O estudo prévio da teoria apresenta ainda outra vantagem: a de mostrar imediatamente a grandeza do objetivo e o alcance desta ciência. Aquele que começa por ver uma mesa a girar, ou a bater, se sente mais inclinado à zombaria, porque dificilmente imaginará que de uma mesa possa sair uma doutrina regeneradora da Humanidade. Temos notado sempre que os que creem, antes de ter visto, apenas porque leram e compreenderam, longe de superficiais, são, ao contrário, os que mais refletem. Dando maior atenção ao fundo do que à forma, para eles a parte filosófica é o principal, sendo acessórios os fenômenos propriamente ditos. Chegam mesmo a dizer que se os fenômenos não existissem, nem por isso esta filosofia deixaria de ser a única que resolve todos os problemas até hoje insolúveis; que só ela apresenta a teoria mais racional do passado do homem e do seu futuro. Como é natural, preferem uma doutrina que realmente explica, às que nada explicam, ou explicam mal.
Quem quer que reflita compreende perfeitamente que se poderiam deixar de lado as manifestações, sem que a Doutrina deixasse de subsistir. As manifestações corroboram e confirmam o Espiritismo, porém, não constituem a sua base essencial. O observador criterioso não as repele; ao contrário, aguarda circunstâncias favoráveis, que lhe permitam testemunhá-las. A prova disto é que grande número de pessoas, antes de ouvirem falar das manifestações, já tinham a intuição dessa doutrina, que não fez mais do que lhes dar um corpo, um conjunto às suas ideias.