12. Compreendemos que os Espíritos superiores não se ocupem com coisas que estão muito abaixo deles. Entretanto, perguntamos se, uma vez que estão mais desmaterializados, teriam o poder de fazê-lo, desde que o quisessem?
“Os Espíritos superiores têm a força moral, como os outros têm a força física. Quando precisam desta força, servem-se dos que a possuem. Já não vos foi dito que eles se servem dos Espíritos inferiores, assim como vos servis dos carregadores?”
OBSERVAÇÃO – Já foi explicado que a densidade do perispírito, se assim se pode dizer, varia de acordo com o estado dos mundos. Parece que também varia, em um mesmo mundo, de indivíduo para indivíduo. Nos Espíritos moralmente adiantados, é mais sutil e se aproxima da densidade dos Espíritos elevados; nos Espíritos inferiores, ao contrário, aproxima-se da matéria, e é isso que faz que os Espíritos de baixa categoria conservem por muito tempo as ilusões da vida terrena. Eles pensam e agem como se ainda estivessem encarnados; experimentam os mesmos desejos e quase que se poderia dizer a mesma sensualidade. Essa densidade maior do perispírito, dando-lhe mais afinidade com a matéria, torna os Espíritos inferiores mais aptos às manifestações físicas. É pela mesma razão que um homem de sociedade, habituado aos trabalhos da inteligência, franzino e delicado de corpo, não pode suspender fardos pesados, como faz um carregador. Nele, a matéria é, de certo modo, menos compacta e os órgãos são menos resistentes; há menos fluido nervoso. Sendo o perispírito, para o Espírito, o que o corpo é para o homem, e sendo a sua densidade diretamente proporcional à inferioridade do Espírito, essa densidade substitui no Espírito a força muscular, isto é, dá-lhe sobre os fluidos necessários às manifestações um poder maior do que o poder de que dispõem aqueles cuja natureza é mais etérea. Se um Espírito elevado quiser produzir tais efeitos, fará o que fazem entre nós as pessoas delicadas: chama para executá-los um profissional do ramo.