Nas sociedades ocidentais lida-se muito mal com a morte. Existe muito temor em tomo dela. A morte existe?
— Não há morte, ninguém se equivoque.
Só há vida, onde quer que se detenha o pensamento.
Da decomposição pestilencial da matéria surgem multiplicadas, complexas formas de vida.
Morre a lagarta em histólise de desagregação para surgira borboleta em histogênese admirável...
Morre a semente para libertara planta...
Morre o sêmen para formar o corpo...
Morre o corpo para que se liberte o Espírito que dele se utiliza como de um veículo em romagem purificadora.
Sem dúvida, a morte constitui dor inominável quando arrebata o ser querido, retirando-o da convivência e da ternura dos que o amam...
Desencarnar é desembaraçar-se da carne.
Morrer, literalmente, significa cessar de viver.
Do ponto de vista espiritual, porém, morte é vida e vida no corpo pode afigurar-se como morte transitória da liberdade e da plenitude da lucidez.
Vive, pois, de tal forma que, advindo a morte ou desencarnação, estejas livre e prossigas feliz.
(Após a Tempestade - 3ã edição - p. 121 -123)