Os sofrimentos que padeço são terríveis, porém, desde que por mim orais, sinto-me confortado pelos Espíritos bons, os quais me dizem para ter esperança. Compreendo a eficácia do remédio heroico que me aconselhastes e peço ao Senhor que me dê forças para suportar esta dura expiação, igual, aliás, eu vo-lo garanto, ao mal que pratiquei na Terra. Não quero me desculpar das minhas atrocidades, mas para nenhuma de minhas vítimas, salvo alguns instantes que precediam a morte, a dor não existia, e as que tinham terminado a provação terrena foram receber a recompensa que as aguardava. Para mim, entretanto, ao voltar ao mundo dos Espíritos, só houve sofrimentos infernais, excetuados os curtos instantes em que me manifestava.
A despeito dos seus quadros terroristas, os padres só têm uma pálida noção dos verdadeiros sofrimentos que a Justiça divina reserva aos infratores da lei de amor e de caridade. Como insinuar a pessoas sensatas que uma alma, isto é, uma coisa imaterial, possa sofrer ao contato do fogo material? É absurdo, e por isso tantos e tantos criminosos se riem desses painéis fantásticos do inferno. O mesmo, porém, não se dá quanto à dor moral do condenado, após a morte física. Orai para que o desespero não se aposse de mim.