Capítulo 11
Se a lei de Moisés deve ser tão rigorosamente observada neste ponto, deve sê-lo igualmente em todos os outros. Por que seria ela boa no tocante às evocações e má em outras de suas partes? É preciso ser consequente. Desde que se reconhece que a lei mosaica não está mais de acordo com a nossa época e costumes em certos casos, não há razão para que também não o esteja em relação à proibição de que tratamos. É preciso que se leve em conta os motivos que justificavam essa proibição e que hoje não existem mais. O legislador hebreu queria que o seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as evocações estavam em uso e facilitavam abusos, como o provam estas palavras de Isaías: “O Espírito do Egito se aniquilará por si mesmo e eu precipitarei seu conselho; eles consultarão seus ídolos, seus adivinhos, seus pítons e seus mágicos”. (19:3.) Além disso, os israelitas não deviam contrair nenhuma aliança com as nações estrangeiras. Iam encontrar as mesmas práticas entre esses povos a que se dirigiam e que deviam combater. Moisés viu-se obrigado, por razões políticas, a inspirar no povo hebreu aversão a todos os costumes que pudessem ter semelhanças e pontos de contato com o inimigo. Para justificar essa aversão, era preciso que apresentasse tais práticas como reprovadas pelo próprio Deus, e daí estas palavras: “O Senhor abomina todas essas coisas e destruirá, à vossa chegada, as nações que cometem tais crimes”.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo É proibido evocar os mortos?
Item 3