Capítulo 4
SISTEMA DA LOUCURA – Alguns, por condescendência, concordam em pôr de lado a suspeita de embuste, mas sustentam que os que não iludem são iludidos, o que equivale a chamá-los de imbecis. Quando os incrédulos falam sem rodeios, declaram, pura e simplesmente, que os que creem são loucos, atribuindo-se desse modo e sem qualquer cerimônia, o privilégio do bom senso. Esse é o grande argumento dos que não encontram nenhuma razão plausível a apresentar. Afinal, semelhante maneira de atacar se tornou ridícula, tal a sua banalidade, e não merece que se perca tempo em refutá-la. Os próprios espíritas pouco se importam com isso; tomam corajosamente seu partido e se consolam, lembrando-se de que têm por companheiros de infortúnio muitas pessoas de mérito incontestável. Realmente, é preciso convir em que essa loucura, se loucura existe, apresenta uma característica muito singular: a de atingir de preferência as classes instruídas, em cujo seio se encontra, até o presente, a imensa maioria dos adeptos do Espiritismo. Se, nesse número, se manifestam algumas excentricidades, elas nada provam contra a Doutrina, do mesmo modo que os loucos religiosos nada provam contra a religião, nem os melomaníacos contra a música, ou os loucos matemáticos contra a matemática. Todas as ideias sempre tiveram fanáticos exagerados e é preciso que se seja dotado de juízo muito obtuso, para confundir o exagero de uma coisa com a própria coisa. Para mais amplas explicações a este respeito, recomendamos ao leitor a nossa brochura: O que é o espiritismo e O livro dos espíritos (Introdução, § XV).
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Parte Primeira
Nome do Capítulo Sistemas
Item 39