Por outro lado, não se poderia conceber um Deus soberanamente justo e bom, a criar seres inteligentes e sensíveis, para os votar ao nada, após alguns dias de sofrimentos sem compensações, a recrear-se nessa sucessão indefinida de seres que nascem sem o haverem pedido, pensando por um instante apenas para conhecerem a dor, e se extinguindo para sempre após efêmera existência.
Sem a sobrevivência do ser pensante, os sofrimentos da vida seriam, da parte de Deus, uma crueldade sem objetivo. Eis por que o materialismo e o ateísmo são corolários um do outro; negando a causa, não podem admitir o efeito; negando o efeito, não podem admitir a causa. O materialismo é, pois, coerente consigo mesmo, embora não o seja com a razão.