Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas
Sexta-feira, 22 de junho de 1860 – Sessão geral Leitura da ata e dos trabalhos da sessão de 15 de junho. Comunicações diversas: 1o Leitura de um ditado espontâneo obtido pela Sra. Lesc..., sobre o Devaneio, assinado por Alfred de Musset. 2o Relato de um fato de mediunidade natural espontânea, como médium escrevente, apresentado pela Sra. Lub..., membro da Sociedade. A pessoa é uma camponesa de quinze anos, que, sem possuir nenhum conhecimento do Espiritismo, escreve quase diariamente, por vezes páginas inteiras, de modo inteiramente mecânico. Uma intuição lhe diz que deve ser um Espírito que lhe fala, porque, quando se sente levada a escrever, toma um lápis dizendo: Vejamos o que ele vai me dizer hoje. Suas comunicações muitas vezes se referem a episódios da vida privada, seja para ela, seja para pessoas do seu conhecimento; quase sempre são de extrema justeza, mesmo para as coisas que ela ignora completamente. É provável que essa faculdade, se fosse cultivada e bem dirigida, desenvolver-se-ia de modo notável e útil. Estudos: 1o Perguntas sobre os animais de transição que podem preencher a lacuna existente na escala dos seres vivos, entre o animal e o homem. O estudo será continuado. 2o Perguntas sobre os inventores e as descobertas prematuras, a propósito da evocação de Thilorier. 3o Manifestações físicas produzidas pelo filho do Sr. N..., menino de treze anos, de que se falou na última sessão. O Espírito batedor que se lhe vinculou o faz simular, com as mãos e os dedos, com incrível volubilidade, toda sorte de evoluções militares, como carga de cavalaria, manobras de artilharia, ataques de fortes, etc., tomando todos os objetos ao seu alcance para simular armas. Exprime os vários sentimentos que o agitam, como a cólera, a impaciência ou a zombaria, por violentas batidas e gestos de pantomima muito significativos. O que se nota, além disso, é a impassibilidade e a despreocupação do garoto, enquanto suas mãos e braços se entregam a essa espécie de ginástica. Torna-se evidente que todos os movimentos independem de sua vontade. Durante o resto da sessão, e mesmo quando já havia cessado a experiência, o Espírito aproveitava a oportunidade para manifestar, a seu modo, o contentamento ou o mau humor a respeito do que se disse. Numa palavra, vê-se que se apodera dos membros do rapaz e os emprega como se fossem seus. Tal gênero de manifestações oferece um curioso objeto de estudo por sua originalidade, e pode dar a compreender a maneira pela qual os Espíritos agem sobre certos indivíduos. Interrogado quanto às conseqüências que essas manifestações podem ter sobre o rapazinho, São Luís fez advertências de muita sabedoria e aconselhou não as provocar. Além disso, fez com que a Sociedade se comprometesse a não entrar nessa via de experiências, que teria como resultado o afastamento dos Espíritos sérios, e a continuar ocupando-se, como fez até agora, em aprofundar as questões importantes.
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Mês Julho
Ano 1860