2o Evocação do suicida da Rua Quincampoix.
3o Evocação de Gustave Lenormand.
4o Perguntas diversas sobre os médiuns.
5o Três ditados são obtidos simultaneamente: o primeiro, sobre o Saber dos Espíritos, assinado por Channing; o segundo, continuação da Eletricidade do Pensamento, assinado por Delphine de Girardin; o terceiro, sobre a Caridade, assinado por Lamennais, a propósito da nota lida sobre o muçulmano Seih-ben-Moloka.
Sexta-feira, 20 de julho de 1860 – Sessão particular Leitura da ata e dos trabalhos da sessão de 13 de julho.
O Presidente faz observar que, desde algum tempo, têm-se negligenciado de ler, como fora combinado, os nomes dos Espíritos que reclamam assistência. Doravante isto será feito em seguida à evocação geral.
Comunicações diversas: 1o Leitura de dois ditados obtidos pelo Sr. C..., novo médium, um sobre as Pretensões do homem, assinado por Massillon; o outro sobre o Futuro, assinado por São Luís. Pergunta o Sr. C...
se, sobretudo neste último ditado, não existe algo que denote uma substituição de Espírito, sem se levar em conta a sua própria opinião.
Após uma leitura atenta, a Sociedade reconhece na comunicação o cunho de uma incontestável superioridade, nada vendo que desminta o caráter de São Luís, concluindo que não pode emanar senão de um Espírito elevado.
2o Outro ditado sobre a Experiência, obtido pela Sra.
Costel e assinado por Georges.
O presidente anuncia que vários sócios novos fazem notáveis progressos como médiuns de diversos gêneros. Convida-os a comunicar à Sociedade os fatos que obtiverem. A Sociedade é necessariamente limitada em seus trabalhos pelo tempo; deve ser o centro a que chegarão os resultados obtidos nas reuniões particulares. Seria até egoísmo guardar para si trabalhos que podem ser úteis a todos. Aliás, é um meio de controle, pelos esclarecimentos que podem suscitar, a menos que o médium esteja convencido da infalibilidade de suas comunicações, ou tenha recebido, como o de Limoges, a imposição de os manter secretos, o que certamente seria um mau augúrio e um duplo motivo de suspeita. A primeira qualidade de um médium é a abnegação de todo amor-próprio, como de toda falsa modéstia, pela simples razão de que, não sendo mais que um instrumento, não pode atribuir-se o mérito do que recebe de bem, nem se melindrar com a crítica do que pode ser mau. A Sociedade é uma família, cujos membros, animados de recíproca benevolência, devem ser movidos pelo único desejo de instruir-se, banindo todo sentimento de personalismo e de rivalidade, se compreendem a doutrina como verdadeiros espíritas. A propósito, o Sr. C... deu muito bom exemplo e mostrou não ser desses médiuns que julgam nada mais ter a aprender, só porque recebem algumas comunicações assinadas por grandes nomes. Ao contrário, quanto mais imponentes os nomes, mais devemos temer ser joguete de Espíritos enganadores.
3o O Sr. Achille R... lê uma carta, relatando um fato curioso de manifestação espontânea, ocorrido na prisão de Limoges, cuja realidade foi constatada pelo autor da carta.
(Publicada adiante, no artigo Variedades).
4o O Sr. Allan Kardec narra outro fato muito bizarro, que lhe foi relatado no ano passado, por um visitante cujo nome e endereço não se recorda, fonte a que, em conseqüência, não pode recorrer para o verificar. Eis do que se trata: Um médico crente e um seu amigo que em nada acreditava conversavam a respeito do Espiritismo; o primeiro disse ao outro: “Vou tentar uma prova; ignoro se dará resultado; em todo caso, não respondo por nada. Designai-me uma pessoa viva que vos seja muito simpática.” Tendo o amigo indicado uma moça que reside numa cidade bastante afastada e que era igualmente conhecida do médico, este lhe disse: “Ide passear no jardim e observai o que se passa; repito que é um ensaio que faço e que pode não produzir nada.” Durante o passeio do amigo ele evocou a jovem. Ao cabo de um quarto de hora o amigo voltou e lhe disse: “Acabo de ver aquela pessoa; estava vestida de branco, aproximou-se de mim, apertou-me a mão e desapareceu em seguida. Mas o que é muito singular é que me deixou no dedo este anel.”
Imediatamente o médico enviou ao pai da moça o seguinte telegrama: “Não me questioneis; mas respondei-me sem demora e dizei o que fazia vossa filha às três horas e como estava vestida.” A reposta foi esta: “Às três horas minha filha estava comigo no salão; usava um vestido branco; adormeceu durante quinze a vinte minutos; ao despertar, percebeu que não tinha mais o anel que usa habitualmente.”
Travou-se uma discussão sobre o fato, cujos diferentes graus de probabilidade e de improbabilidade foram examinados.
Interrogado a respeito, São Luís responde: “O fato da aparição é possível; o do transporte não o é menos, pelo perispírito de uma pessoa viva. Certamente, a Deus tudo é possível, mas ele não permite tais coisas senão muito raramente. Um Espírito desprendido pode fazer esses transportes mais facilmente. Quanto a vos dizer se o fato é verdadeiro, eu o ignoro.”
Nota – Publicado o fato, se por acaso cair nas mãos da pessoa que o relatou, seremos gratos pelos esclarecimentos que houver por bem nos dar a respeito.
Estudos: 1o Perguntas sobre os Espíritos que tomam nomes fictícios.
2o Evocação do Espírito da Rua des Noyers.
3o São obtidos cinco ditados espontâneos: o primeiro de Lamennais, sobre uma retificação que pede, da ata de sua comunicação sobre a Caridade; o segundo, sobre As vítimas da Síria, assinado por Jean; o terceiro, sobre As aberrações da inteligência, assinado por Georges; o quarto sobre Os erros dos médiuns, assinado por Paul; e o quinto sobre o Concurso dos médiuns, assinado por Gustave Lenormand.
Durante a sessão ouviram-se batidas muito distintas perto da Srta. Stephan. Era o Espírito Gustave que, como disse, queria constrangê-la a escrever coisas com que ela pouco se importava. Pensou que era um meio de provocar perguntas que a obrigariam a vir à mesa, desejando ele mesmo dar uma comunicação por seu intermédio.
Depois da sessão, numa comunicação particular, tendo perguntado a São Luís se ficara satisfeito, respondeu ele: “Sim e não; errastes ao tolerar cochichos contínuos de certos membros, quando os Espíritos são interrogados. Por vezes recebeis comunicações que exigem réplicas sérias de vossa parte, e respostas ainda mais sérias da parte dos Espíritos evocados que, assim, ficai certos, ficarão descontentes. Daí nada pode sair perfeito, porque o médium que escreve experimenta por sua vez graves distrações, prejudiciais ao seu ministério. Há uma coisa a fazer: ler estas observações na próxima sessão, que serão compreendidas por todos os sócios. Dizei-lhes que aqui não é um gabinete para conversa.”
São Luís