Pergunta (a Hahnemann) – Pois que dentro em breve teremos acabado a primeira parte do livro, lembrei-me de que, para andarmos mais depressa, eu poderia pedir a B... que me ajudasse, como médium; que achas?
Resposta – Acho que será melhor não te servires dele. — Por quê? — Porque a verdade não pode ser interpretada pela mentira.
P. – Mesmo que o Espírito familiar de B... seja afeito à mentira, isso não obstaria a que um bom Espírito se comunicasse pelo médium, desde que se não evocasse outro Espírito.
R. – Sim, mas aqui o médium secunda o Espírito e, quando o Espírito é velhaco, ele se presta a auxiliá-lo. Aristo, seu intérprete, e B... acabarão mal.
Nota – B..., bem moço, era um médium escrevente muito maleável, mas assistido por um Espírito muito orgulhoso e arrogante, que dava o nome de Aristo
e que lhe lisonjeava o amor-próprio. As previsões de Hahnemann se realizaram.
O moço, julgando ter na sua faculdade um meio de enriquecer, já atendendo
a consultas médicas, já realizando inventos e descobertas produtivas, somente
colheu decepções e mistificações. Passado algum tempo, ninguém mais ouviu
falar dele.
12 de junho de 1856
(Em casa do Sr. C... – Médium: Srta. Aline C...)