Capítulo 8
Eu bem via o que lhes faltava — era a mãe. Resolvi, pois, recorrer à caridade em prol das viúvas infelizes que, sem poderem trabalhar para si e seus filhinhos, se impunham privações fatais, que acabavam por conduzi-las ao túmulo, legando ao mundo pobres órfãos abandonados e votados aos tormentos que eu mesmo suportara. Eu tinha 30 anos quando, cheio de saúde e de vigor, viram-me pedir para a viúva e para o órfão. Os primeiros passos foram muito penosos, cheios de humilhações; quando, porém, se certificaram de que eu realmente distribuía aos pobres tudo o que recebia; quando souberam que, além de distribuir, ainda ajuntava para eles as sobras do meu trabalho, adquiri certo conceito que não deixava de me ser gratificante. Durante os 60 e poucos anos dessa peregrinação, nunca deixei de atender à tarefa que me impusera. Também jamais a consciência me fez sentir que causas anteriores à existência constituíssem a razão do meu proceder. Um dia somente, e antes de começar a pedir, ouvi estas palavras: “Não façais a outrem o que não quiserdes que vos façam.” Surpreendido pelos princípios gerais de moralidade contidos nessas poucas palavras, muitas vezes parecia-me ouvi-las acrescidas com estas outras: “Mas fazei, ao contrário, o que quiserdes que vos façam.” Amparado pela lembrança de minha mãe e pelos meus próprios sofrimentos, continuei a trilhar uma senda que a minha consciência dizia ser boa. Vou terminar esta longa comunicação, dizendo: Obrigado! Embora imperfeito ainda, sei, contudo, que o mal só acarreta o mal, e de novo, como já o fiz, dedicar-me-ei ao bem para alcançar a felicidade. Szymel Slizgol
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Expiações terrestres
Tema Szymel Slizgol