Em Lyon acaba de formar-se um novo grupo em condições especiais, que merecem ser assinaladas, como encorajamento e bom exemplo. Esta reunião tem duplo objetivo: a instrução e a beneficência. No que tange à instrução, ele se propõe dedicar uma parte menor que a geralmente dedicada às comunicações mediúnicas e, em contrapartida, consagrar uma maior às instruções orais, com vistas a desenvolver e explicar os princípios do Espiritismo. No que respeita à beneficência, a nova sociedade se propõe vir em auxílio das pessoas necessitadas, por meio de donativos de objetos comuns, tais como roupa branca, vestuários, etc. Além do que puder recolher, as senhoras que dela fazem parte dão sua quota de trabalho pessoal na confecção de roupas e em visitas aos pobres doentes. Um dos membros dessa sociedade nos escreve a respeito: “Graças ao zelo da Sra. G..., em breve Lyon contará com mais uma reunião espírita. Tal reunião alcançará o objetivo a que se propõe? Só o futuro dirá. Se ainda é pouco numerosa, pelo menos conta com elementos devotados, cheios de fé e de caridade. Podemos fracassar no empreendimento, mas, ao menos, nossas intenções são boas. Bastará que a Sociedade de Paris, sob a égide da qual nos colocamos, nos aprove e nos ajude com seus conselhos, para que perseveremos, auxiliados por seu apoio moral.”
Este apoio jamais faltará a toda obra fundada segundo o verdadeiro espírito do Espiritismo, e que tenha por objetivo a realização do bem. A Sociedade de Paris sempre se rejubila ao ver a doutrina produzir bons frutos. Ela só declinará de qualquer solidariedade em relação a grupos ou sociedades que, desconhecendo o princípio de caridade e de fraternidade, sem o qual não há verdadeiros espíritas, vissem as outras reuniões com maus olhos, lhes atirassem pedras ou procurassem denegri-las sob um pretexto qualquer. A caridade e a fraternidade se reconhecem por suas obras, e não por palavras; é uma medida de apreciação que não enganará senão os que se cegam quanto ao seu próprio mérito, mas não a terceiros desinteressados; é a pedra de toque, pela qual se reconhece a sinceridade de sentimentos. E em Espiritismo, quando se fala de caridade, sabe-se que não se trata apenas daquela que dá, mas, também e sobretudo, da que esquece e perdoa, que é benevolente e indulgente, que repudia todo sentimento de ciúme e de rancor. Toda reunião espírita que não se fundasse sobre o princípio da verdadeira caridade, seria mais prejudicial que útil à causa, porque tenderá a dividir, em vez de unir; aliás, traria em si mesma o seu elemento destruidor. Assim, nossas simpatias pessoais serão sempre conquistadas por todas que provarem, por seus atos, o Espírito bom que as anima, porque os Espíritos bons não podem inspirar senão o bem.
No próximo número, falaremos das novas sociedades espíritas de Bruxelas, Turim e Esmirna, que igualmente se colocam sob o patrocínio da Sociedade de Paris.