Pesquisar livro


3000 caracteres restantes


Incluir na busca Nome do campo de busca Peso do campo na busca
Título
Autor
Espíritos
Capítulo
Conteúdo
Nome da Tag
Valor da Tag
Notas
Encontrado 1 resultados para sua busca
O Céu e o Inferno - Pelo espírito  Ferdinand Bertin  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 4
Um médium do Havre evocou o Espírito de uma pessoa de suas relações, que respondeu: “Quero comunicar-me, mas não consigo vencer o obstáculo entre nós. Sou forçado a deixar que se aproximem estes infelizes e sofredores.” Logo depois, o médium transmite a seguinte comunicação espontânea: “Estou num terrível abismo! Ajudai-me... Oh! meu Deus! Quem me tirará desse abismo? Quem socorrerá com mãos piedosas o infeliz tragado pelas ondas? A noite é tão escura que tenho medo. Por toda parte o marulho das vagas, e nem uma palavra amiga que me console e ajude neste momento supremo. Entretanto, esta noite profunda é bem a morte com seus horrores, e eu não quero morrer!... Oh! meu Deus! Não é a morte futura, é a passada!... Estou separado para sempre dos que me são caros... Vejo o meu corpo, e o que há pouco sentia era apenas a lembrança da angustiosa separação... Tende piedade de mim, vós que conheceis o meu sofrimento; orai por mim, pois não quero mais sentir as lacerações da agonia, como tem acontecido desde a noite fatal!... É essa, no entanto, a punição, bem a pressinto... Orai, eu vos suplico!... Oh! o mar... o frio... vou ser tragado pelas ondas... Socorro! Tende piedade; não me repilais!... Nós nos salvaremos os dois sobre esta tábua!... Oh! afogo-me; as águas vão tragar-me, sem que aos parentes reste o consolo de me tornarem a ver... Mas não! Que vejo! Meu corpo a balançar-se pelas ondas... As preces de minha mãe serão ouvidas. Pobre mãe! Se pudesse imaginar o filho tão miserável como de fato o é, pediria mais; acredita, porém, que a causa da morte me santificou o passado e chora-me como mártir, e não como infeliz castigado!... Oh! vós que o sabeis, sereis implacáveis? Não; por certo intercedereis por mim. François Bertin⁷⁸ O médium desconhecia por completo esse nome, não lhe sugerindo nem mesmo uma vaga lembrança, pelo que supôs fosse de algum desditoso náufrago que se viesse manifestar espontaneamente a ele, como sucedia tantas vezes. Mais tarde soube que se tratava, de fato, do nome de uma das vítimas da grande catástrofe marítima ocorrida nessas paragens a 2 de dezembro de 1863. A comunicação fora dada a 8 do mesmo mês, seis dias, portanto, depois do sinistro. O indivíduo perecera fazendo tentativas extraordinárias para salvar a equipagem e no momento em que se julgava ao abrigo da morte. Não tendo qualquer parentesco com o médium, nem mesmo conhecimento, por que se teria manifestado a este em vez de o fazer a qualquer membro da família? É que os Espíritos não encontram em todas as pessoas as condições fluídicas imprescindíveis à manifestação. Este, na perturbação em que estava, nem mesmo tinha a liberdade de escolha, sendo conduzido por instinto e por atração para este médium, dotado, ao que parece, de aptidão especial para as comunicações deste gênero. Também é de supor que pressentisse uma simpatia particular, como outros a encontraram em idênticas circunstâncias. A família, estranha ao Espiritismo, talvez até mesmo hostil a esta crença, não teria acolhido a manifestação, como o fez esse médium. Embora a morte tivesse ocorrido há alguns dias, o Espírito experimentava ainda todas as suas angústias. Era evidente, portanto, que não tinha consciência da situação; acreditava-se vivo, lutando contra as ondas, mas ao mesmo tempo se referindo ao corpo como se dele estivesse separado; grita por socorro, diz que não quer morrer e fala logo após da causa da morte, reconhecendo nela um castigo. Toda essa incoerência denota a confusão das ideias, fato comum em quase todas as mortes violentas. Dois meses mais tarde, a 2 de fevereiro de 1864, o Espírito de novo se comunica espontaneamente pelo mesmo médium, ditando-lhe o que se segue: “A piedade que tivestes dos meus tão horríveis sofrimentos aliviou-me. Compreendo a esperança, entrevejo o perdão, mas só depois da reparação da falta cometida. Sofro continuamente e, se por alguns momentos Deus permite que eu entreveja o fim da minha desventura, devo-o às preces de almas caridosas apiedadas da minha situação. Oh! esperança, raio celeste, como és bendita quando te sinto despontar-me na alma!... Mas oh! o abismo se abre, o terror e o sofrimento absorvem o pensamento de misericórdia. A noite, sempre a noite!... a água, o bramir das ondas que me tragaram, não passam de pálida imagem do horror em que se envolve o meu pobre Espírito... Fico mais calmo quando posso permanecer junto de vós, pois assim como a confidência de um segredo ao peito amigo nos alivia, assim também a vossa piedade, motivada pela confidência da minha penúria, acalma o sofrimento e dá repouso ao meu Espírito... As vossas preces me fazem bem; não mas recuseis. Não quero cair nesse horrendo sonho que se transforma em realidade quando o vejo... Tomai o lápis com mais frequência. Faz-me tanto bem quando me comunico convosco!” Alguns dias depois, este Espírito foi evocado numa reunião espírita em Paris, sendo-lhe dirigidas as seguintes perguntas, por ele englobadas numa única comunicação e mediante outro médium, na forma abaixo: P. Quem vos levou a comunicar espontaneamente pelo outro médium? Há quanto tempo havíeis morrido quando vos manifestastes? P. Quando vos comunicastes parecíeis duvidar ainda do vosso estado, experimentando, ao mesmo tempo, todas as angústias de uma morte terrível. Tendes agora melhor compreensão dessa situação? P. Dissestes positivamente que a vossa morte era uma expiação. Podereis dizer-nos o motivo dessa afirmativa? Isso servirá de ensinamento para nós e de alívio para vós. Por uma confissão sincera atraireis a misericórdia de Deus, a qual solicitaremos em nossas preces. R. À primeira vista parece impossível que uma criatura possa sofrer tão cruelmente. Deus! Como é penoso se ver constantemente envolto nas vagas em fúria, provando sem cessar esse suplício, esse frio glacial que sobe ao estômago e constringe! Mas de que serve entreter-vos com tais coisas? Não devo começar por obedecer às leis da gratidão, agradecendo-vos a vós todos que vos interessastes pelos meus tormentos? Perguntastes se me manifestei muito tempo depois da morte? Não posso responder facilmente. Pensai e avaliai em que horrível situação estou ainda. Creio que fui trazido para junto do médium por força estranha à minha vontade e, coisa impossível, servia-me do seu braço com a mesma facilidade com que neste momento me sirvo do vosso, convicto de que ele me pertence. Agora experimento mesmo um grande prazer, como que um alívio particular que, oh! logo vai cessar. Mas meu Deus! terei forças para fazer a confissão que me cumpre? Contudo, depois de ser muito animado, o Espírito acrescentou: eu era muito culpado, e o que mais me tortura é ter sido considerado mártir, quando em verdade não o fui... Na precedente existência eu mandara ensacar várias vítimas ainda vivas e depois as atirei no mar. Orai por mim! Comentário de São Luís sobre esta comunicação – Esta confissão trará grande alívio ao Espírito, que realmente foi bem culpado! Honrosa, porém, foi a existência que acaba de deixar; era amado e estimado de seus chefes. Tudo isso era fruto do seu arrependimento e das boas resoluções que tomou antes de voltar à Terra, onde desejara ser humano, tanto quanto fora cruel no passado. O devotamento de que deu provas era uma reparação, sendo-lhe porém preciso resgatar as faltas passadas por uma expiação final: a da morte cruel que padeceu. Ele mesmo quis depurar-se pelo sofrimento das torturas que infligira a outrem; mas reparai que uma ideia o persegue: o pesar de ser tido como mártir. Essa humildade será levada em consideração. Enfim, ele deixou o caminho da expiação para entrar no da reabilitação. Podeis sustentá-lo com as vossas preces, levando-o a trilhar com passo mais firme e resoluto.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos sofredores
Tema Ferdinand Bertin