Instruções dos Espíritos – O castigo pela luz
Os seres desencarnados perseguidos pela representação material de seu crime sofrem o choque da eletricidade física: sofrem pelos sentidos. Os que já estão desmaterializados pelo Espírito sentem uma dor muito superior, que aniquila nas suas vagas amargas a recordação dos fatos, para não deixar subsistir senão a ciência de suas causas. O homem pode, pois, a despeito da criminalidade de suas ações, possuir um adiantamento interior, pois enquanto suas paixões o fazem agir como um bruto, suas faculdades afiadas o elevam acima da espessa atmosfera das camadas inferiores. A ausência de ponderação, de equilíbrio entre o progresso moral e o progresso intelectual, produz as anomalias muito freqüentes nas épocas de materialismo e de transição. A luz que tortura o Espírito culpado é, pois, o raio que inunda de claridade os recônditos de seu orgulho e a lhe pôr a descoberto a inanidade de seu ser fragmentário. Eis os primeiros sintomas e as primeiras angústias da agonia espiritual, que anunciam a separação ou a dissolução dos elementos intelectuais materiais, que compõem a primitiva dualidade humana, e devem desaparecer na grande unidade do ser acabado. Jean Reynaud Observação – Recebidas simultaneamente, estas três comunicações se complementam, apresentando o castigo sob novo aspecto, eminentemente filosófico, um pouco mais racional que as chamas do inferno, com suas cavernas guarnecidas de navalhas. (Vide A religião e o progresso, neste número.) É provável que os Espíritos, querendo tratar a questão por um exemplo, tenham provocado, com esse objetivo, a comunicação espontânea do Espírito culpado.
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Mês Julho
Ano 1864