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Espíritos
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O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Espírito de Verdade  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 6
Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis.” Mas, ingratos, os homens afastaram-se do caminho reto e largo que conduz ao Reino de meu Pai e enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; quer que, ajudando-vos uns aos outros, mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, porquanto não existe a morte, vos socorrais mutuamente, e que se faça ouvir não mais a voz dos profetas e dos apóstolos, mas a dos que já não vivem na Terra, a clamar: Orai e crede! pois que a morte é a ressurreição, sendo a vida a prova buscada e durante a qual as virtudes que houverdes cultivado crescerão e se desenvolverão como o cedro. Homens fracos que compreendeis as trevas das vossas inteligências, não afasteis o facho que a clemência divina vos coloca nas mãos para vos clarear o caminho e reconduzir-vos, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai. Sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa fraqueza imensa, para deixar de estender mão socorredora aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai sobre as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio com a boa semente, as utopias com as verdades. Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo encontram-se todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram. Eis que do além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: “Irmãos! nada perece. Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade.” – O Espírito de Verdade. (Paris, 1860.)
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Nome do Capítulo O Cristo Consolador
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Tema Advento do Espírito de Verdade
Item 5
O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Espírito de Verdade  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 6
Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas. Obreiros, traçai o vosso sulco; recomeçai no dia seguinte o afanoso labor da véspera; o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e Eu, o Jardineiro divino, as cultivo no silêncio dos vossos pensamentos. Quando soar a hora do repouso, e a trama da vida se vos escapar das mãos e vossos olhos se fecharem para a luz, sentireis que surge em vós e germina a minha preciosa semente. Nada fica perdido no Reino de nosso Pai e os vossos suores e misérias formam o tesouro que vos tornará ricos nas esferas superiores, onde a luz substitui as trevas e onde o mais desnudo dentre todos vós será talvez o mais resplandecente. Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem-amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana. Assim como o vento varre a poeira, que também o sopro dos Espíritos dissipe os vossos despeitos contra os ricos do mundo, que são, não raro, muito miseráveis, porquanto se acham sujeitos a provas mais perigosas do que as vossas. Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. Bebei na fonte viva do amor e preparai-vos, cativos da vida, a lançar-vos um dia, livres e alegres, no seio daquele que vos criou fracos para vos tornar perfectíveis e que quer modeleis vós mesmos a vossa maleável argila, a fim de serdes os artífices da vossa imortalidade. – O Espírito de Verdade. (Paris, 1861.)
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Nome do Capítulo O Cristo Consolador
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Tema Advento do Espírito de Verdade
Item 6
O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Espírito de Verdade  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 6
Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos. Venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos, e sereis aliviados e consolados. Não busqueis alhures a força e a consolação, pois que o mundo é impotente para dá-las. Deus dirige um supremo apelo aos vossos corações, por meio do Espiritismo. Escutai-o. Extirpados sejam de vossas almas doloridas a impiedade, a mentira, o erro, a incredulidade. São monstros que sugam o vosso mais puro sangue e que vos abrem chagas quase sempre mortais. Que, no futuro, humildes e submissos ao Criador, pratiqueis a sua Lei divina. Amai e orai; sede dóceis aos Espíritos do Senhor; invocai-o do fundo de vossos corações. Ele, então, vos enviará o seu Filho bem-amado, para vos instruir e dizer estas boas palavras: “Eis-me aqui; venho até vós, porque me chamastes.” – O Espírito de Verdade. (Bordeaux, 1861.)
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Nome do Capítulo O Cristo Consolador
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Tema Advento do Espírito de Verdade
Item 7
O Evangelho segundo o Espiritismo - Pelo espírito  Espírito de Verdade  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 6
Deus consola os humildes e dá força aos aflitos que lha pedem. Seu poder cobre a Terra e, por toda a parte, junto de cada lágrima colocou Ele um bálsamo que consola. A abnegação e o devotamento são uma prece contínua e encerram um ensinamento profundo. A sabedoria humana reside nessas duas palavras. Possam todos os Espíritos sofredores compreender essa verdade, em vez de clamarem contra suas dores, contra os sofrimentos morais que neste mundo vos cabem em partilha. Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem. O sentimento do dever cumprido vos dará repouso ao espírito e resignação. O coração bate então melhor, a alma se asserena e o corpo se forra aos desfalecimentos, por isso que o corpo tanto menos forte se sente, quanto mais profundamente golpeado é o espírito. – O Espírito de Verdade. (Havre, 1863.)
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Nome do Capítulo O Cristo Consolador
Tema Instruções dos Espíritos
Sub-Tema Advento do Espírito de Verdade
Item 8
O Livro dos Médiuns - Pelo espírito  Espírito de Verdade  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 31
Todos os médiuns são, incontestavelmente, chamados a servir à causa do Espiritismo, na medida de suas faculdades, mas são poucos os que não se deixam prender nas armadilhas do amor-próprio. É uma pedra de toque, que raramente deixa de produzir efeito. Assim é que, de cem médiuns, encontrareis, no máximo, um que, por muito ínfimo que seja, não se tenha julgado, nos primeiros tempos da sua mediunidade, fadado a obter coisas superiores e predestinado a grandes missões. Os que sucumbem a essa vaidosa expectativa—e grande é o número deles — se tornam inevitavelmente presas de Espíritos obsessores, que não tardam a subjugá-los, lisonjeando-lhes o orgulho e apanhando-os pelo seu lado fraco. Quanto mais eles pretenderem elevar-se, tanto mais ridícula lhes será a queda, quando não desastrosa. As grandes missões só são confiadas aos homens de escol, e Deus mesmo os coloca, sem que eles o procurem, no meio e na posição em que possam prestar concurso eficaz. Nunca será demais recomendar aos médiuns inexperientes que desconfiem do que certos Espíritos podem dizer, com relação ao suposto papel que eles são chamados a desempenhar, porque, se o tomarem a sério, só colherão desapontamentos nesse mundo, e severo castigo no outro. Convençam-se bem de que, na esfera modesta e obscura onde se acham colocados, podem prestar grandes serviços, auxiliando a conversão dos incrédulos ou consolando os aflitos. Se daí tiverem de sair, serão conduzidos por mão invisível, que lhes preparará os caminhos, e serão postos em evidência, por assim dizer, mesmo sem se darem conta disso. Que se lembrem destas palavras: “Aquele que se exaltar será humilhado e o que se humilhar será exaltado”.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Dissertações espíritas
Tema Sobre os médiuns
Item 15
O Livro dos Médiuns - Pelo espírito  Espírito de Verdade  através da codificação de Allan Kardec Capítulo 31
NOTA – Das comunicações que se seguem, algumas foram dadas na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas ou em sua intenção. Outras, que nos foram transmitidas por diversos médiuns, encerram conselhos gerais sobre os grupos, sua formação e os obstáculos que podem encontrar.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo Dissertações espíritas
Tema Sobre as Sociedades Espíritas
Revista Espírita - Pelo espírito  Espírito de Verdade  através da codificação de Allan Kardec Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas
Sexta-feira, 30 de setembro de 1859 – Sessão geral. Leitura da Ata da sessão de 23 de setembro. Apresentação do Sr. S..., negociante, Cavaleiro da Legião de Honra, como membro titular. Adiamento da admissão para a próxima sessão particular. Comunicações diversas: 1o – Leitura de uma comunicação espontânea dada ao Sr. R... pelo Espírito Olivier. Essa comunicação é notável sob um duplo ponto de vista: o melhoramento moral do Espírito, que cada vez reconhece mais o erro de suas opiniões terrestres e agora compreende a sua posição; em segundo lugar, o fato de sua próxima reencarnação, cujos efeitos começa a sentir por um princípio de perturbação, confirma a teoria que foi dada sobre a maneira pela qual se opera esse fenômeno, bem como a fase que precede a reencarnação propriamente dita. Essa perturbação, resultado do laço fluídico que começa a se estabelecer entre o Espírito e o corpo que o primeiro deve animar, torna mais difícil a comunicação do que em seu estado de completa liberdade. O médium escreve com mais lentidão, sua mão está pesada, as idéias do Espírito são menos claras. Esta perturbação, que vai sempre aumentando, da concepção ao nascimento, é complexa ao aproximar-se este último momento e não se dissipa senão gradualmente, algum tempo depois. (Será publicada com as outras comunicações do mesmo Espírito.) 2o – História de manifestação física espontânea ocorrida ultimamente em Paris numa casa do subúrbio de Saint- Germain, e relatada pelo Sr. A... Um piano tocou sozinho durante vários dias seguidos sem que ninguém o manejasse. Todas as precauções foram tomadas para garantir que o fenômeno não era devido a nenhuma causa acidental. Interrogado a respeito, pensou um sacerdote que poderia tratar-se de uma alma penada, reclamando assistência e desejando comunicar-se. 3o – Assassinato cometido por uma criança de sete anos e meio, com premeditação e todas as circunstâncias agravantes. Narrado por vários jornais, prova o fato que nesse menino o instinto assassino inato não pôde ser desenvolvido nem pela educação, nem pelo meio no qual se encontra, só podendo explicar-se por um estado anterior à existência atual. Interrogado a respeito, São Luís respondeu: “O Espírito dessa criança está quase no início do período humano. Não tem mais que duas encarnações na Terra; antes de sua existência atual pertencia às populações mais atrasadas do mundo marítimo. Quis nascer num orbe mais avançado, na esperança de progredir.” À pergunta de saber se a educação poderia modificar aquela natureza, ele respondeu: “Isso é difícil, mas possível. Seria preciso tomar grandes precauções, cercá-lo de boas influências e desenvolver-lhe a razão, mas tememos que se faça justamente o contrário.” 4o – “Leitura de uma produção em versos, escrita por uma jovem que é dotada de mediunidade mecânica. Reconheceu-se que os versos não eram inéditos e haviam sido feitos por um poeta falecido há alguns anos. O estado de instrução do médium, que escreveu um grande número de poesias desse gênero, não permite supor que seja realmente um produto de sua memória, devendo-se concluir que o Espírito que se manifestou extraiu os versos das produções já feitas, e que são completamente estranhas à médium. Vários fatos análogos provam que isto é possível e, dentre outros, o de um dos médiuns da Sociedade a quem um Espírito ditou uma passagem escrita pelo Sr. Allan Kardec e que ele não havia ainda comunicado a ninguém. Estudos 1o – Evocação do negro que serviu de alimento a seus companheiros durante o naufrágio do navio Le Constant. 2o – Perguntas diversas e problemas morais dirigidos a São Luís sobre o fato precedente. Uma discussão estabeleceu-se a respeito, na qual tomaram parte vários membros da Sociedade. 3o – Três comunicações espontâneas foram obtidas simultaneamente, através de três médiuns diferentes: a primeira, pelo Sr. R..., assinada por São Vicente de Paulo; a segunda, pelo Sr. Ch..., assinada por Privat D’Anglemont e a terceira, pela Srta. H..., assinada por Carlos IX. 4o – Perguntas diversas dirigidas a Carlos IX. Ele promete escrever a história de seu reinado, a exemplo de Luís XI. (Estas diversas comunicações estão publicadas). Sexta-feira, 7 de outubro de 1859 – Sessão Particular. Leitura da ata e dos trabalhos da sessão do dia 30 de setembro. Apresentações e admissões – A Srta. S... e o Sr. conde de R..., oficial da marinha, são apresentados como aspirantes ao título de membros titulares. Admissão dos cinco candidatos apresentados na sessão de 23 de setembro e da Srta. S... O Sr. Presidente observou, a respeito dos novos membros apresentados, que é muito importante para a Sociedade assegurar-se das suas disposições. Não basta, disse ele, que sejam partidários do Espiritismo em geral; é necessário, também, que simpatizem com a sua maneira de ver. A homogeneidade dos princípios é condição sem a qual uma sociedade qualquer não poderá ter validade. Faz-se preciso conhecer a opinião dos candidatos, a fim de não serem introduzidos elementos de discussões ociosas, que acarretariam perda de tempo e poderiam degenerar em dissensões. A Sociedade não visa absolutamente ao aumento indefinido de seus membros; quer, acima de tudo, prosseguir seus trabalhos com calma e recolhimento, razão por que deve evitar tudo quanto possa perturbá-la. Sendo seu objetivo o estudo da ciência, é evidente que cada um é perfeitamente livre para discutir os pontos controversos e emitir sua opinião pessoal. Outra coisa, porém, é dar conselhos ou chegar com idéias sistemáticas e preconcebidas, em oposição às bases fundamentais. Reunimo-nos para o estudo e a observação, e não para fazer de nossas sessões uma arena de controvérsias. Devemos, aliás, reportar-nos aos conselhos que nos foram dados em muitas ocasiões pelos Espíritos que nos assistem, e que incessantemente nos recomendam a união como condição essencial para alcançar o objetivo a que nos propomos e obter o seu concurso. “A união faz a força”, dizem-nos eles. De outro modo correremos o risco de atrair os Espíritos levianos, que nos enganarão. É por isso que nunca dispensaríamos demasiada atenção aos elementos que introduzimos em nosso meio. Designação de três novos comissários para as três próximas sessões gerais. Comunicações diversas: 1o O Sr. Tug... transmite nota sobre um fato curioso de manifestação física, reportado pela Sra. Ida Pfeiffer no relato de sua viagem a Java. 2o O Sr. Pêch... refere-se a um fato pessoal de comunicação espontânea, da parte do Espírito de uma mulher que em vida era lavadeira de péssimo caráter. Como Espírito, seus sentimentos não mudaram, continuando a mostrar um cinismo verdadeiramente malévolo. Entretanto, os sábios conselhos do médium parecem exercer sobre ela uma salutar influência; suas idéias modificam-se sensivelmente. 3o O Sr. R... apresenta uma folha na qual obteve a escrita direta, produzida à noite, em sua casa, espontaneamente, depois de tê-la em vão solicitado durante o dia. A folha, aliás, não traz senão estas duas palavras: Deus, Fénelon. Estudos: 1o Evocação da Sra. Ida Pfeiffer, célebre viajante. 2o Os três cegos, parábola de São Lucas, dada em comunicação espontânea. 3o O Sr. L. G. escreve de São Petersburgo, dizendo que é médium intuitivo e pedindo à Sociedade o especial obséquio de obter de um Espírito superior alguns conselhos a seu respeito, a fim esclarecê-lo sobre a natureza e a extensão de sua faculdade, para que possa dirigir-se de acordo com eles. Um Espírito dá espontaneamente e sem perguntas prévias os conselhos que serão transmitidos ao Sr. G. Atendendo a pedidos de vários membros que moram muito longe, o Sr. Presidente informa à Sociedade que, doravante, as sessões começarão às oito horas, a fim de poderem terminar mais cedo. (Sexta-feira, 14 de outubro – Sessão geral) Leitura da Ata e dos trabalhos da sessão de 7 de outubro. Apresentações: O Sr. A..., livreiro e o Sr. de la R..., proprietário, são apresentados como membros titulares. Adiamento para a próxima sessão particular. O Sr. J..., fiscal de contribuições do Departamento do Alto-Reno, é apresentado e admitido como membro correspondente. Comunicações diversas: 1o O Sr. Col... comunica um extrato da obra intitulada Céu e Terra, do Sr. Jean Raynaud, onde o autor emite idéias inteiramente de acordo com a Doutrina Espírita e com o que ultimamente disse um Espírito sobre o futuro papel da França. 2o O Sr. conde de R... dá informações sobre uma comunicação espontânea de Savonarola, monge dominicano, obtida numa sessão particular. Essa comunicação é notável porque a personagem, embora desconhecida dos assistentes, indicou com precisão a data de sua morte, ocorrida em 1498, sua idade e seu suplício. Pensa-se que a evocação desse Espírito poderá ser instrutiva. 3o Explicação dada por um Espírito sobre o papel dos médiuns, ao Sr. P..., antigo reitor da Academia, ele próprio médium.
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Mês Dezembro
Ano 1859
Revista Espírita - Pelo espírito  Espírito de Verdade  através da codificação de Allan Kardec Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas
Para se comunicarem entre si, os Espíritos não necessitam da palavra: basta-lhes o pensamento. Quando querem comunicar-se com os homens, devem traduzir seu pensamento em sinais humanos, isto é, em palavras. Tiram essas palavras do vocabulário do médium de que se servem, de certo modo como de um dicionário. Eis por que é mais fácil ao Espírito exprimir-se na linguagem familiar do médium, embora possa igualmente fazê-lo numa língua que este não conheça. Neste último caso o trabalho é mais difícil, razão pela qual o evita quando não há necessidade. O Sr. P... encontra nessa teoria a explicação de vários fatos que lhe são pessoais, relativos a comunicações que lhe foram dadas em latim e em grego por diversos Espíritos. 4o Fato relatado pelo mesmo, de um Espírito que assistiu ao enterro de seu próprio corpo e que, não se julgando morto, pensava que o enterro não lhe dissesse respeito. Dizia ele: Não fui eu quem morreu. Depois, quando viu os parentes, acrescentou: Começo a pensar que talvez tendes razão, e que é bem possível que eu não seja mais deste mundo; mas isso me é indiferente. 5o O Sr. S... comunica um fato notável de aviso de além-túmulo, relatado pelo jornal Patrie, de 16 de dezembro de 1858. 6o Carta do Sr. Bl... de La... que, baseando-se em artigo da Revista sobre o fenômeno do desprendimento da alma durante o sono, pergunta se a Sociedade poderia evocá-lo um dia, juntamente com sua filha, morta há dois anos, a fim de, como Espírito, ter com ela uma conversa que ainda não conseguiu como médium. Estudos: 1o Evocação de Savonarola, proposta pelo Sr. Conde de R... 2o Evocação simultânea, através de dois médiuns diferentes, do Sr. Bl... de La... (vivo) e de sua filha morta há dois anos. Conversa do pai com a filha. 3o Duas comunicações espontâneas são obtidas simultaneamente: a primeira, de São Luís, pelo Sr. L...; a segunda, da Srta. Clary, por seu irmão. (Sexta-feira, 21 de outubro de 1859 – Sessão particular) Leitura da ata e dos trabalhos da sessão de 14 de outubro. Apresentações e admissões – O Sr. Lem..., negociante, e o Sr. Pâq..., doutor em direito, foram apresentados como membros titulares. A Srta. H... foi apresentada como membro honorário, em razão do concurso dado à Sociedade como médium, e que promete ainda dar para o futuro. Admissão de dois candidatos apresentados na sessão de 14 de outubro e da Srta. H... O Sr. S... propõe que no futuro as pessoas que desejarem participar da Sociedade deverão fazer o pedido por escrito e que lhes seja enviado um exemplar do regulamento. Leitura de uma carta do Sr. Th..., fazendo proposição análoga, motivada pela necessidade de somente admitir na Sociedade as pessoas já iniciadas no objetivo de seus trabalhos e professando os mesmos princípios. Pensa que um pedido feito por escrito, abonado pela assinatura de dois apresentadores, é uma garantia a mais das sérias intenções do candidato, do que um simples pedido verbal. Esta proposição foi adotada por unanimidade nos seguintes termos: Toda pessoa que desejar participar da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas deverá fazer o pedido por escrito ao Presidente. Esse pedido deverá ser assinado por dois apresentadores e relatar: 1o que o postulante tomou conhecimento do regulamento e se compromete a observá-lo; 2o as obras lidas sobre o Espiritismo e sua adesão aos princípios da Sociedade, que são os de O Livro dos Espíritos. O Sr. Presidente assinala a conduta pouco conveniente de dois ouvintes admitidos na última sessão geral, os quais, por sua conversação e por palavras despropositadas, perturbaram a tranqüilidade dos vizinhos. A respeito, lembra os artigos do regulamento concernentes aos ouvintes e convida novamente os senhores membros da Sociedade a terem maior reserva na escolha das pessoas a quem dão cartões de ingresso e, sobretudo, que se abstenham, de modo absoluto, de oferecer tais cartões a quantos forem atraídos às reuniões unicamente por motivo de curiosidade, bem como aos que, não possuindo nenhuma noção prévia do Espiritismo, por isso mesmo estejam impossibilitados de compreender o que se faz na Sociedade. Suas sessões não são um espetáculo; devem ser assistidas com recolhimento. Aqueles que só buscam distrações não devem vir procurá-las numa reunião séria. Propõe o Sr. Th... a nomeação de uma comissão de dois membros, encarregados de examinar a questão das entradas concedidas às pessoas estranhas e sugerir as medidas necessárias à prevenção dos abusos. Os Srs. Th... e Col... são designados para fazerem parte da aludida comissão. Estudos: 1o Problemas morais e questões diversas dirigidas a São Luís. 2o O Sr. de R... propõe a evocação de seu pai, por considerações de utilidade geral e não pessoais, presumindo que disso possam resultar ensinamentos. Interrogado sobre a possibilidade de tal evocação, responde São Luís: Podereis fazê-lo perfeitamente. Entretanto eu vos lembraria, meus amigos, de que essa evocação requer uma grande tranqüilidade de espírito. Esta noite discutistes longamente assuntos administrativos; creio que seria bom adiá-la para outra sessão, tendo em vista que poderá ser muito instrutiva. 3o O Sr. Leid... propõe a evocação de um de seus amigos que foi sacerdote. Interrogado, São Luís responde: Não; primeiro, porque o tempo não vo-lo permite; depois, como Presidente espiritual32 da Sociedade, não vejo nenhum motivo de instrução. Será preferível fazer essa evocação na intimidade. O Sr. S... pede que seja mencionado na ata o título de Presidente espiritual, que São Luís houve por bem tomar. Sexta-feira, 28 de outubro de 1859 – Sessão geral. Leitura da Ata e dos trabalhos da sessão de 21 de outubro. Apresentação de cinco novos candidatos como membros titulares, a saber: Sr. N..., negociante, de Paris; Sra. Émile N..., esposa do precedente; Sra. Viúva G..., de Paris; Srta. de P..., de Estocolmo; Sra. de L..., de Estocolmo. Leitura dos artigos do regulamento relativos aos ouvintes, e de uma notícia para instrução das pessoas estranhas à Sociedade, a fim de não se equivocarem quanto ao objetivo de seus trabalhos. Comunicações: 1o Leitura de um artigo sobre o mundo dos Espíritos, do Sr. Oscar Comettant, publicada no Siècle de 27 de outubro. Refutações de determinadas passagens desse artigo. 2o Leitura de um artigo de um novo jornal intitulado Girouette, publicado em Saint-Étienne. O artigo é benevolente com o Espiritismo. 3o Oferta de quatro poemas do Sr. de Porry, de Marselha, autor de Urânia, do qual foram lidos alguns fragmentos; são eles: La captive chrétienne, les bohémiens, Poltawa, Le prisonnier du Caucase. Enviaremos agradecimentos ao Sr. de Porry e as obras supracitadas serão depositadas na biblioteca da Sociedade. 4o Leitura de uma carta do Sr. Det..., membro titular, contendo diversas observações sobre o papel dos médiuns, a propósito da teoria exposta na sessão de 14 de outubro, segundo a qual o Espírito retiraria suas palavras do vocabulário do médium. Ele combate essa teoria, pelo menos do ponto de vista absoluto, por fatos que a vêm contradizer. Pede que a questão seja seriamente examinada. Entrará novamente na ordem do dia. 5o Leitura de um artigo da Revue française do mês de abril de 1858, pág. 416, onde é relatada uma conversa de Béranger, da qual resulta que em vida suas opiniões eram favoráveis às idéias espíritas. 6o O Sr. Presidente transmite à Sociedade as despedidas da Sra. Br..., membro titular, que partira para Havana. Estudos: 1o Propõe a evocação da Sra. Br..., que partiu para Havana, e que no momento se encontra no mar, a fim de obter as suas próprias notícias. Interrogado a respeito, São Luís responde: Seu Espírito está muito preocupado esta noite, porque o vento sopra com violência (era na ocasião das grandes tempestades assinaladas pelos jornais) e o instinto de conservação ocupa todo o seu pensamento. No momento o perigo não é grande; mas quem garante que não se tornará? Só Deus o sabe. 2o Evocação do pai do Sr. de R..., proposta na sessão de 21 de outubro. Resultaria dessa evocação que o cavaleiro de R..., seu tio, do qual não se tinha notícias há cinqüenta anos, não estaria morto e habitaria uma ilha da Oceania meridional, onde se teria identificado com os costumes de seus habitantes, não tendo tido oportunidade para transmitir notícias suas. (Será publicada). 3o Evocação do rei de Kanala (Nova Caledônia), morto a 24 de maio de 1858. Essa comunicação revela nesse Espírito uma certa superioridade relativa, apresentando a característica notável de uma grande dificuldade para escrever, malgrado a aptidão do médium. Anuncia que com o hábito escreverá mais facilmente, o que é confirmado por São Luís. 4o Evocação de Mercure Jean, aventureiro, que apareceu em Lyon em 1478 e foi apresentado a Luís XI. Ele dá esclarecimentos sobre as faculdades sobrenaturais de que o supunham dotado e informações curiosas sobre o mundo em que reside atualmente. (Será publicada). (Sexta-feira, 4 de novembro de 1859 – Sessão particular) Leitura da ata e dos trabalhos da sessão de 28 de outubro. Admissão de sete candidatos apresentados nas duas sessões precedentes. Apresentação de projeto pela Comissão encarregada de estudar as medidas a serem tomadas para a admissão de ouvintes.
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Mês Dezembro
Ano 1859
Revista Espírita - Pelo espírito  Espírito de Verdade  através da codificação de Allan Kardec Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas
Depois de uma discussão em que participaram vários membros, a Sociedade decide que a proposição seja adiada e que provisoriamente se obedeça às disposições do regulamento; que os senhores membros serão convidados a se conformarem rigorosamente com as disposições que regulam a admissão dos ouvintes e a se absterem de modo absoluto de dar cartões de ingresso a quantos não tenham em vista senão a satisfazer a curiosidade, nem possuam nenhuma noção prévia da ciência espírita. A Sociedade adota, então, as duas seguintes proposições: 1o Os ouvintes não serão admitidos às sessões depois das oito horas e um quarto. Os cartões de ingresso farão menção disso. 2o Anualmente, quando da renovação do ano social, os membros honorários serão submetidos a novo voto de admissão, a fim de serem cancelados aqueles que não mais satisfaçam às condições requeridas, e que a Sociedade julgar por bem não manter. O Sr. Administrador tesoureiro da Sociedade apresenta o balanço semestral de 1o de abril a 1o de outubro, assim como os comprovantes das despesas. Constata-se que a Sociedade tem um saldo suficiente para prover às suas necessidades. A Sociedade aprova as contas do tesoureiro e lhe dá quitação. Comunicações diversas – Carta do Sr. Bl. de La..., em resposta à que lhe foi enviada sobre a sua evocação e a de sua filha. Ele constata um fato que confirma uma das circunstâncias da evocação. Carta do Sr. Dumas, de Sétif, Argélia, membro titular, encaminhando à Sociedade um certo número de comunicações por ele obtidas. Estudos: 1o Os Srs. P... e de R... chamam a atenção para uma nova versão do naufrágio do navio Le Constant, publicada no Siècle, segundo a qual o negro que foi morto para ser comido não se teria oferecido voluntariamente, como consta do primeiro relato e que haveria, assim, contradição com as palavras do Espírito do negro. O Sr. Col... não vê contradição, pois o mérito atribuído ao negro foi constatado por São Luís e o próprio negro disso não se prevaleceu. 2o Exame de uma questão proposta pelo Sr. Les... sobre a surpresa dos Espíritos após a morte. Pensa ele que o Espírito, já tendo vivido no estado de Espírito, não deveria ficar surpreendido. É-lhe respondido: Esta surpresa é apenas temporária; resulta do estado de perturbação que se segue à morte, cessando à medida que o Espírito se desprende da matéria e recupera suas faculdades de Espírito. 3o Pergunta sobre os sonâmbulos lúcidos, que confundem os Espíritos com os seres corporais. Esse fato é confirmado e explicado por São Luís. 4o Evocação de Urbain Grandier. Sendo as respostas muito lacônicas pela falta de experiência do médium, o Espírito disse que seria mais explícito através de outro médium. A evocação, portanto, será retomada numa outra sessão. (Sexta-feira, 11 de novembro de 1859 – Sessão geral) Leitura da ata. Apresentação – O Sr. Pierre D..., escultor em Paris, é apresentado como membro titular. Comunicações diversas: 1o Carta do Sr. de T..., contendo fatos muito interessantes de manifestações visuais e verbais que confirmam o estado em que se encontram certos Espíritos que duvidam da própria morte. Um dos fatos relatados oferece a particularidade de o Espírito em questão ainda persistir nessa ilusão mais de três meses depois da morte. (Este relato será publicado.) 2o Fatos curiosos de precisão, referidos pelo Sr. Van Br..., de Haia, de caráter pessoal. Ele jamais tinha ouvido falar dos Espíritos e de suas comunicações quando, por acaso e inopinadamente, foi conduzido a uma reunião espírita em Dordrecht. As comunicações obtidas em sua presença o surpreenderam tanto mais quanto ele era estranho àquela cidade e desconhecido dos membros da dita reunião. Sobre ele, sua posição e sua família, disseram-lhe uma porção de particularidades de que só ele tinha conhecimento. Tendo evocado sua mãe e lhe perguntado, como prova de identidade, se havia tido vários filhos, respondeu: “Não sabes, meu filho, que tive onze filhos?” E o Espírito a todos designou por seus nomes de batismo e pelas datas de nascimento. Desde então esse senhor é um adepto fervoroso e sua filha, uma jovem de quatorze anos, tornou-se excelente médium, cuja faculdade apresenta particularidades singulares. A maior parte do tempo escreve às avessas, de tal sorte que para ler o que ela obtém faz-se necessário colocar as folhas diante de um espelho34. Com muita freqüência, a mesa de que se serve para escrever inclina-se diante dela como uma carteira e fica nessa posição de equilíbrio, sem nenhum apoio, até que ela acabe de escrever. O Sr. Van Br... relata um outro fato curioso de precisão por um Espírito que com ele se comunica espontaneamente, com o nome de Dirkse Lammers, e que se enforcou no próprio local onde se dava a comunicação, em circunstâncias cuja exatidão foi verificada. (Este relato será publicado, bem como a evocação dele resultante.) Estudos: 1o Exame da pergunta feita pelo Sr. Det... sobre a fonte de onde os Espíritos extraem o seu vocabulário. 2o Pergunta sobre a obsessão de certos médiuns. 3o Evocação de Michel François, ferreiro que fez uma revelação a Luís XIV. 4o Evocação de Dirkse Lammers, cuja história foi contada anteriormente. 5o Três comunicações espontâneas são obtidas simultaneamente: a primeira pelo Sr. R..., assinada por Lamennais; a segunda pelo Sr. D... Filho: O Menino e o Riacho, parábola assinada por São Basílio; a terceira pela Srta. L. J..., assinada por Orígenes. 6o A Srta. J..., médium desenhista, traça espontaneamente um grupo admirável, assinado pelo Espírito Lebrun. (Todas as perguntas e comunicações acima serão publicadas). (Sexta-feira, 18 de novembro de 1859 – Sessão particular) Leitura da Ata. Admissão do Sr. Pierre D..., apresentado na última sessão. Comunicações diversas: 1o Leitura de uma comunicação espontânea obtida pelo Sr. P..., membro da Sociedade, ditada pelo Espírito de sua filha. 2o Detalhes sobre a Srta. Désiré Godu, residente em Hennebont (Morbihan), dotada de extraordinária faculdade mediadora. Ela passou por todas as fases da mediunidade; a princípio teve as mais estranhas manifestações físicas; depois se tornou sucessivamente médium audiente, falante, vidente e escrevente. Hoje, todas as suas faculdades estão concentradas na cura das doenças, que ela trata a conselho dos Espíritos. Opera curas que em outros tempos seriam consideradas miraculosas. Os Espíritos anunciam que a sua faculdade se desenvolverá ainda mais; ela começa a ver as doenças internas, por um efeito de segunda vista, sem estar em sonambulismo. (Uma notícia será publicada sobre esse admirável assunto). Estudos: 1o Perguntas sobre a faculdade da Srta. Désiré Godu. 2o Evocação de Lamettrie. 3o Quatro comunicações espontâneas são obtidas simultaneamente; a primeira pelo Sr. R..., assinada por São Vicente de Paulo; a segunda pelo Sr. Col..., assinada por Platão; a terceira pelo Sr. D... Filho, assinada por Lamennais; e a quarta pela Srta. H..., assinada por Margarida, conhecida como rainha Margot. (25 de novembro de 1859 – Sessão geral) Leitura da ata. Comunicações diversas – O Dr. Morhéry presenteia a Sociedade com uma brochura intitulada: Sistema Prático de Organização Agrícola. Embora estranha aos objetivos da Sociedade, essa obra será encaminhada à biblioteca e serão mandados agradecimentos ao autor. Carta do Sr. de T..., completando informações sobre visões e aparições por ele relatadas na sessão de 11 de novembro. Carta do Sr. conde de R..., membro titular, retido em sua casa por conta de uma indisposição, em que se coloca à disposição da Sociedade para que esta faça com ele todas as experiências que julgar convenientes, relativas à evocação de pessoas vivas. Estudos: 1o Evocação de Jardin, morto em Nevers, e que havia conservado os restos mortais de sua esposa num genuflexório. (Será publicada). 3o 35Evocação do Sr. conde de R... Essa evocação, extraordinária pela extensão dos desenvolvimentos dados, com perfeita precisão e grande clareza de idéias, lança grande luz sobre o estado do Espírito separado do corpo e resolve numerosos problemas psicológicos. Será publicada na revista de janeiro de 1860. 4o Quatro comunicações espontâneas são obtidas simultaneamente, a saber: a primeira, de uma alma sofredora, pela Sra. de B...; a segunda, do Espírito de Verdade, pelo Sr. R...; a terceira, do apóstolo Paulo, pelo Sr. Col... (Essa comunicação é assinada em grego); a quarta, pelo Sr. Did... Filho, assinada por Charlet (o pintor), anunciando uma série de comunicações que devem formar um conjunto.
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Mês Dezembro
Ano 1859
Revista Espírita - Pelo espírito  Espírito de Verdade  através da codificação de Allan Kardec Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas
Sexta-feira, 2 de dezembro de 1859 – Sessão particular Leitura da ata da sessão de 25 de novembro. Pedidos de admissão – Cartas do Sr. L. Benardacky, de São Petersburgo, e da Sra. Elisa Johnson, de Londres, que pedem para fazer parte da Sociedade como membros titulares. Comunicações diversas – Leitura de duas comunicações dadas ao Sr. Bouché, antigo reitor da Academia, médium escrevente, pelo Espírito duquesa de Longueville, a respeito da visita que esta última acaba de fazer, como Espírito, a Port-Royal-des-Champs. Essas duas comunicações são notáveis pelo estilo e elevação dos pensamentos. Provam que certos Espíritos revêem com prazer os lugares onde viveram e experimentam o encanto da saudade. Sem dúvida, quanto mais desmaterializados, menos importância dão às coisas terrenas, mas alguns ainda se ligam a elas por muito tempo após a morte, parecendo continuar, no mundo invisível, as ocupações que tinham neste mundo ou, pelo menos, tomando certo interesse por elas. Estudos: 1o Evocação do Sr. conde Desbassyns de Richmont, falecido em junho de 1859 e que, há mais de dez anos, professava idéias espíritas. Essa evocação confirma a influência de tais idéias sobre o desprendimento do Espírito após a morte. 2o Evocação da Irmã Martha, morta em 1824. 3o Segunda evocação do Sr. conde de R... C..., membro da Sociedade, retido em sua casa por uma indisposição, seguida de perguntas que lhe são dirigidas sobre o isolamento momentâneo do Espírito e do corpo durante o sono. (Publicada neste número). Sexta-feira, 9 de dezembro – Sessão geral Leitura da ata da sessão de 2 de dezembro. Comunicações diversas – O Sr. de la Roche transmite notícias sobre notáveis manifestações ocorridas numa casa de Castelnaudary. Os fatos são relatados na nota que precede o relato da evocação ocorrida e que será publicada. Estudos: 1o Evocação do rei de Kanala (Nova Caledônia), já evocado a 28 de outubro, mas que então havia escrito com muita dificuldade e prometera exercitar-se para escrever de modo mais legível. Dá curiosas explicações sobre a maneira empregada para se aperfeiçoar. (Será publicada com a primeira evocação). 2o Evocação do Espírito de Castelnaudary. Manifesta-se por sinais de viva cólera, sem nada poder escrever; quebra sete ou oito lápis, vários dos quais são lançados com força sobre os assistentes, e sacode violentamente o braço do médium. São Luís dá informações interessantes sobre o estado e a natureza desse Espírito que, diz ele, é da pior espécie e está numa das mais infelizes situações. (Será publicada com todas as outras comunicações relativas ao assunto). 3o Quatro comunicações espontâneas são obtidas simultaneamente: a primeira, de São Vicente de Paulo, pelo Sr. Roze; a segunda, de Charlet, pelo Sr. Didier Filho, dando seqüência ao trabalho iniciado pelo mesmo Espírito; a terceira, de Melanchthon, pelo Sr. Colin; e a quarta de um Espírito que deu o nome de Mikael, protetor das crianças, pela Sra. de Boyer. Sexta-feira, 16 de dezembro de 1859 – Sessão particular Leitura da ata. Admissões – São admitidos como membros titulares: O Sr. L. Benadacky, de São Petersburgo e a Sra. Elisa Johnson, de Londres, apresentados a 2 de dezembro. Pedidos de admissão – O Sr. Forbes, de Londres, oficial engenheiro, e a Sra. Forbes, de Florença, escreveram pedindo para fazer parte da Sociedade como membros titulares. Relatório e decisão adiados para o dia 30 de dezembro. Designação de seis comissários que deverão revezar-se em serviço nas sessões gerais até 1o de abril, sem que haja necessidade de designar um deles para cada sessão. Terão, além disso, a incumbência de assinalar as infrações que os ouvintes estranhos possam cometer contra o regulamento, por ignorarem as exigências da Sociedade, a fim de advertir os membros titulares que lhes houverem dado cartas de apresentação. Por proposta do Sr. Allan Kardec, a Sociedade decide que, doravante, o Boletim da Sociedade será publicado em suplemento da Revista, para que o mesmo não prejudique as matérias habituais do jornal. Em conseqüência dessa adição, cada número será aumentado de cerca de quatro páginas, cujas despesas correrão por conta da Sociedade. O Sr. Lesourd propõe que quando houver cinco sessões num mês, a quinta seja consagrada a uma sessão particular. (Adotado). O mesmo membro também propõe que quando um novo membro for admitido, seja oficialmente apresentado aos outros membros da Sociedade, a fim de que não venha como um estranho. (Adotado). O Sr. Thiry observa que Espíritos sofredores muitas vezes reclamam o socorro da prece, para lhes suavizar as penas; mas, como podem ser perdidos de vista, propõe que em cada sessão o Presidente lhes lembre os nomes. (Adotado). Comunicações diversas: 1o Carta do Sr. Jobard, de Bruxelas, confirmando, com detalhes circunstanciados, o fato das manifestações de Java, relatadas pela Sra. Ida Pfeiffer e publicadas na Revista de dezembro. Ele as obteve do próprio general holandês, ao qual estava ligado e que era encarregado de vigiar a casa onde as coisas se passavam, sendo, conseqüentemente, testemunha ocular. (Publicada neste número). 2o Leitura de uma comunicação do Espírito de Castelnaudary, obtida pelo Sr. e pela Sra. Forbes, ouvintes da última sessão. São fornecidos detalhes circunstanciados e interessantes sobre esse Espírito, bem assim os acontecimentos que se passaram na casa em questão. Várias outras comunicações foram dadas sobre o mesmo assunto e serão reunidas às obtidas na Sociedade e publicadas quando a série estiver completa. 3o Leitura de uma notícia sobre a Sra. Xavier, médium vidente. Esta senhora não vê à vontade, mas os Espíritos se apresentam a ela espontaneamente. Apesar de não estar em sonambulismo nem em êxtase, em certos momentos fica num estado particular que reclama maior calma e muito recolhimento, de tal forma que, interrogada quanto ao que vê, aquele estado se dissipa imediatamente e ela não vê mais nada. Como conserva uma lembrança completa, mais tarde poderá dar-se conta do que viu. Foi assim, por exemplo, que, entre outras, viu a Irmã Martha, no dia em que foi evocada e a descreveu de maneira a não deixar nenhuma dúvida sobre a sua identidade. Na última sessão ela também viu o Espírito de Castelnaudary, vestindo uma camisa rasgada, um punhal na mão, as mãos ensangüentadas, a sacudir fortemente o braço do médium, durante suas tentativas para escrever, a cada vez que São Luís aparecia e lhe ordenava que escrevesse. Tinha uma espécie de sorriso embrutecido nos lábios. Depois, quando lhe falaram de prece, a princípio parece que não compreendeu; mas, logo depois da explicação dada por São Luís, precipitou-se de joelhos. O rei de Kanala lhe apareceu com a cabeça de um branco; tinha os olhos azuis, bigodes e costeletas grisalhas, mãos de negro, braceletes de aço, um costume azul, o peito coberto por uma porção de objetos que ela não pôde distinguir bem. “Esta aparência – disse ele – deve-se ao fato de, entre a existência anterior, da qual falou, e a última, ter sido ele soldado na França, ao tempo de Luís XV. Era uma conseqüência de seu estado relativamente adiantado. Pediu para voltar entre seu povo, a fim de, como chefe, ali introduzir as idéias de progresso. A forma que tomou e a aparência meio selvagem, meio civilizada, são destinadas a vos mostrar, sob nova face, as que o Espírito pode dar ao perispírito, com um fim instrutivo e como indício dos diferentes estados pelos quais passou.” A Sra. X... ainda viu os Espíritos evocados virem responder à evocação e às perguntas, que nada tinham de repreensível quanto ao seu objetivo e, à ordem de São Luís, retirarem-se para que os Espíritos presentes respondessem em seu lugar, já que as perguntas tomavam um caráter insidioso. “A maior boa-fé e a maior franqueza deviam ditar as perguntas; nenhuma intenção dissimulada – acrescenta o Espírito interrogado a respeito pelo marido daquela senhora – nos escapa; jamais procureis atingir o vosso objetivo por caminhos tortuosos, pois assim o perdereis infalivelmente.” Ela via uma coroa fluídica cingir a cabeça do médium, como para indicar os momentos durante os quais era interdito aos Espíritos não chamados de se comunicarem, porque as respostas deveriam ser sinceras; mas desde que a coroa era retirada, via todos os Espíritos intrusos a disputar, de algum modo, o lugar que lhes deixavam. Enfim, viu o Espírito Sr. conde de R... sob a forma de um coração luminoso invertido, unido a um cordão fluídico que vinha de fora. Primeiro, disse ele, era para nos ensinar que o Espírito pode dar a seu perispírito a aparência que quiser e, depois, porque poderia ter havido o inconveniente, para a médium, de encontrar-se frente a frente com um Espírito encarnado, que tivesse visto como Espírito desprendido. Mais tarde esse inconveniente terá diminuído ou desaparecido. Estudos: 1o Evocação de Charlet. 2o Três comunicações espontâneas são obtidas simultaneamente: A primeira, de Santo Agostinho, pelo Sr. Roze. Explica a missão do Cristo e confirma um ponto muito importante, explicado por Arago, sobre a formação do globo; a segunda, de Charlet, pelo Sr. Didier Filho (continuação do trabalho começado); e a terceira, de Joinville, que assina em velha ortografia: Amy de Loys, pela Srta. Huet. Sexta-feira, 23 de dezembro de 1859 – Sessão geral Leitura da ata e dos trabalhos da sessão de 16 de dezembro. Pedidos de admissão – Cartas dos Srs. Demange e Soive, negociantes em Paris, apresentados como membros titulares.
TAG Valor
Mês Janeiro
Ano 1860