O Espiritismo em Lyon
Vínhamos de longe e tínhamos subido às alturas de Saint-Just com um calor sufocante. Alguns refrescos tinham sido preparados, em meio dos instrumentos do trabalho: pão, queijo, algumas frutas, um copo de vinho, verdadeiro ágape oferecido com a simplicidade antiga e um coração sincero. Um copo de vinho! ah! em nossa intenção, porque essa boa gente não bebe todos os dias; mas era uma boa festa para eles: ia-se falar de Espiritismo. Oh! foi com um prazer imenso que brindamos com eles, e seu lanche modesto, aos nossos olhos, tinha cem vezes mais valor que os mais esplêndidos banquetes. Que tenham eles aqui a certeza disto. Alguém nos dizia em Lyon: “O Espiritismo infiltra-se nos operários pelo raciocínio; não seria tempo de fazer que penetrasse pelo coração?” Certamente esta pessoa não conhece os operários; seria desejável que se encontrasse tanto coração em todo o mundo. Se uma tal linguagem não for inspirada pelo coração; se o coração nada significa para quem, no Espiritismo, encontra a força de vencer suas más inclinações, de lutar com resignação contra a miséria, de sufocar seus rancores e animosidades; para quem partilha seu pedaço de pão com um mais infeliz, confessamos não saber onde está o coração.
TAG Valor
Mês Outubro
Ano 1861