De ouro, púrpura e opala, os grandes refletores, A refletir do dia o seu declínio em cores, Deixava pensativo o camponês Simão; Em seus olhos assim uma lágrima brilha.
Esse imenso clarão na alma dele fervilha E um profundo sentir lhe invade o coração.
Simão não é um homem de ciência, Não conhece a matéria e as mecânicas leis; Mas tem mais em bom-senso; ele tem consciência; Ele é inteligente e modesto por vez.
No fervor de seu devaneio, Tais nomes murmurava: Alma, Deus, Criador, Quando um riso de alguém com deboche lhe veio, Surgiu ao lado seu. Quem era o zombador?
Era o senhor seu filho!... Um moço imberbe ainda, Mas diplomado já... que de sábio se guinda.
– Menino, eu admiro o esplendor Desse harmônico quadro, tão grandioso, Vejo em meu coração, creio com amor.
– E o filho co’ironia, exaltado e vaidoso: Vós vedes, o dizeis, e credes... está bem!
Quanto a mim nada vejo e nada de mais tem.
– Com chistes ou graças velhacas, Opinoso e insistente em se dando razão, O jovem bacharel olhava o espaço então, Com suas lunetas opacas.
Sabedores materialistas, De pretensiosos tais vós pertenceis as listas, Vossas demonstrações falíveis, incompletas, Não estão nas vossas lunetas?
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