Crede-me, respeitai estas aspirações, Elas têm muito impulso e muitas expansões Pra deixar-se reter nas grades da prisão; Deixai-lhes livre o campo ou morte ao barreirão!
– Ah! Roma ao ver um dia os teus cultos proscritos, Dizias nada opor senão do gládio aos ritos; Só triunfaste, então, ao mudar de papel E opondo ao próprio gládio a palavra em laurel.
Antônia, filha de Galileu, vendo proscrito o pai, lhe diz: Tua filha, eis-me aqui. Sim, meu piedoso amor Seguirá o proscrito, e dos céus vencedor.
Levando, vale a vale, o teu bastão assim, Direi: “De Galileu o pão trazei-mo a mim, Para aquele que um lar negaram-lhe os cristãos, E altar teria tido entre os povos pagãos.”
Galileu sondou as profundezas dos céus e revelou a pluralidade dos mundos materiais. Como dissemos, foi toda uma revelação nas idéias; um novo campo de exploração foi aberto à Ciência. O Espiritismo vem operar outra não menor, revelando a existência do mundo espiritual que nos rodeia; graças a ele o homem conhece seu passado e seu verdadeiro destino. Galileu derrubou as barreiras que circunscreviam o Universo: o Espiritismo o povoa e enche o vazio dos espaços infinitos. Embora mais de dois séculos nos separem das descobertas de Galileu, muitos preconceitos ainda estão vivos; a nova doutrina emancipadora encontra os mesmos obstáculos; atacam-na com as mesmas armas, opõem-lhe os mesmos argumentos. Lendo o drama do Sr. Ponsard, poder-se-ia dar nomes próprios modernos a cada um de seus personagens. Entretanto, a má vontade e a perseguição não impediram que a doutrina de Galileu triunfasse, porque era a verdade. Dar-se-á o mesmo com o Espiritismo, porque é, também, uma verdade. Seus detratores serão olhados pela geração futura com os mesmos olhos com que olhamos os de Galileu.