“Entre os filósofos e os sábios esta idéia jamais deixou de ter representantes. O ilustre Franklin, um dos homens que mais honraram a Humanidade pelo gênio e pela sabedoria, compôs, ele próprio, o epitáfio seguinte, que testemunha a sua fé na reencarnação: “Aqui repousa, entregue aos vermes, o corpo de Benjamim Franklin, impressor, como a capa de um velho livro cujas folhas foram arrancadas, e cujo título e douração se apagaram.
Mas nem por isto a obra ficará perdida, pois, como acredito, reaparecerá em nova e melhor edição, revista e corrigida pelo autor.”
“Numa carta à Sra. de Stein, Goethe exclama: ‘Por que o destino nos ligou tão estreitamente? Ah! em tempos passados fostes minha irmã ou minha esposa!’
“O grande químico inglês, sir Humphry Davy, numa obra intitulada: Os últimos dias de um filósofo, aplica-se em demonstrar a pluralidade das existências da alma e suas encarnações sucessivas.
‘A existência humana, diz ele, pode ser encarada como o tipo de uma vida infinita e imortal, e sua composição sucessiva de sonos e de sonhos poderia certamente nos oferecer uma imagem aproximada da sucessão de nascimentos e de mortes de que se compõe a vida eterna.’
“Charles Fourier estava de tal modo convicto de que renascemos na Terra, que se encontra em sua obra a seguinte frase: ‘Aquele que foi mau rico poderá voltar a mendigar na porta do castelo de que foi proprietário.’
“Hoje, a crença na pluralidade das existências é quase geral nos grandes escritores. Acho supérfluo fazer citações que se encontram em toda parte e que me fariam ultrapassar o quadro no qual devo cingir-me. Disse o Sr. Chaseray em suas Conferências sobre a alma51: ‘Sinto dificuldade na escolha de citações para mostrar que a fé numa série de existências, umas anteriores, outras posteriores à vida presente, cresce e se impõe cada dia mais aos espíritos esclarecidos.’
“Não foi apenas Proudhon que se sentiu arrastado para este lado. A passagem seguinte, de uma carta dirigida pelo grande demolidor ao Sr. Villiaumé, em 13 de julho de 1857, é uma prova disto. Diz ele: ‘Pensando nisto, eu me pergunto se não arrasto a corrente de algum grande culpado, condenado numa existência anterior, como ensina Jean Reynaud!’
“Como se vê, é a velha metempsicose que reaparece e tende a tornar-se a religião da Humanidade. Ela tem tanto mais chances de triunfar desta vez, quanto se despojou da sujeira que a fez abandonada: – Hoje já não se crê que a alma humana possa retrogradar e entrar no corpo de um animal. Os Antigos não tinham o sentimento do progresso contínuo do ser e da organização que preside à obra de Deus: eis por que caíram neste erro grosseiro.
“Num próximo artigo, submeteremos esta doutrina ao controle da razão.”
V. Tournier