Eu me limitarei a dizer que as afinidades fluídicas, que são o próprio princípio das faculdades mediúnicas, são individuais e não gerais; que elas podem existir do médium para um determinado espírito e não para outro; que sem essas afinidades, cujas nuanças são muito numerosas, as comunicações são incompletas, falsas ou impossíveis; que a maior parte das vezes a assimilação fluídica entre o espírito e o médium só se estabelece com o tempo, e que somente uma vez em dez acontece que ela seja completa desde a primeira vez.
A mediunidade, como o senhor a vê, está subordinada a leis de algum modo orgânicas, às quais todo médium está sujeito; ora, não se pode negar que isto não seja um obstáculo para a mediunidade de profissão, visto que a possibilidade e a exatidão das comunicações provêm de causas independentes do médium e do espírito. (Ver mais adiante, capítulo II, parágrafo “Dos Médiuns”.)
Portanto, se repelimos a exploração da mediunidade, não é por capricho nem por hábito, mas porque os próprios princípios que regem as relações com o mundo invisível, se opõem à regularidade e à precisão necessárias para aquele que se põe à disposição do público, e a quem o desejo de satisfazer uma clientela pagante conduz ao abuso. Disso eu não concluo que todos os médiuns interesseiros são charlatães, mas afirmo que o incentivo ao ganho conduz ao charlatanismo e autoriza a suposição de fraude, se não a justifica. Aquele que deseja se convencer deve, antes de tudo, procurar os elementos de sinceridade.