Manifestações dos Espíritos
6. É errôneo assustar-se a Igreja com o fato de restringir-se o círculo dos fatos miraculosos, porquanto Deus prova melhor o seu poder e a sua grandeza por meio do admirável conjunto de suas leis do que por algumas infrações dessas mesmas leis. E tanto mais errôneo é o seu temor, quanto ela atribui ao demônio o poder de operar prodígios, donde resultaria que, podendo interromper o curso das Leis Divinas, o demônio seria tão poderoso quanto Deus. Ousar dizer que o Espírito do mal pode suspender o curso das Leis de Deus é blasfêmia e sacrilégio. Longe de perder qualquer coisa de sua autoridade por passarem os fatos qualificados de milagrosos à ordem dos fatos naturais, a Religião somente pode ganhar com isso; primeiramente, porque, se um fato é tido falsamente por miraculoso, há aí um erro e a Religião somente pode perder, se se apoiar num erro, sobretudo se se obstinasse em considerar milagre o que não o seja; em segundo lugar, porque, não admitindo a possibilidade dos milagres, muitas pessoas negam os fatos qualificados de milagrosos, negando, conseguintemente, a Religião que em tais fatos se estriba. Se, ao contrário, a possibilidade dos mesmos fatos for demonstrada como efeitos das Leis Naturais, já não haverá cabimento para que alguém os repila, nem repila a Religião que os proclame.
TAG Valor
Parte Primeira
Nome do Capítulo Manifestações dos Espíritos
Tema Caráter e consequências religiosas das manifestações dos Espíritos
Item 6