Estatística do Espiritismo
7o – Marceneiros. – Tipógrafos. 8o – Grandes industriais e chefes de estabelecimentos. 9o – Livreiros. – Impressores. 10o – Pintores de casas. – Pedreiros. – Serralheiros. – Merceeiros. – Domésticos. Desta lista, resultam as seguintes conseqüências: 1o – Que há espíritas em todos os graus da escala social; 2o – Que há mais homens do que mulheres espíritas. É certo que nas famílias divididas por suas crenças, no tocante ao Espiritismo, há mais maridos contrariados pela oposição de suas esposas do que mulheres pela dos maridos. Não é menos constante que, em todas as reuniões espíritas, os homens estejam em maioria. É, pois, injustamente que a crítica pretendeu que a Doutrina é recrutada principalmente entre as mulheres, em virtude de sua inclinação para o maravilhoso. É precisamente o contrário: essa inclinação para o maravilhoso e para o misticismo em geral as torna mais refratárias que os homens; essa predisposição faz que aceitem mais facilmente a fé cega, que dispensa qualquer exame, ao passo que o Espiritismo, não admitindo senão a fé raciocinada, exige reflexão e dedução filosófica para ser bem compreendido, para o que a educação estreita dada às mulheres torna-as menos aptas que os homens. As que sacodem o jugo imposto à sua razão e ao seu desenvolvimento intelectual, muitas vezes caem no excesso contrário; tornam-se o que chamam de mulheres fortes e sua incredulidade mais tenaz; 3o – Que a grande maioria dos espíritas se acha entre pessoas esclarecidas, e não entre os ignorantes. Por toda parte o Espiritismo se propagou de alto a baixo da escala social, e em parte alguma se desenvolveu primeiro nas camadas inferiores; 4o – Que a aflição e a infelicidade predispõem às crenças espíritas, em conseqüência das consolações que proporcionam. É a razão pela qual, na maioria das categorias, a proporção dos espíritas está na razão da inferioridade hierárquica, porque é aí que há mais privações e sofrimentos, ao passo que os titulares das posições superiores em geral pertencem à classe dos satisfeitos, à exceção do estado militar, onde os simples soldados figuram em último lugar; 5o – Que o Espiritismo encontra mais fácil acesso entre os incrédulos em matéria religiosa do que entre os que têm uma fé irrevogável; 6o – Enfim, que depois dos fanáticos, os mais refratários às idéias espíritas são os sensualistas e as pessoas cujos únicos pensamentos estão concentrados nas posses e nos prazeres materiais, seja qual for a classe a que pertençam, o que independe do grau de instrução. Em resumo, o Espiritismo é acolhido como um benefício pelos que ele ajuda a suportar o fardo da vida, e é repelido ou desdenhado por aqueles a quem prejudicaria no gozo da vida. Partindo deste princípio, facilmente se explicam o lugar que ocupam, nesse quadro, certas categorias de indivíduos, a despeito das luzes que são uma condição de sua posição social. Pelo caráter, gostos, hábitos e gênero de vida das pessoas, pode-se julgar do avanço de sua aptidão para assimilar as idéias espíritas. Em alguns, a resistência é uma questão de amor-próprio, que segue quase sempre o grau do saber; quando esse saber os faz conquistar uma certa posição social, que os põe em evidência, não querem admitir que se podiam ter enganado e que outros possam ter visto melhor. Oferecer provas a certas pessoas é oferecer-lhes o que mais temem; e, com medo de achá-las, tapam os olhos e os ouvidos, preferindo negar a priori e se abrigarem atrás de sua infalibilidade, de que estão muito convencidas, digam o que disserem. Explica-se menos facilmente a causa da posição que ocupam, nesta classificação, certas profissões industriais. Pergunta-se, por exemplo, por que os alfaiates aí ocupam a primeira posição, enquanto a livraria e a imprensa, profissões bem mais intelectuais, estão quase na última. É um fato constatado há muito tempo e do qual ainda não nos demos conta. Se, no levantamento acima, em vez de não abranger senão os espíritas de fato, tivessem considerado os espíritas inconscientes, aqueles nos quais essas idéias estão em estado de intuição e que fazem Espiritismo sem o saber, certamente várias categorias teriam sido classificadas de modo diverso; por exemplo, os literatos, os poetas, os artistas, numa palavra, todos os homens de imaginação e de inspiração, os crentes de todos os cultos estariam, sem sombra de dúvida, no primeiro lugar. Certos povos, nos quais as crenças espíritas de certo modo são inatas, também ocupariam outra posição. Eis por que essa classificação não poderia ser absoluta, e se modificará com o tempo. Os médicos homeopatas estão à frente das profissões liberais porque, com efeito é a que, guardadas as devidas proporções, conta em suas fileiras maior número de adeptos do Espiritismo; em cem médicos espíritas, há pelo menos oitenta homeopatas. Isto se deve a que o princípio mesmo de sua medicação os conduz ao espiritualismo; por isso os materialistas são muito raros entre eles, se é que os há, ao passo que são numerosos entre os alopatas. Melhor que estes últimos, compreenderam o Espiritismo, porque encontraram nas propriedades fisiológicas do perispírito, unido ao princípio material e ao princípio espiritual, a razão de ser de seu sistema. Pelo mesmo motivo, os espíritas puderam, melhor que os outros, compreender os efeitos desse modo de tratamento. Sem ser exclusivos a respeito da homeopatia, e sem rejeitar a alopatia, compreenderam a sua racionalidade e a sustentaram contra ataques injustos. Os homeopatas, achando novos defensores nos espíritas, não foram inábeis a ponto de lhes atirar a pedra. Se os magnetistas figuram na primeira linha, logo após os homeopatas, malgrado a oposição persistente e muitas vezes acerba de alguns, é que os oponentes não formam senão pequeníssima minoria ao lado da massa dos que são, pode-se dizer, espíritas por intuição. O magnetismo e o Espiritismo são, com efeito, duas ciências gêmeas, que se completam e explicam uma pela outra, e das duas, a que não quer imobilizar-se não pode chegar ao seu complemento sem se apoiar na sua congênere; isoladas uma da outra, detêm-se num impasse; são reciprocamente como a Física e a Química, a Anatomia e a Fisiologia. A maioria dos magnetistas compreende de tal modo por intuição a relação íntima que deve existir entre as duas coisas, que geralmente se prevalecem de seus conhecimentos em magnetismo, como meio de introdução junto aos espíritas. Em todos os tempos os magnetistas foram divididos em dois campos: os espiritualistas e os fluidistas. Estes últimos, muito menos numerosos, pelo menos fazendo abstração do princípio espiritual, quando não o negam absolutamente, referindo tudo à ação do fluido material, estão, por conseguinte, em oposição de princípios com os espíritas. Ora, é de notar que, se nem todos os magnetistas são espíritas, todos os espíritas, sem exceção, admitem o magnetismo. Em todas as circunstâncias, fizerem-se seus defensores e sustentáculos. Deviam ter-se admirado de encontrar adversários mais ou menos malévolos nos mesmos cujas fileiras acabavam de reforçar; que, depois de terem sido, durante mais de meio século, vítimas de ataques, de zombarias e de perseguições de toda sorte, por sua vez atirem a pedra, os sarcasmos e muitas vezes a injúria aos auxiliares que lhes chegam e começam a pesar na balança pelo seu número. Aliás, como dissemos, esta oposição está longe de ser geral; muito ao contrário. Pode-se afirmar, sem se afastar da verdade, que não chega a 2 ou 3% da totalidade dos magnetistas; ela é muito menor ainda entre os da província e do estrangeiro do que entre os de Paris.
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Mês Janeiro
Ano 1869