Capítulo 4
24. Dizes que o Espírito não se serve de suas mãos para deslocar a mesa. Entretanto, já se tem visto, em certas manifestações visuais, aparecerem mãos a dedilhar um teclado, a percutir as teclas e produzir sons. Neste caso, o movimento das teclas não será devido, como parece, à pressão dos dedos? Essa pressão não é tão direta e real quanto a pressão que sentimos em nós mesmos, quando as mãos que a exercem deixam marcas na pele? “Não podeis compreender a natureza dos Espíritos, nem a maneira pela qual eles atuam, a não ser por meio de comparações, que vos dão apenas uma ideia incompleta. É, pois, um erro assimilar os vossos métodos aos processos de que eles se utilizam, processos que devem corresponder à organização que lhes é própria. Já não vos dissemos que o fluido do perispírito penetra a matéria e com ela se identifica, animando-a de uma vida artificial? Pois bem! Quando o Espírito põe os dedos sobre as teclas, realmente os põe e de fato as movimenta. Porém, não é por meio da força muscular que exerce a pressão; ele as anima, como o faz com a mesa, de modo que as teclas, obedecendo-lhe à vontade, se abaixam e fazem vibrar as cordas do piano. Aliás, passa- se aqui um fato de difícil compreensão para vós: é que alguns Espíritos são de tal forma materiais e tão pouco avançados, em comparação com os Espíritos elevados, que ainda conservam as ilusões da vida terrena e julgam atuar como quando estavam no corpo. Não percebem a verdadeira causa dos efeitos que produzem, do mesmo modo que um homem do campo é incapaz de compreender a teoria dos sons que articula. Perguntai-lhes como é que tocam piano e vos responderão que é batendo com os dedos nas teclas, porque julgam ser assim que o fazem. O efeito se produz instintivamente neles, sem que saibam de que maneira, embora lhes resulte da ação da vontade. Dá-se a mesma coisa quando eles se exprimem por palavras.” OBSERVAÇÃO – Resulta destas explicações que os Espíritos podem produzir todos os efeitos que nós mesmos produzimos, mas por meios apropriados à sua organização. Algumas forças, que lhes são próprias, substituem os músculos de que precisam para atuar, da mesma forma que a mímica, nos surdos, substitui a palavra que lhes falta.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Teoria das manifestações físicas
Tema Ruídos
Item 74
Sub-Item 24