Capítulo 31
O dom da mediunidade é tão antigo quanto o mundo. Os profetas eram médiuns. Os mistérios de Elêusis se fundavam na mediunidade. Os caldeus e os assírios dispunham de médiuns. Sócrates era dirigido por um Espírito que lhe inspirava os admiráveis princípios de sua filosofia; ele lhe ouvia a voz. Todos os povos tiveram seus médiuns e as inspirações de Joana d’Arc não eram mais do que vozes de Espíritos benfazejos que a dirigiam. Esse dom, que agora se espalha, se tornara mais raro nos tempos medievais; porém, nunca desapareceu. Swedenborg e seus adeptos constituíram numerosa escola. A França dos últimos séculos, zombeteira e preocupada com uma filosofia que, pretendendo extinguir os abusos da intolerância religiosa, abafou sob o ridículo tudo o que era ideal, tinha que afastar o Espiritismo, que progredia sem cessar ao Norte. Deus havia permitido essa luta de ideias positivas contra as ideias espiritualistas, porque o fanatismo se constituíra a arma destas últimas. Agora, que os progressos da Indústria e da Ciência desenvolveram a arte de bem viver, a tal ponto que as tendências materiais se tornaram dominantes, Deus quer que os Espíritos sejam reconduzidos aos interesses da alma. Quer que o aperfeiçoamento do homem moral se torne o que deve ser, isto é, o fim e o objetivo da vida. O espírito humano segue em marcha necessária, imagem da gradação que experimenta tudo o que povoa o Universo visível e invisível. Todo progresso vem na sua hora: a da elevação moral já soou para a Humanidade. Ela não se cumprirá ainda nos vossos dias, mas agradecei ao Senhor por haver permitido que assistais à aurora bendita.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Dissertações espíritas
Tema Sobre os médiuns
Item 11