Capítulo 4
Desde então não progredistes como Espírito? – R. Não; a matéria se revoltava sempre, e tu não podes avaliar a influência que ela ainda exerce sobre mim, a despeito da separação do corpo. O orgulho me prende a fortes cadeias, cujos anéis comprimem cada vez mais o mísero que lhe hipoteca o coração. O orgulho, hidra de cem cabeças a se renovarem incessantemente, modulando silvos envenenados que chegam a parecer celeste harmonia! Orgulho! Esse demônio multiforme que se amolda a todas as aberrações do Espírito, que se oculta em todos os refolhos do coração, que penetra as veias; que absorve e arrasta às trevas da eterna geena!... Oh! sim... eterna! Provavelmente, o Espírito diz não ter feito progresso algum, por ser a sua situação sempre penosa; mas a maneira pela qual descreve o orgulho e lhe deplora as consequências é, incontestavelmente, um progresso. Certamente, quando encarnado e mesmo logo após a morte, ele não poderia raciocinar assim. Compreende o mal, o que já é alguma coisa; a coragem e o propósito de evitá-lo lhe sobrevirão mais tarde.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Espíritos sofredores
Tema Lisbeth
Item 5