O que faltava a Apolônio para ser cristão? Muito pouco, como se vê. Não permita Deus que estabeleçamos um paralelo entre ele e o Cristo! O que prova a incontestável superioridade deste e a divindade de sua missão é a revolução produzida no mundo inteiro pela doutrina que ele, obscuro, e seus apóstolos, tão obscuros quanto ele, pregaram, enquanto que a de Apolônio morreu com ele. Seria, pois, impiedade apresentá-lo como rival do Cristo! Mas, se quisermos prestar atenção ao que disse a respeito do culto pagão, veremos que condena as formas supersticiosas e lhes desfere terrível golpe, substituindo-as por idéias mais sãs. Se assim tivesse falado ao tempo de Sócrates teria, como este último, pago com a vida aquilo que haveriam chamado a sua impiedade. Mas na época em que viveu as crenças pagãs já haviam feito sua parte e ele foi ouvido. Por sua moral preparou os pagãos, em cujo meio viveu, para receberem, com menos dificuldade, as idéias cristãs, às quais serviu de transição. Assim, acreditamos estar com a verdade, dizendo que ele serviu de traço de união entre o paganismo e o Cristianismo. Sob esse aspecto, talvez tivesse ele também uma missão. Podia ser ouvido pelos pagãos, mas não o foi pelos judeus.