Capítulo 1
Além do fato de que esses sistemas não satisfazem nem a razão nem as aspirações do homem, deles decorrem, como se vê, dificuldades insuperáveis, pois são impotentes para resolver de fato todas as questões que levantam. O homem tem, pois, três alternativas: o nada, a absorção, ou a individualidade da alma antes e depois da morte. É para esta última crença que a lógica nos impele irresistivelmente, crença que tem formado a base de todas as religiões desde que o mundo existe. Se a lógica nos conduz à individualidade da alma, também nos aponta esta outra consequência: a sorte de cada alma deve depender das suas qualidades pessoais, pois seria irracional admitir que a alma atrasada do selvagem, como a do homem perverso, estivesse no mesmo nível da do cientista e do homem de bem. Segundo os princípios de justiça, as almas devem ter a responsabilidade dos seus atos, mas para que sejam responsáveis, é preciso que elas sejam livres na escolha do bem e do mal. Sem o livre-arbítrio há fatalidade, e com a fatalidade não poderia haver responsabilidade.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo O porvir e o nada
Item 10