Identificando-se com as sugestões grandiosas do firmamento, experimen tou intensas comoções na alma ansiosa. Profundo enter necimento fê-lo levantar-se e, sedento de revelar aos filhinhos quanto os amava e quanto deles esperava naquela hora culminante da sua vida, inclinou -se de braços abertos, com significativa expressão de carinho e, quando as últimas notas se desprendiam do cântico dos jovens enlaçados e genuflexos, abraçou -os em pranto, murmurando: — Meus filhos! meus queridos filhos!... Mas, nesse instante abriu -se a porta e um pequenino servidor das vizinhanças anunciou com grande assombro a lhe transparecer nos olhos: - Senhores, o soldado Zenas e mais alguns compa nheiros chamam-vos à porta. O velho colou a destra ao peito opresso, enquanto Jeziel parecia meditar um instante; todavia, revelando a firmeza do seu espírito resoluto, o jovem exclamou: — Deus nos protegerá. Daí a instantes, o mensageiro que chefiava a pe quena escolta leu o mandado de prisão de toda a família. A ordem era categórica e irrevogável. Os acusados deveriam ser recolhidos imediatamente ao cárcere, a fim de que se lhes esclarecesse a situação no dia seguinte. Abraçado aos dois filhos, o pobre israelita marchou à frente da escolta, que os observava sem piedade. Jochedeb contemplou os canteiros de flores e as árvores bem -amadas junto da casinha singela onde tecera todos os sonhos e esperanças da sua vida. Singular emoção dominou-lhe o espírito cansado. Uma torrente de lágrimas fluía-lhe dos olhos e, transpondo a cancela florida, falou em voz alta, olhando o céu claro, agora recamado pelos astros da noite: — Senhor! compadece-te do nosso amargurado des tino!... Jeziel apertou-lhe docemente a mão encarquilhada, como a lhe pedir resignação e calma, e o grupo marchou silenciosamente à luz das estrelas.