O capítulo "Forças viciadas" registra interessantíssimas observações de André Luiz numa casa de pasto igual a tantas outras que se espalham por todas as cidades, onde o fumo e o álcool, aliados a indébitos prazeres e a condenáveis excessos, contribuem para que muita gente permaneça longos anos sob o guante de entidades vampirizantes.
"A casa de pasto regurgitava...
Muita alegria, muita gente.
As emanações do ambiente produziam em nós indefinível mal-estar.
Junto de fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas, de triste feição, se demoravam expectantes.
Algumas sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões que as expulsavam, nisso encontrando alegria e alimento. Outras aspiravam o hálito de alcoólatras impenitentes."
Como preâmbulo aos nossos comentários, bastam as transcrições acima.
Por elas podemos concluir quanto à influência, benéfica ou maléfica, dos ambientes que frequentamos.
Milhares de criaturas encarnadas, homens e mulheres, ficam, sem que disso se apercebam, à mercê de tais entidades, dominadas, como vivem, pelo álcool e pelo fumo.
Como o objetivo essencial deste livro é o de focalizar assuntos relacionados com o mediunismo, lembramos a importância ambiencial para o obreiro da seara mediúnica.
O médium que preza a faculdade que Deus lhe concedeu e que deseja converter-se em servidor operoso, não deve habituar-se aos ambientes viciosos, onde os frequentadores, encarnados e desencarnados, pela expressão inferiorizada dos seus sentimentos, constituam ameaça ao seu equilíbrio interior.
Mesmo aqueles medianeiros que se caracterizam por relativa segurança, sofrem os reflexos vibratórios de semelhantes ambientes.
Devemos considerar que é o médium, em tese, uma criatura falível, igual a todos nós.
A circunstância, mesma, de ter mais apurada sensibilidade, torna-o mais acessível às influenciações psíquicas.
A "casa mental" do medianeiro deve estar sempre custodiada pelo amor e pela sabedoria, pela moral e pela compreensão.
Somente o obreiro que já se realizou a si mesmo, através da faculdade bem desenvolvida e cristamente educada, saberá resguardar-se com êxito.
Somente o medianeiro portador de apreciáveis valores morais poderá, sem prejuízos, neutralizar as influenciações perniciosas.
Recorrendo ao Evangelho, fonte de toda a sabedoria, mencionaremos, por oportuna, aquela passagem em que Jesus, estando em Betsaida, cura um cego e depois lhe recomenda, incisivo:
"Absolutamente não entres na aldeia."
O médium que deseja preservar o seu equilíbrio, deve ser cuidadoso na escolha dos ambientes que lhe convêm.
Sempre que possível, seria de toda a conveniência que o trabalhador da seara mediúnica preferisse os seguintes ambientes:
a) — O próprio lar, que ele deve converter num santuário de compreensão;
b) — Os grupos espíritas bem orientados, onde Jesus e Kardec sejam permanente bússola;
c) — O convívio com companheiros sinceros e cheios de boas intenções;
d) — Reuniões com pessoas bem intencionadas e de sentimentos elevados, onde as conversações edificantes contribuam para a manutenção do seu equilíbrio íntimo.
Somente o imperativo do serviço assistencial deve levar o médium a ambientes mal assistidos.
Somente o imperativo da fraternidade deve justificar a presença do obreiro do mediunismo cristão em ambientes duvidosos, onde as paixões e os sentimentos inferiores constituam o dolce far niente dos seus frequentadores.
O médium, a benefício de si mesmo e da obra, deve escolher ambientes onde as suas forças morais se consolidem e os propósitos superiores lhe sejam estímulo ao estudo e ao trabalho com Jesus.
Conhecemos companheiros com apreciáveis qualidades de abnegação e boa vontade que, tentando ajudar em determinados ambientes, passaram a ser vítimas de entidades cruéis, das quais, para se desvencilharem, muito esforço e muita oração foram necessários.
Guardando no coração a fragilidade que constitui, ainda, o nosso apanágio, foram terrivelmente envolvidos pelas forças viciadas, em cujos domínios quiseram penetrar.
Somente os vanguardeiros valorosos, que já se fizeram portadores de valiosas aquisições espirituais, devem comparecer à retaguarda, onde hostes tenebrosas implantam o seu reinado de sombra.
Em primeiro lugar, a autopreparação pelo trabalho comum e pela renovação.
Em segundo, os grandes encargos que pedem experiência e fortaleza.
Consoante acentuamos no início deste capítulo, há milhares de criaturas prisioneiras dessas entidades.
São os fumantes e bebedores impenitentes que se entregam, desordenadamente, ao vício.
São os que se entregam a condenáveis excessos em qualquer setor da atividade humana.
Os que bebem passam a ser, na oportuna definição de um nosso confrade, "canecos de Espíritos".
Os que fumam passam a ser, naturalmente, alimentadores de entidades infelizes que se comprazem, jubilosas, em sorver-lhes "as baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões".
E assim permanecem até que um dia, fustigados pela Dor, dominados pela exaustão e vencidos pela monotonia de uma existência tristemente vegetativa, despertam para um tipo de vida mais consentânea com a dignidade da pessoa humana.
A Misericórdia Divina funciona, desde o princípio, junto a todas as criaturas.
"Chegará o dia em que a própria Natureza lhes esvaziará o cálice."
"Há mil processos de reajuste."
Para melhor compreensão do estudo, segundo a diretiva que traçamos para este trabalho, organizamos o gráfico seguinte, no qual apresentamos modestos apontamentos relativos ao modo pelo qual a criatura será compelida, mais cedo ou mais tarde, ao necessário reajuste:
PROCESSOS DE REAJUSTE:
- Coercitivos: cansaço, aflições, sofrimento, cárcere.
- Espontâneos: boa vontade, acanhamento, esforço.
- Expiatórios: mongolismo, paralisia, hidrocefalia, cegueira, idiotismo.
Em certos casos, nos processos que denominamos de "coercitivos", a própria criatura se cansará, um dia, da monotonia de uma vida superficial, para não dizer de uma vida futilizada.
Como decorrência do reconhecimento da inutilidade do sistema de vida, sobrevirão, fatalmente, o esgotamento e o cansaço.
O homem despertará, então, ante a realidade de sua destinação superior, dentro da Eternidade.
Essa destinação falar-lhe-á, em silêncio, no altar da própria consciência, do imperativo de valorização do tempo que o Senhor da Vida lhe concedeu, com a atual experiência reencarnatória. Então, sob o amparo de abnegados servidores do Cristo, iniciará, esperançoso, o trabalho de auto-renovação...
De modo geral, entretanto, as aflições e sofrimentos são sempre os grandes amigos da criatura fútil ou desviada.
As grandes provas, as lutas acerbas, em que colhemos aquilo que semeamos, funcionam, testemunhando a harmonia da Lei Divina, à maneira de abençoadas trombetas concitando-nos à grande batalha contra nós mesmos, a fim de vencermos os inimigos que pelejam contra o nosso coração, querendo perturbar a marcha ascensional do Espírito eterno.
À guisa de exemplificação, sugerimos a leitura do capítulo "Proteção educativa", do livro "Pontos e Contos", de Irmão X.
Quantas vezes, também, entre as grades de uma prisão, almas empedernidas se reajustam devidamente, retornando depois à sociedade, de onde foram banidas, agora, entretanto, na condição de elementos regenerados e úteis!
Como vemos, diversos e variegados são os fatores psicológicos que cooperam nos serviços de reajuste espiritual, libertando milhares de criaturas da nefasta influenciação de Espíritos menos esclarecidos.
Referindo-nos aos processos coercitivos, catalogamos, em síntese, o cansaço e o sofrimento, a aflição e o cárcere.
Entre os espontâneos, lembramos a boa vontade, a vergonha e o esforço do próprio indivíduo.
Algumas vezes o sentimento de dignidade dirige-se à consciência do homem transviado, compelindo-o à compostura e ao reajuste.
Entre os processos expiatórios, mencionamos as reencarnações dolorosas, expressando-se por vários tipos de enfermidades, todas elas inibitórias da plena manifestação da inteligência.
Sugerimos, como exemplo, profundamente elucidativo, a leitura, ainda, no livro "Pontos e Contos", do capítulo "Grande cabeça".
O mongolismo, a paralisia, a hidrocefalia, a cegueira e o idiotismo são formas compulsórias de reajustes expiatórios. Criaturas que abusaram da relativa liberdade que o Senhor da Vida lhes concedeu, voltam, depois, ao vaso físico, pela reencarnação, em situações realmente dolorosas, a fim de que, no capítulo do sofrimento, aprendam a valorizar o tesouro da vida...