Capítulo 14
Assim como as moléstias resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às influências perniciosas exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. A uma causa física opõe-se uma força física; a uma causa moral é preciso que se contraponha uma força moral. Para preservar o corpo das enfermidades, é preciso fortificá-lo; para garantir a alma contra a obsessão, tem-se que fortalecê-la. Daí, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar pela sua própria melhoria, o que na maioria das vezes é suficiente para livrá-lo do obsessor, sem o socorro de pessoas estranhas. Este socorro se torna necessário quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque neste caso o paciente não raro perde a vontade e o livre-arbítrio. Quase sempre a obsessão exprime vingança tomada por um Espírito e sua origem frequentemente se encontra nas relações que o obsidiado manteve com o obsessor, em precedente existência. Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É daquele fluido que é preciso desembaraçá-lo. Ora, um fluido mau não pode ser eliminado por outro igualmente mau. Por meio de ação idêntica à do médium curador, nos casos de enfermidade, há que se expulsar o fluido mau com o auxílio de um fluido melhor. Nem sempre, porém, basta esta ação mecânica; cumpre, sobretudo, atuar sobre o ser inteligente, ao qual é preciso que se tenha o direito de falar com autoridade, que, entretanto, não a possui quem não tenha superioridade moral. Quanto maior esta for, tanto maior também será aquela. Mas ainda não é tudo: para assegurar a libertação, é preciso que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios; que nele desponte o arrependimento, assim como o desejo do bem, por meio de instruções habilmente ministradas, em evocações particularmente feitas com vistas à sua educação moral. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito. A tarefa se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, concorre para ela com a vontade e a prece. Já não se dá o mesmo quando, seduzido pelo Espírito que o domina, se ilude com relação às qualidades deste último e se compraz no erro a que é conduzido, porque, então, longe de a secundar, o obsidiado repele toda assistência. É o caso da fascinação, sempre infinitamente mais rebelde do que a mais violenta subjugação. (O livro dos médiuns, Segunda parte, cap. XXIII.) Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar de que se dispõe para atuar contra os propósitos maléficos do Espírito obsessor.
TAG Valor
Nome do Capítulo Os fluidos
Tema Explicação de alguns fenômenos considerados sobrenaturais
Sub-Tema Obsessões e possessões
Item 46