A inutilidade da lembrança para aproveitar o passado é o que custam mais a compreender os que não estudaram o Espiritismo; para os espíritas é uma questão elementar. Sem repetir o que já foi dito a respeito, a seguinte comparação poderá facilitar o seu entendimento.
O aluno percorre a série de classes, desde a oitava até a filosofia. O que aprendeu na oitava lhe serve para aprender o que ensinam na sétima. Suponhamos agora que no fim da oitava tenha perdido toda a lembrança do tempo passado nesta classe; nem por isto seu Espírito será menos desenvolvido e dotado de conhecimentos adquiridos; apenas não se lembrará nem onde nem como os adquiriu, mas, em face do progresso realizado, estará apto a aproveitar as lições da sétima. Imaginemos, ainda, que na oitava tenha sido preguiçoso, colérico, indócil, mas que, tendo sido castigado e moralizado, seu caráter se tenha modificado, tornando-se laborioso, doce e obediente; levará essas qualidades para a nova classe, que lhe parecerá ser a primeira. De que lhe serviria saber que foi fustigado pela preguiça, se agora já não é preguiçoso? O essencial é que chegue na sétima melhor e mais capaz do que era na oitava. Assim será de classe em classe.
Pois bem! o que não acontece ao escolar, nem ao homem nos diferentes períodos de sua vida, existe para ele de uma existência a outra: eis toda a diferença; mas o resultado é exatamente o mesmo, embora em maior escala.
(Vide outro exemplo de lembrança do passado relatado na Revista Espírita de julho de 1860).