cepticismo são outras tantas faixas que envolvem o teu cadáver, e cheiras mal, porquanto há muito tempo estás morto. Quem te gritará como a Lázaro: Em nome de Deus, levanta-te? É o Cristo que obedece ao apelo do Espírito Santo. Século, a voz de Deus se fez ouvir! Estarás mais corrupto que Lázaro? Lamennais
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Mês Dezembro
Ano 1860
Revista Espírita - Pelo espírito  Lamennais  através da codificação de Allan Kardec A pintura e a música
(Sociedade Espírita de Paris – Médium: Sr. Alfred Didier) A arte foi definida cem mil vezes: é o belo, o verdadeiro, o bem. A música, que é um dos ramos da arte, pertence inteiramente ao domínio da sensação. Entendamo-nos e tratemos de não ser obscuro. A sensação se produz no homem quando ele compreende a arte de duas maneiras distintas, mas estreitamente ligadas; a sensação do pensamento que tem por conclusão a melancolia ou a filosofia, e, depois, a sensação que pertence por inteiro ao coração. A música, a meu ver, é a arte que vai mais diretamente ao coração. A sensação – havereis de compreender-me – está toda no coração; a pintura, a arquitetura, a escultura, a pintura antes de tudo, atingem muito mais a sensação cerebral. Numa palavra, a música vai do coração ao Espírito, a pintura do pensamento ao coração. A exaltação religiosa criou o órgão. Quando na Terra a poesia toca o órgão, os anjos do céu lhe respondem. Assim, a música séria, religiosa eleva a alma e os pensamentos. A música vulgar faz vibrar os nervos, nada mais. Eu bem gostaria de indicar algumas personalidades, mas não tenho esse direito: não estou mais na Terra. Amai o Réquiem de Mozart, que o matou. Não desejo, mais que os Espíritos, a vossa morte pela música, a morte viva, contudo; aí está o esquecimento de tudo quanto é terreno, pela elevação moral. Lamennais
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Mês Maio
Ano 1861
Revista Espírita - Pelo espírito  Lamennais  através da codificação de Allan Kardec Sobre o perispírito
Ditado espontâneo a propósito de uma discussão que acabava de ocorrer na Sociedade quanto à natureza do Espírito e do perispírito. Médium: Sr. A. Didier Segui com interesse a discussão que se estabeleceu agora mesmo e que vos pôs em tão grande embaraço. Sim; faltam às palavras cor e forma para expressarem o perispírito e sua verdadeira natureza. Mas há uma coisa certa: o que uns chamam perispírito não é senão o que outros chamam envoltório fluídico, material. Quando se discute semelhantes questões, não são as frases que devemos buscar, mas as palavras. Para me fazer compreender de maneira mais lógica, direi que esse fluido é a perfectibilidade dos sentidos e a extensão da visão e das idéias; refiro-me aqui aos Espíritos elevados. Quanto aos Espíritos inferiores, os fluidos terrestres são ainda completamente inerentes a eles; assim, como vedes, são matéria; daí os sofrimentos da fome, do frio, etc., sofrimentos que não podem alcançar os Espíritos superiores, considerando-se que os fluidos terrestres são depurados em torno do pensamento, isto é, da alma. Para seu progresso, a alma sempre tem necessidade de um agente; sem agente a alma nada é para vós ou, melhor dizendo, não pode ser concebida por vós. Para nós outros, Espíritos errantes, o perispírito é o agente pelo qual nos comunicamos convosco, seja indiretamente, por vosso corpo ou vosso perispírito, seja diretamente por vossa alma. Daí as infinitas gradações de médiuns e de comunicações. Agora resta o ponto de vista científico, isto é, a essência mesma do perispírito. Isto é uma outra questão. Primeiro compreendei moralmente; não resta mais que uma discussão sobre a natureza dos fluidos, o que é inexplicável no momento. A Ciência não conhece bastante, mas lá chegaremos se ela quiser marchar com o Espiritismo. Lamennais
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Mês Junho
Ano 1861
Revista Espírita - Pelo espírito  Lamennais  através da codificação de Allan Kardec A cruz
Em meio às revoluções humanas, em meio a todos os distúrbios, a todos as irrupções do pensamento, eleva-se uma cruz alta e simples, fixada num altar de pedra. Um jovenzinho esculpido na pedra tem nas mãos uma bandeirola, sobre a qual se lê esta palavra: Simplicitas. Filantropos, filósofos, deístas e poetas: vinde ler e contemplar essa palavra; é todo o Evangelho, toda a explicação do Cristianismo. Filantropos, não inventeis a filantropia: não existe senão a caridade; filósofos, não inventeis uma sabedoria: só há uma; deístas, não inventeis um Deus: só existe um; poetas, não perturbeis o coração do homem. Filantropos, quereis quebrar as cadeias materiais que mantêm cativa a Humanidade; filósofos, elevais Panteões; poetas, idealizais o fanatismo. Para trás! Sois deste mundo, e o Cristo disse: “Meu reino não é deste mundo.” Oh! sois por demais deste mundo de lama, para compreenderdes estas sublimes palavras; e se algum juiz bastante poderoso vos disser: “Sois filhos de Deus?” vossa vontade morreria no fundo da garganta e não podereis responder como o Cristo, em face da Humanidade: “Vós o dissestes.” – “Vós todos sois deuses”, disse o Cristo, quando a língua de fogo desce sobre as vossas cabeças e penetra os vossos corações; sois todos deuses, quando percorreis a Terra em nome da caridade; mas sois filhos do mundo quando contemplais os sofrimentos atuais da Humanidade e não pensais em seu futuro divino. Homem! que aquela palavra seja lida por teu coração e não por teus olhos de carne. O Cristo não erigiu um Panteão: ergueu uma cruz.
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Mês Fevereiro
Ano 1862
Revista Espírita - Pelo espírito  Lamennais  através da codificação de Allan Kardec Bem-aventurados os pobres de Espírito
As diversas ações meritórias do Espírito após a morte são principalmente as do coração, mais que as da inteligência. Bem-aventurados os pobres de espírito não quer apenas dizer bem-aventurados os imbecis, mas também os que, cumulados de dons intelectuais, não o empregaram para o mal, pois é uma arma muito poderosa para arrastar as massas. Entretanto, como dizia ultimamente Gérard de Nerval13, a inteligência desconhecida na Terra terá grande mérito perante Deus. Com efeito, o homem poderoso em inteligência, lutando contra todas as circunstâncias infelizes que o vêm assaltar, deve regozijar-se com estas palavras: “Os primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros”, o que não deve ser entendido unicamente na ordem material, mas, também, nas manifestações do Espírito e nas obras da inteligência humana. As qualidades do coração são meritórias, porque as circunstâncias que as podem impedir são muito pequenas, muito raras, muito fúteis. A caridade deve brilhar por toda parte, apesar de tudo, para todos, como o Sol brilha para todo o mundo. O homem pode impedir que a inteligência de seu próximo se manifeste, mas não dispõe de nenhum poder sobre o coração. As lutas contra a adversidade, as angústias da dor podem paralisar os impulsos do gênio, mas são incapazes de neutralizar os da caridade.
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Mês Fevereiro
Ano 1862
Revista Espírita - Pelo espírito  Lamennais  através da codificação de Allan Kardec A escravidão
Escravidão! Quando se pronuncia este nome, o coração sente frio, porque vê à sua frente o egoísmo e o orgulho. Quando um padre vos fala de escravidão, está se referindo à escravidão da alma, que avilta o Espírito do homem e o faz esquecer a sua consciência, isto é, sua liberdade. Oh! sim, esta escravidão da alma é horrível e diariamente excita a eloqüência de mais de um pregador. Mas a escravidão do hilota, a escravidão do negro, que se torna aos seus olhos? Diante desta questão o sacerdote mostra a cruz e diz: “Esperai!” Com efeito, para esses infelizes, é a consolação a oferecer, e ela lhes diz: “Quando o vosso corpo for dilacerado pelo chicote até a morte, não penseis mais na Terra; pensai no Céu.” Tocamos aqui uma dessas questões graves e terríveis que transtornam a alma humana e a precipitam na incerteza. Estará o negro à altura dos povos da Europa, e a prudência humana, ou, antes, a justiça humana deverá mostrar-lhe a emancipação como o meio mais seguro de alcançar o progresso da civilização? Nesta questão os filantropos apresentam o Evangelho e dizem: Jesus falou de escravos? Não; mas Jesus falou da resignação e disse estas sublimes palavras: “Meu reino não é deste mundo.” John Brown, quando contemplo o teu cadáver na forca, sinto-me tomado de profunda piedade e de apaixonada admiração; mas a razão, esta brutal razão que incessantemente nos faz buscar os porquês, leva-nos a nos perguntar a nós mesmos: “Que teríeis feito depois da vitória?” Allan Kardec
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Mês Fevereiro
Ano 1862