Capítulo 4
A Bíblia, evidentemente, encerra fatos que a razão, desenvolvida pela Ciência, não poderia hoje aceitar e outros que parecem estranhos e repelentes, porque resultam de costumes que já não são os nossos. Mas, a par disso, haveria parcialidade em não se reconhecer que ela contém grandes e belas coisas. A alegoria ocupa ali considerável espaço, ocultando sob o seu véu sublimes verdades, que se tornam claras desde que se desça ao âmago do pensamento, pois logo o absurdo desaparece. Por que, então, não se lhe ergueu mais cedo o véu? De um lado, por falta de luzes que só a Ciência e uma sã filosofia podiam fornecer e, de outro lado, pelo princípio da imutabilidade absoluta da fé, consequência de um respeito demasiado cego pela letra, sob o qual a razão devia inclinar-se, e pelo temor de comprometer a estrutura das crenças, erguida sob o sentido literal. Como tais crenças partissem de um ponto primitivo, temeu-se que, se o primeiro anel da cadeia se rompesse, todas as malhas da rede acabassem por se separar. Eis por que, apesar de tudo, os olhos se fecharam, mas fechar os olhos ao perigo não é evitá-lo. Quando uma construção se inclina, não manda a prudência que se substituam imediatamente as pedras ruins por pedras boas, em vez de se esperar, pelo respeito que infunde a solidez do edifício, que o mal se torne irremediável e que se faça preciso reconstruí-lo de cima a baixo?
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Nome do Capítulo O papel da Ciência na Gênese
Item 6