Capítulo 7
Sejam quais forem a inferioridade e a perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona. Todos têm seu anjo da guarda que por eles vela, que lhes espreitam os movimentos da alma e se esforçam por suscitar-lhes bons pensamentos, desejos de progredir e de reparar em nova existência o mal que praticaram. Contudo, a interferência desse guia protetor faz-se quase sempre de maneira oculta, sem exercer qualquer pressão, pois o Espírito deve progredir por impulso da própria vontade, e não por um constrangimento qualquer. Agirá bem ou mal em virtude do seu livre-arbítrio, mas sem ser fatalmente impelido num sentido ou em outro. Se persistir no mal, sofrerá as consequências por tanto tempo quanto durar essa persistência; desde, porém, que dê um passo em direção ao bem, sentirá imediatamente os seus efeitos benéficos. Observação – Seria erro supor que, em virtude da lei de progresso, a certeza de atingir mais cedo ou mais tarde a perfeição e a felicidade pode estimular o homem a perseverar no mal, contanto que se arrependa depois: primeiro porque o Espírito inferior não divisa o termo da sua situação; e segundo porque, sendo ele o autor da própria infelicidade, acaba por compreender que depende de si fazê-la cessar; que será tanto mais infeliz quanto maior for o tempo em que perseverar no mal; finalmente, que o sofrimento nunca cessará se ele próprio não lhe der fim. Seria, pois, um cálculo equivocado, cujas consequências o Espírito seria o primeiro a reconhecer. Com o dogma das penas irremissíveis é que se verifica, precisamente, essa hipótese, já que lhe é interdita para sempre toda ideia de esperança, não tendo, pois, o homem qualquer interesse em converter-se ao bem, para ele sem proveito. Diante dessa lei cai a objeção tirada da presciência divina. De fato Deus sabe, ao criar uma alma, se ela tomará ou não o bom caminho, pois que dispõe do seu livre-arbítrio; sabe que será punida se fizer o mal; mas sabe também que tal castigo temporário é um meio de fazê-la compreender o erro e de levá-la ao bom caminho, onde entrará mais cedo ou mais tarde. Segundo a doutrina das penas eternas, Deus sabe que essa alma falirá e, portanto, que está previamente condenada a torturas sem-fim.
TAG Valor
Parte Primeira
Nome do Capítulo As penas futuras segundo o Espiritismo
Tema Código penal da vida futura
Item 20º