Repelir as comunicações de além-túmulo é rejeitar o meio mais poderoso de instruir-se, seja pela iniciação nos conhecimentos da vida futura, seja pelos exemplos que tais comunicações nos fornecem. A experiência nos ensina, além disso, o bem que podemos fazer, desviando do mal os Espíritos imperfeitos, ajudando os que sofrem a se desprenderem da matéria e a se aperfeiçoarem. Interdizer as comunicações é, portanto, privar as almas sofredoras da assistência que lhes podemos e devemos dispensar. As seguintes palavras de um Espírito resumem admiravelmente as consequências da evocação, quando praticada com fim caritativo:
“Todo Espírito sofredor e angustiado vos contará a causa da sua queda, os arrastamentos a que sucumbiu; falará sobre as suas esperanças, combates, terrores, remorsos, dores e desesperos; mostrará Deus justamente irritado a punir o culpado com toda a severidade da sua justiça. Ao ouvi-lo, sereis movidos de compaixão por ele e de temor por vós mesmos. E se o seguirdes nos seus queixumes, vereis então que Deus jamais o perde de vista, esperando o pecador arrependido e estendendo-lhe os braços logo que procure regenerar-se. Vereis os progressos do culpado, para os quais tereis a felicidade e a glória de contribuir, com a solicitude e o carinho do cirurgião acompanhando a cicatrização da ferida que ele cuida diariamente.” (Bordeaux, 1861.)