Podeis dizer-nos o que vos impressionou, o que vistes no momento em que os vossos olhos se abriram à luz? Podeis descrever-nos, se for possível, o aspecto das coisas com que vos deparastes? – R. Quando pude voltar a mim e ver o que tinha diante dos olhos, fiquei como que ofuscado, sem poder compreender, porque a lucidez não volta repentinamente. Deus, porém, que me deu uma prova exuberante da sua bondade, permitiu que eu recuperasse as faculdades. Vi-me então cercado de numerosos e fiéis amigos. Todos os Espíritos protetores que nos assistem rodeavam-me sorrindo; uma felicidade sem par irradiava-lhes do semblante e também eu, forte e animado, podia sem esforço percorrer os espaços. O que eu vi não tem nome na linguagem humana. Voltarei depois para falar-vos mais amplamente das minhas venturas, sem, contudo, ultrapassar o limite traçado por Deus. Sabei que a felicidade, tal como a entendeis, é uma ficção. Vivei sabiamente, santamente, no espírito de caridade e de amor, e tereis feito jus a impressões que o maior dos poetas seria incapaz de descrever.
Os contos de fadas estão cheios de coisas absurdas. Entretanto, não seriam, em alguns pontos, a descrição do que se passa no mundo dos Espíritos? O relato do Sr. Sanson não se assemelha ao de um homem que, adormecido numa choupana, desperta em palácio esplêndido, em meio a uma corte brilhante?