Por aí o materialismo pode ver que o Espiritismo, longe de temer as descobertas da Ciência e o seu positivismo, vai ao encontro deles e os provoca, porque está certo de que o princípio espiritual, que tem existência própria, em nada pode com elas sofrer.
O Espiritismo marcha ao lado do materialismo, no campo da matéria; admite tudo o que o segundo admite; mas avança para além do ponto em que este se detém. O Espiritismo e o materialismo são como dois viajantes que caminham juntos, partindo de um mesmo ponto; chegados a certa distância, um diz: “Não posso ir mais longe.” O outro prossegue e descobre um novo mundo. Por que, então, o primeiro diz que o segundo é louco? só porque, entrevendo novos horizontes, o segundo se decide a transpor os limites que o outro julga por bem não avançar? Também Cristóvão Colombo não foi tachado de louco, porque acreditava na existência de um mundo além do oceano? Quantos desses loucos sublimes a História não conta, que têm feito a humanidade avançar e aos quais se tecem coroas, depois de lhes haver atirado lama?
Pois bem! O Espiritismo, esta loucura do século XIX, segundo os que se obstinam em permanecer ligados à Terra, nos torna evidente todo um mundo, bem mais importante para o homem do que a América, visto que nem todos os homens vão à América, ao passo que todos, sem exceção de um só, vão ao mundo dos Espíritos, fazendo incessantes travessias de um para o outro. Chegados, portanto, ao ponto em que nos achamos com relação à Gênese, o materialismo se detém, enquanto o Espiritismo prossegue em suas pesquisas no domínio da Gênese espiritual.