Capítulo 9
Admitindo a falibilidade dos anjos, como a dos homens, a punição é consequência justa e natural da falta; mas se admitirmos ao mesmo tempo a possibilidade do resgate, a regeneração, a graça, após o arrependimento e a expiação, tudo se esclarece e se conforma com a bondade de Deus. De fato, Ele sabia que errariam, que seriam punidos, mas sabia também que tal castigo temporário seria um meio de lhes fazer compreender o erro, revertendo, portanto, em benefício deles. Cumpriam-se, assim, estas palavras do profeta Ezequiel: “Deus não quer a morte, mas a salvação do pecador.”⁶⁶ O que seria a negação da bondade de Deus é a inutilidade do arrependimento e a impossibilidade de regeneração. Nesta hipótese, seria rigorosamente exato dizer-se que “esses anjos, desde a sua criação, visto que Deus não o podia ignorar, foram votados ao mal por toda a eternidade e predestinados a se tornarem demônios, a fim de arrastarem os homens ao mal”.
TAG Valor
Parte Primeira
Nome do Capítulo Os demônios
Tema Os demônios segundo a Igreja
Item 12