Capítulo 1
Para que alguém possa trabalhar pela sua depuração, reprimir as más tendências, dominar as paixões, é preciso que renuncie às vantagens imediatas em prol do futuro, visto como, para identificar-se com a vida espiritual, encaminhando para ela todas as aspirações e preferi-la à vida terrena, não basta crer, mas compreender. É preciso considerá-la também sob um ponto de vista que satisfaça ao mesmo tempo à razão, à lógica, ao bom senso e à ideia que fazemos da grandeza, da bondade e da Justiça de Deus. Sob esse aspecto o Espiritismo, pela fé inabalável que proporciona, é, dentre todas as doutrinas filosóficas, a que exerce a mais poderosa influência. O espírita sério não se limita a crer, porque compreende, e ­compreende porque raciocina. A vida futura é uma realidade que se desdobra incessantemente a seus olhos, realidade que ele toca e vê, por assim dizer, a cada passo, de modo que a dúvida não tem guarida na sua alma. A vida corpórea, tão limitada, se apaga diante da vida espiritual, que é a verdadeira vida. Daí a pouca importância que atribui aos incidentes da jornada e a resignação nas vicissitudes que enfrenta, cujas causas e utilidade ­compreende perfeitamente. Sua alma se eleva pelas relações que mantém com o mundo invisível; os laços fluídicos que o ligam à matéria enfraquecem-se, operando-se por antecipação um desprendimento parcial que facilita a passagem para a outra vida. A perturbação, inseparável da transição, é de curta duração, porque, uma vez franqueado o passo, ele logo se reconhece, nada estranhando e se dando conta imediatamente da nova situação em que se encontra.
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Parte Segunda
Nome do Capítulo A passagem
Item 14