Erasto Observação – A propósito da discussão que ocorreu na Sociedade, sobre a mediunidade dos animais, disse o Sr. Allan Kardec ter observado muito atentamente as experiências feitas nestes últimos tempos em aves, às quais se atribuía a faculdade mediúnica, acrescentando ter reconhecido, de maneira incontestável, os processos da prestidigitação, isto é, das cartas marcadas38, empregadas com muita habilidade, para darem ilusão ao espectador que, sem se preocupar com o fundo, contenta-se apenas com a aparência. Efetivamente, essas aves fazem coisas que nem o mais inteligente dos homens, nem mesmo o sonâmbulo mais lúcido poderiam fazer, levando-se a concluir que seriam dotadas de faculdades intelectuais superiores às do homem e assim contrariando as leis da Natureza. O que mais se deve admirar em tais experiências é a arte, a paciência que foi preciso desenvolver para adestrar esses animais, tornando-os dóceis e atentos. Para obter tais resultados, certamente foi necessário ocupar-se com naturezas flexíveis, mas, em última análise, só com animais amestrados, nos quais há mais hábito do que combinações. E a prova disso é que, se deixam de treiná-los durante algum tempo, logo perdem o que aprenderam. O encanto dessas experiências, como o de todas as manobras de prestidigitação, está no segredo dos processos utilizados. Uma vez conhecido o processo, perdem todo o seu atrativo; foi o que aconteceu quando os saltimbancos quiseram imitar a lucidez sonambúlica pelo pretenso fenômeno a que chamavam dupla vista. Nesse caso, não pode haver ilusão para quem quer que conheça as condições normais do sonambulismo.
Dá-se o mesmo com a pretensa mediunidade das aves, facilmente percebida por qualquer observador experiente.