Esses fenômenos, embora executados por Espíritos inferiores, muitas vezes são provocados por Entidades de ordem mais elevada, com o fim de demonstrarem a existência de seres incorpóreos e de uma potência superior ao homem. A repercussão que eles têm, o próprio temor que causam, chamam a atenção e acabarão por abrir os olhos dos mais incrédulos. Estes acham mais simples considerar tais fatos como produto da imaginação, explicação muito cômoda e que dispensa outras. Entretanto, quando objetos são espalhados por toda parte ou atirados à cabeça de alguém, só uma imaginação muito complacente poderia supor que tais coisas sejam reais, quando na verdade não o são. Desde que se nota um efeito qualquer, ele tem necessariamente uma causa. Se uma observação fria e calma nos demonstra que esse efeito independe de toda vontade humana e de toda causa material; se, além disso, nos dá evidentes sinais de inteligência e de vontade livre, o que constitui o sinal mais característico, não há razão para deixar-se de atribuí-lo a uma inteligência oculta. Que seres misteriosos são esses? É o que os estudos espíritas nos ensinam do modo quase indiscutível, pelos meios que nos facultam de nos comunicarmos com eles.
Esses estudos, além disso, nos ensinam a distinguir o que é real do que é falso, ou exagerado, nos fenômenos de que não fomos testemunha. Se um efeito estranho se produz, tal como um ruído, um movimento, ou mesmo uma aparição, a primeira ideia que se deve ter é a de que seja devido a uma causa inteiramente natural, por ser a mais provável. É preciso então buscar essa causa com o maior cuidado, não admitindo a intervenção dos Espíritos senão depois de bem investigada. Esse é o meio de se evitar qualquer ilusão. Alguém, por exemplo, que recebesse uma bofetada, ou uma bengalada nas costas, mesmo sem se haver aproximado de quem quer que fosse, como tem acontecido, não poderia duvidar da presença de um ser invisível.
Devemos resguardar-nos não somente das narrativas que contenham exageros, mas também das nossas próprias impressões, não atribuindo origem oculta a tudo quanto escape à nossa compreensão. Uma infinidade de causas muito simples e muito naturais pode produzir efeitos aparentemente estranhos, e seria verdadeira superstição ver por toda parte Espíritos ocupados em derrubar móveis, quebrar louças, provocar, enfim, as inúmeras perturbações que ocorrem nos lares, quando mais racional é atribuí- las à negligência de seus moradores.